É madrugada de sábado, dia 2, e cinco homens, três deles policiais ambientais, estão exaustos, tensos, famintos, perdidos na mata fechada do Parque Estadual Intervales, no Vale do Ribeira, Sul do estado de São Paulo. Apesar do cansaço, não conseguem dormir. Comunicam-se por sussurros e estão proibidos de acender as lanternas ou fazer fogueira para afugentar o frio da floresta. Qualquer descuido poderia trazer de volta os garimpeiros, que horas antes haviam baleado um vigilante do parque e assassinado outro com um tiro fatal na cabeça.
Em vinte anos na profissão, o sargento Marcel Shimoi, 41 anos, nunca havia passado por momentos tão tensos. “É um milagre eu estar vivo”, diz. Shimoi foi escolhido pelo batalhão da Polícia Militar Ambiental de Registro para comandar uma operação de caça aos homens que frequentemente invadem o parque de 41 mil hectares para extrair palmito, o que é ilegal. O sargento, dois cabos e os vigilantes do parque Damião Cristino de Carvalho Júnior, 28 anos, e Luiz Soares de Lima, se reuniram às 9 horas em uma das entradas do parque, no local conhecido como Saibadela, e mergulharam em uma das trilhas. Os três policiais portavam, cada um, pistolas calibre 40, padrão da PM paulista. Carvalho Junior levava no coldre um revólver calibre 38; já Lima não estava armado. Pela trilha, venceram uma pequena serra e se depararam com um caminho novo, recém-aberto na mata. Foram por ele.