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eu podia ter fugido, eu sei.
eu podia ter batido a porta,
ido embora antes que você acabasse comigo.
mas eu não fui.
eu fiquei.
acreditei propositalmente em todas as tuas mentiras mesmo quando as engolia e elas me queimavam a garganta. te assistia brincar com meu coração enquanto tentava acreditar que aquilo era uma versão de amor que eu não conhecia, mas merecia.
vi aos poucos minha luz se apagando enquanto tu se alimentava dela brilhando cada vez mais forte.
e me cegando.
cega e entregue.
presa num poço tão fundo sem chance de salvação.
me prendia a ti como uma chance de escapar do vazio que tinha me tornado enquanto tu se movimentava e se escorregava intencionalmente das minhas mãos.
me apaguei e desisti de mim por você.
entreguei minha felicidade para alguém que nunca me quis feliz.
11 anos e reticências
Eu tive uma professora no colegial que me disse uma vez um segredo tremendo. Eu conversava com ela sobre querer espalhar meus contos e crônicas pelos papéis do país e ela parecia abraça-lo junto comigo e eu gostava da sensação de ser compreendida e acreditada. Houve uma certa vez que levei um tremendo susto quando ela ao ler um texto de minha autoria gritou “Não acredito!” Sim, com exclamação e tudo mais! De medo, nem chegar perto eu queria mas eu precisava saber o que tinha de errado e foi aí que ela soltou o segredo que compartilhamos hoje em dia: o ódio pelas reticências. Me explicou que na visão dela aquilo era incompletude, falta de farinha para encher o saco. Disse que se fosse para terminar um texto, que colocasse um ponto final, a maioria dos leitores gostam de finais, reticências tira a paciência dos dias. Parece pedrinha no sapato falando repetidas vezes “E agora?” E agora perguntava-me. Aquilo era como a vida. Às vezes não dá para saber o que será, nunca dá. Algumas histórias necessitam delas. Eu sempre preferi companhia, suponhamos que o ponto final também, por isso convidou mais dois. De certa forma, prefiro elas. Onze anos e uma primavera se abriu junto. Talvez um dia eu precise usá-las. Talvez precise, um dia...
Groselhas de Sam
Eu me tornei uma pessoa um pouco insegura. Será que algo vai estragar? E se der errado de novo? Eu ando precisando de certezas. Te sobrecarrega eu te contar isso? Ah, eu sou tão ingênua as vezes. Nem todo mundo quer nosso bem, demorei a perceber isso. E quando percebi, o coração já estava em pedaços. A gente as vezes é tão transparente. Desnuda a alma, sem armações ou armaduras. A gente confia. Abraça. Fica juntinho. E o que recebe? Recebe Dor. Porque nem todo mundo sabe ser sincero. E como exigir sinceridade dos outros? As pessoas só dão o que tem. Não me olha assim. Não pense que isso é medo de ser feliz. Não ache que eu não me permito. Eu tenho é medo de ser infeliz. Outra vez!
As vezes dormir para se livrar dos momentos ruins, não é a melhor opção. Por isso pensar em desistir e não querer mais viver pode parecer a melhor alternativa que se tem no momento, e eu nem julgo quem pensa assim.
não sei por quanto tempo mais conseguirei lutar contra mim mesma
Tenho um absurdo medo de aos poucos acabar esquecendo dos seus pequenos detalhes, por isso e outros motivos, desde já te eternizo no alfabeto. Consoante por consoante, vogal por vogal, com rima ou sem. Te rabisco ás vezes também no canto da folha e dou risada disso, como se estivesse contando piadas ruins, mas meus ouvidos te registram. Te fixo no papel porque um dia, quando fores, precisarei disso para te ter. Espero que saibas ler e perceber que meu eu sempre esteve em ti, e o que escrevo é você. Te guardo. O amor é dar-se e abrigar-se no peito do outro.
Groselhas de Sam
É tolice eu sei
Você não sente os meus passos
Mas eu imagino
Mas eu imagino