Temas de interesse: Angst, Crack, Fluff, Romance, Shipping.
Trigger Warning: Nenhum
Biografia:
Leonardo Kim ou Soonyoung Kim nasceu em Daegu na Coreia do Sul e cresceu num orfanato na mesma cidade. Foi abandonado por seus pais biológicos aos dois anos de idade e por esse motivo não tem muitas memórias dos mesmos. Aos dez anos ainda vivia no orfanato quando foi adotado por um casal muito rico e conhecido na indústria da moda.
Por ter crescido nesse meio, Leonardo automaticamente se interessou pela área e se dedica ativamente a ela, inclusive, está cursando seu segundo ano em moda, seu sonho é ter uma marca sua com preços acessíveis e com peças que tragam mensagens significativas nela.
O jovem é muito rico e não poupa despesas para ajudar as pessoas a sua volta, tem a mania de mimar seus amigos com presentes exagerado e peças de roupas costuradas por ele mesmo.
Personalidade:
Leo é em geral uma pessoa alegre e cheia de energia mas, pode ser muito barulhenta e cansativa; Tende a ser muito realista quanto a acontecimentos e muito sincero quanto a seus pensamentos; Ainda que muito extrovertida e energética, Leo também tem seus dias ruins e é quando ela entra num estado calmo (as vezes choroso) e reflexivo.
Ambições para o futuro:
Seu maior sonho é sua própria marca de roupa e um desfile com pessoas famosas e diversas utilizando a sua marca mas, no momento está realmente focado em terminar sua faculdade e se recuperar nas matérias em que ficou detida.
O que é a Liberdade para o seu personagem?
Um centro de inspiração, Leo sempre se pega refletindo sobre a Liberdade e como ela manteve sua essência no caos de São Paulo. E é assim que ele vê sua costura e moda no futuro, algo único no meio da bagunça que é a indústria da moda
Ocupação: Atendente na Livraria 47 e estudante de Design Gráfico na USP.
FC: Soobin - TXT.
Temas de interesse: Angst, Crack, Fluff, Romance, Shipping, Smut.
Trigger Warning: Bullying.
Biografia:
Tudo parecia muito bom em Seul na década de noventa. Koh Taeha era mesmo a filha prodígio dos pais amados. Se não fosse pelo fato da menina ter quase uma vida dupla, tudo estaria ótimo. De dia cuidava do restaurante da família e estudava, tudo para deixar os pais contentes. De noite fugia pela janela para encontrar com suas amigas e curtir o melhor de Itaewon. Numa dessas muitas escapadas acabou conhecendo alguns estrangeiros e entre eles um brasileiro. O rapaz disse que estava ali a trabalho mas ela não se importou. Viver um romance proibido parecia muito atraente, até tudo descer pelo ralo. Foi no meio dessas noites de muita diversão e prazer, que o pequeno Taecyeon foi “encomendado”. A família não gostou nadinha disso e Taeha foi expulsa de casa. Quem poderia dizer que isso aconteceria? Qualquer um.
Bastou o menino nascer pra mais nova despejada ter que se mudar. A única sorte que teve foi o brasileirinho gatinho gostar da ideia de a levar embora consigo. Não precisou de muito pra conseguir um visto e cair fora do país que não a aceitava barriguda. Aterrissaram na famosa “Cidade Maravilhosa” e lá começaram a construir sua nova vida. O rapaz largou o exército para buscar algo melhor e a nova mamãe teve uma ideia excelente: por que não abrir um pequeno restaurante coreano? Tinha a culinária em suas veias! A família conseguiu dar a volta por cima - na medida do possível, consolidando o nome do restaurante e vivendo bem. O filhote cresce saudável e muito sorridente. O garoto aprendia o melhor dos dois mundos com os pais, ainda que a convivência com outras crianças não fosse sempre a melhor, afinal que estrangeiro não sofria bullying naquele maldito país? Mas ele descobriu como levar da melhor forma possível.
Sua mãe nunca o deixou esquecer suas origens, mesmo que deixasse o mundo o influenciar de forma positiva. O garoto descobriu ainda na pré-adolescência o que gostaria de ser se tivesse em sua terra natal, mas com a distância acabou desistindo ainda no início. Focou em outras paixões, descobriu novos sabores e foi na arte que se encontrou. Uma pena que alguns anos depois seus pais passaram pela maior crise de todos os tempos e perderam o restaurante. Decididos a começar de novo, encontraram em São Paulo uma nova oportunidade: a comunidade asiática crescia e parecia sempre acolher seus filhos. Por que não começar de novo ali? Por que não sorrir pra vida?
Personalidade:
Apesar de sempre manter sorrisos no rosto, Taecyeon é de longe o rapaz calminho e super gentil que todo mundo pensa. Cresceu em meio a muito bullying e tanta raiva que costuma ter o que chama de “explosões raivosas”. Não gosta de ser assim, nem de longe. Tenta ser um bom rapaz, até porque não quer dar ainda mais trabalho para os pais que batalham desde sempre. Não perde uma festa e se você disser que vai ser divertido, pode ter certeza que ele vai estar lá. Amava praia, amava uma curtição. Sempre sendo a graça da festa, o centro das atenções! Dança, canta, faz piruetas e o que for necessário para deixar todo mundo feliz, mas deveria mesmo era dedicar todo esse esforço nos estudos, porque com as notas que acumulou da pré-adolescência, não poderia se orgulhar. Como conseguiu uma vaga na USP? Bom, você deve entender que quem corre atrás acaba conseguindo e ele, veja bem, correu como um maratonista. Passou meses estudando feito um condenado, virando noites com as caras nos livros. Depois de tanto esforço está lá, tentando mais uma vez manter o foco para que não dê desgosto aos seus pais. Sorridente, divertido, confuso e inconsequente, ele não é má pessoa, só… Se perde nos prazeres da vida.
Ambições para o futuro:
Dizer que ele sente falta de casa seria até maluquice, afinal não lembra como é Seul e nem pensa naquela cidade como a sua casa. Sente falta do Rio de Janeiro, sente falta da praia e dos vizinhos calorosos. Sente falta de se sentir livre e espera que, construindo uma boa reputação com seus trabalhos, possa provar um pouquinho dessa liberdade, ainda que morando em São Paulo. Taecyeon não liga tanto assim para dinheiro ou para patrimônio, mesmo tendo aprendido com seus pais que trabalhar para prover o melhor é o necessário. Ele quer curtir, sentir o calor queimando sua pele, assim como o sangue borbulhando em suas veias. Ele quer se sentir vivo com a arte que produz, com o amor que bota em tudo o que gosta, quer sentir vontade de viver! Pode ser louco sim, claro. Mas sonha em conseguir construir seu nome e sua marca, produzindo muito mais que apenas arte, produzindo amor.
O que é a Liberdade para o seu personagem?
Foi na Liberdade que se sentiu em casa mais uma vez e tudo bem que o bairro não tem nada a ver com a cidade onde foi criado, mas ali sentiu o gostinho de “quero mais”! Pensa num lugar que tem tudo que ele ama e mais um pouco. Pensa num lugar onde sonhos parecem realidade. Estava cercado de possibilidades, de sonhos e de uma energia positiva tão boa que nada mais parecia tão importante assim. Cercado de pessoas parecidas consigo, sem bullying, sem sentir que precisa se encaixar - porque ele definitivamente se encaixa sem fazer esforço! Taec se sente no mundo dos sonhos, onde tudo é possível, até mesmo ser feliz. Ele vai conseguir conquistar seu espaço e sabe que a Liberdade é o ponta pé pra isso.
Ocupação: Atendente na Livraria HK e professor de mandarim.
FC: Lin Yanjun - solo, ator.
Temas de interesse: Angst, Crack, Fluff, Romance, Shipping, Smut.
Trigger Warning: Xenofobia.
Biografia:
Nascido no ano de 1995 em Taiwan, Chen Jiyang ou Rafael Chen, é filho de pai taiwanês e mãe brasileira. A mãe viajou para Nova Taipé com o objetivo de estudar um novo idioma, o que não esperava era que a viagem acabaria por tomar outro rumo após conhecer o senhor Chen. O taiwanês e a brasileira se apaixonaram quase que instantaneamente, até hoje fazem o filho acreditar em amor à primeira vista por conta disso.
A mulher pretendia ficar apenas seis meses no país, mas como não queria perder o namorado — o qual não pretendia sair do país —, aceitou casar-se com ele e alterar a moradia para permanente. Exatamente dois anos depois, o primeiro filho do casal nasceu, eles não poderiam estar mais felizes.
O rapaz não possui muitas memórias claras da infância em Nova Taipé, porém todas as lembranças nítidas são agradáveis. Teve uma infância calma e foi alfabetizado em dois idiomas, mandarim e português. A mãe fez questão de que Jiyang e a segunda filha, dois anos mais nova, soubessem ambos os idiomas. O mesmo serviu para adicionar também nomes brasileiros nos filhos, desde o início a mulher havia deixado claro que pretendia voltar para o país de origem. O senhor Chen sempre aceitou tudo muito bem, na época em que concordou com tudo, não pensou muito sobre o assunto, apenas não desejava perder a namorada. Entretanto, com o passar do tempo, começou a realmente se interessar pelo Brasil, até mesmo estudando português junto das crianças.
Quando Jiyang completou dez anos de idade, a mãe decidiu que era hora de voltar para o Brasil, muito tempo havia se passado desde a chegada em Taiwan. Os filhos não aceitaram muito bem a ideia.
Se mudar para o Brasil foi uma experiência e tanto. Era um misto de sensações negativas e positivas. O garoto estava feliz em conhecer o lado brasileiro da família, explorar um novo local tão amado pela mãe e admirado pelo pai. Contudo, o choque cultural foi imenso, mesmo ele tendo sido preparado para a experiência, ninguém nunca prevê as coisas ruins. Talvez fosse por conta da falta de informações da época, mas as memórias da infância e início da adolescência em São Paulo, não são tão agradáveis quanto as lembranças anteriores.
Ele passou a usar apenas o nome Rafael no novo país, não somente por ser mais fácil de ser pronunciado pelos falantes de português, como também por não aguentar as piadinhas com seu nome durante a escola. Escutou diversos apelidos e piadas pejorativas sobre seus traços e culturas, o que fez o menino se envergonhar de suas origens por certo tempo.
Fez de tudo para ser aceito pelos colegas preconceituosos, era tudo tão cansativo que começou a perder o próprio brilho. Quando atingiu os quinze anos de idade, os pais finalmente notaram a mudança bruta no comportamento do mais velho, este contou tudo o que lhe chateava. Preocupados, os pais descobriram o bairro Liberdade e essa foi a melhor solução encontrada para o grave problema. Assim que se mudaram, Rafael passou a frequentar uma nova escola localizada no bairro, conheceu outras pessoas com sua cultura e de culturas diferentes, mas que tinham respeito. Sentindo-se mais em casa, o garoto descobriu ser apaixonado por literatura e idiomas, dedicou-se o suficiente para conseguir adentrar o curso de Letras na USP.
Já dentro da faculdade, cursando Letras com habilitação em mandarim, Chen começou a estudar mais sobre a própria cultura e recuperou o orgulho que sentia pela mesma. Atualmente é formado e ensina mandarim para crianças e adolescentes. Além disso, trabalha também na Livraria HK, onde pode ficar perto de sua maior paixão, os livros. Vez ou outra é pego tentando ensinar mandarim para aqueles que vão atrás de materiais para estudo.
Personalidade:
Rafael é o que pode ser chamado de borboletinha social, é extremamente extrovertido e animado. Por outro lado, muitas vezes pode ser enxergado como egocêntrico e narcisista. Costuma fazer de tudo para agradar os outros, às vezes fazendo o que não quer, ainda sim, nunca aceita estar errado em discussões e pode ser impaciente caso contrariado. É muito sensível e seus sentimentos podem ser facilmente feridos, assim como seu ego.
Ambições para o futuro:
Pretende continuar trabalhando em seus dois empregos até ter dinheiro o suficiente para publicar o próprio livro com traços da literatura taiwanesa.
O que é a Liberdade para o seu personagem?
A Liberdade é para Rafael o seu lugar favorito. Apesar de amar Taiwan e outros lugares específicos que visitou dentro do Brasil, nada se compara ao seu lar. O bairro possibilitou que o garoto superasse o seu pior trauma e pudesse recomeçar aos poucos. Não é como se nunca mais tivesse sofrido preconceito após mudar-se, mas com certeza as diferentes culturas presentes no local o ajudaram a lidar melhor com isso.
Trigger Warning: bullying e alusão ao uso de drogas.
Biografia:
Eugênio Kim, um nome muito peculiar para um rapaz nascido em uma família coreana de imigrantes, principalmente sendo a primeira geração nascida no Brasil. O nome foi escolhido por sua avó, fã de Gene Kelly, que falou para o filho que seu primeiro neto homem seria uma homenagem ao gênio de Singin' in the Rain, seu filme favorito. E não demorou muito para ter seu sonho realizado. Na verdade era para ser Eugene, mas o escrivão chato da cidadezinha do interior que o menino nasceu não sabia escrever direito e antes que ele cometesse um equívoco, seu pai foi logo falando que podia ser Eugênio mesmo, a contragosto da avó.
A família ainda estava se aventurando no comércio com a verdureira e a Feira da Liberdade, e com a chegada de um segundo bebê, decidiram que seria melhor deixar o mais velho aos cuidados dos avós no sítio enquanto o casal se mudava para a Liberdade junto com sua irmãzinha Elisa. Os pais visitavam a família todos os finais de semana — praticamente deixavam a filha por lá enquanto estavam ocupados com os negócios — e assim, Geni não perdia o contato com a sua irmã.
O menino cresceu ouvindo da avó que ele deveria se tornar um artista: cantor ou dançarino famoso para fazer jus ao nome que lhe foi dado. Porém comprido e desengonçado, Geni não era muito competente para qualquer coisa que não fosse cuidar da fazenda e dirigir trator. Ou números em um geral. Sabia calcular desde cedo o valor dos litros de leite a serem vendidos, quando os ovos das galinhas iriam descascar e se valia a pena vender os leitões ou esperar que engordassem até virarem porcos enormes. Eugene sempre se interessou pela vida no campo e até ficou triste quando aos dez anos se mudou novamente para a casa dos pais.
Os Kim acharam fraco o ensino dado no interior e ao ver o atraso do filho em relação à própria irmã. Foram quatro anos de sofrimento para os pais, tentando separar as brigas constantes dos filhos, pelo menos as que eles tinham conhecimento. Eugênio nunca contou a eles que apanhava de outros moleques no parquinho e que Elisa o salvava com seus punhos de aço. Talvez aquela gratidão acumulada foi o estopim para que o rapaz assumisse a culpa por um cigarrinho suspeito que foi encontrado nas coisas da irmã pouco antes de Geni completar quinze anos.
Como castigo, foi enviado para o campo de novo e só voltou para Liberdade quando se formou em Engenharia Agronômica na USP (depois de uns bons seis anos de curso e de comer o pão que o diabo comedor de pizza que dava Engenharia Econômica amassou), dando orgulho a seus pais. Seu plano era tocar a fazenda dos avós, mas infelizmente o agroboy com CREA teve de dar uma adiada neste caminho, os Kim precisavam de mais uma pessoa para cuidar dos negócios da família, já que a verdureira ia bem e tinham até aberto um mini empório de produtos naturais anexo.
Aproveitando a calmaria do mercado de trabalho e o fato de que não tinha um carro com idade suficiente para ser Uber, engatou um mestrado no mesmo campus que se formou. Piracicaba era longe da Liberdade, mas uma viagem de duas horas uma ou duas vezes por semana valeria a pena e ainda dava uma fugida para dar um cheiro na sua avó e em seu avô durante aquelas viagens.
Personalidade:
Eugênio pode ser considerado alguém caxias, certinho, filhinho-da-vovó. Pode ser porque todas as vezes que mentiu na vida, acabou se lascando bonito. É aquele ditado: gato escaldado tem medo de água fria. E por falar em gato, ele é um tiquinho cat person, pelo menos no sentido da introversão, da sensibilidade e de ter um bichano de estimação. De resto: dog person total, que gosta de seguir regras, obedece facinho e até late se duvidar. Tem um instinto protetor com quem ama, mas com algumas ressalvas, Geni não vai passar pano para amigos, talvez para Elisa, mas aí já é família e o nível de confiança e de amor está acima dos demais. Eugênio é meio debochado, algo que não conseguiu melhorar ao longo dos anos e sequer acha que um dia vai, mas finge para todo mundo que está arrependido e que vai parar de ser assim.
Ambições para o futuro:
Primeiramente, terminar essa porcaria de mestrado, porque a cada enchida de saco do orientador, Eugênio pensa naquela música para dar forças para continuar: eu não vim até aqui para desistir agora. Apenas um colega engenheiro para entender o outro, mesmo que os músicos tenham CREA do Hawaii. Esse é um plano a curto prazo, já que a qualificação e a dissertação estão na porta e se Deus quiser agora vai. Olhando mais para frente, o mais velho dos Kim só quer deixar a verdureira nas mãos da Elisa e ir para o campo aproveitar a vida de calmaria, ir para a roça, criar animais e colher seu sustento da terra.
O que é a Liberdade para o seu personagem?
Eugênio não gosta muito do bairro, mas odeia menos do que odeia a selva de pedra de São Paulo. Acha barulhento demais, cheio de gente e cinzento, o Torii da entrada precisa de uma boa reforma. Aquele tanto de gente apressada, de turista perdido e a confusão da feira aos finais de semana ainda geram um certo estranhamento, fora ter de calçar a gladiadora e batalhar pelo troco nos estabelecimentos próximos. Quando era mais jovem, adorava aquilo, agora depois de velho só queria um pouco de sossego, criar galinhas e beber um café antes de ir tocar as vacas. O trabalho no campo era bem mais pesado do que carregar caixas de frutas e lidar com os clientes da quitanda, mas achava mais recompensador e menos estressante. Um dia, quem sabe, pode se apaixonar pela Liberdade, até lá fiquemos com o velho ranzinza reclamando de quase tudo.
Para grande parte dos brasileiros, ir embora do Brasil é um sonho seja por conta da política e economia que os deixam insatisfeitos. Quem em sã consciência abandonaria seu país para viver no Brasil? A mãe de Thiago era louca o bastante para isso. A coreana conheceu um brasileiro pela internet, um homem de olhos claros do sul do Brasil, engraçado e com toda aquela lábia de boto rosa. A paixão levou a coreana para o Brasil após um ano de troca de mensagens e fotos, e a sorte foi grande quando viu que o homem era realmente quem dizia e não um catfish.
Não demorou muito para o casamento vir e após alguns anos o primeiro filho, chamado Thiago. O garoto era um furacão e vivia fuçando na internet, descobrindo coisas novas e jogando, passava a madrugada toda em call gritando mesmo tendo aula no dia seguinte. O único momento em que o garoto ficava quieto era nas aulas de violão, quando envolvia em se concentrar na música era um anjo. Logo nasceu sua primeira irmã e a caçula. Todo menino da idade de Thiago gostaria de brincar com um irmãozinho mas o que restava para ele era brincar de Barbie e Polly, e quem sabe até uma Suzy.
Thiago criou um laço muito forte com as irmãs, que mesmo com a maioridade do mesmo nunca deixou de ser amigo delas e sempre estar junto. Mas ao contrário delas ele não tinha grandes planos de faculdade, tinha um canal no YouTube e Twitch com muitos seguidores, tendo 1,25M no YouTube. Seus pais ficaram em cima, queriam muito que o garoto fizesse uma faculdade, que tivesse uma graduação, mas as gameplays eram tudo para ele, o que verdadeiramente gosta de fazer. Thiago conseguiu convencer os pais com a renda ganhada com seu trabalho geral na internet. A mudança para São Paulo foi ótima para o garoto, a proposta de ir morar na cidade venho pelo trabalho do pai junto com uma promoção. Para o jovem era muito legal e diferente, havia muitos estabelecimentos que nem sequer eram conhecidos no sul do país, e também muitos amigos virtuais e inscritos.
Personalidade:
Sua personalidade é do tipo ENFP, os principais defeitos são ser tagarela, distraído, inquieto, mas suas maiores qualidades são sincero, honesto, animado.
Ambições para o futuro:
Deseja comprar um apartamento em São Paulo para morar sozinho.
O que é a Liberdade para o seu personagem?
Um lugar novo com muitas oportunidades, amizades e novidades.
Ocupação: Estudante de História (USP) e atendente na Livraria HK.
FC: Jackson Wang, solo.
Temas de interesse: Angst, Crack, Fluff, Romance, Shipping, Smut.
Trigger Warning: Uso de drogas não-lícitas, xenofobia, bullying.
Biografia:
Se Jesse pudesse definir sua vida com uma frase, ela com certeza seria “pensei que fosse outra coisa”.
Sua mãe, uma médica de 30 anos formada há pouco, nascida no Brasil mas filha de imigrantes chineses, conseguiu guardar um dinheiro e reservar um espaço em sua agenda para um simpósio nos Estados Unidos que tanto queria participar. Do outro lado do mundo, o seu pai, também médico, no auge da sua carreira aos 34, tinha o mesmo destino; sair de Hong Kong para participar do simpósio. E foi assim que eles se conheceram… e que foi concebido.
Apesar da criação conservadora de ambos os lados, quais eram os riscos de algumas noites de diversão? Acontece que algumas semanas após voltarem para seus devidos países e iniciarem uma troca de e-mails demorada - até porque internet boa não existia naquela época -, Angela se descobriu grávida. Esperava que Laoyang não fosse aceitar, mas o chinês não apenas aceitou como queria se casar, se mudar e ajudar a cuidar da criança. Claro que a família estranhou o casamento tão rápido, mas uma mentira aqui e ali foi o suficiente para encobrir a concepção do garoto.
E ai que veio a segunda pegadinha na vida dele.
Seus pais não conseguiram determinar o sexo do bebê. A maioria dos exames foi inconclusivo, mas o “achismo” da dona Wong determinava, com 100% de certeza, baseado nos estudos da Universidade do Achismo, que como a barriga era muito redonda, com certeza era uma menina. E a dona Wu, quando viu a barriga, confirmou; com certeza era uma menina. E após algumas discussões das famílias, foi decidido que seu nome seria Jessica.
Qual foi a surpresa de todos quando o bebê saiu e era um menino. É difícil acreditar que dois médicos foram na onda da crendice, mas confiavam tanto na sabedoria materna que não pensaram em um nome caso fosse um menino. Resultado? “Só muda o final, continua bonito”. Jessico. Pois é.
Não bastava ser descendente de asiáticos e ter que ouvir inúmeras vezes piadas envolvendo pastel, cachorro, ouvir aquela música insuportável do É o Tchan (“Arigatou? Sayonara? Eu sou chinês, que inferno!”), olhos puxados, ainda tinha que ter um nome brasileiro ridículo e um chinês que não conseguiam pronunciar. E em casa, ainda tinha que aprender mandarim, pois seus pais e os avós exigiam que ele aprendesse a língua. Demorou algum tempo para que começasse a se abrir para a cultura do qual era descendente.
O que foi o diferencial para ele foi uma heroína chamada Mulan. Tinha por volta de dez anos quando finalmente entendeu o filme, e poxa, era uma heroína e era chinesa! Foi sua avó quem contou sobre o poema da Mulan, e com aqueles anos aprendendo e convivendo com a língua da sua família, o garoto sentiu vontade de conhecer mais. Foi na Livraria HK que aprendeu mais sobre a cultura das suas origens, onde verdadeiramente despertou seu interesse por leitura também.
Apesar dos hobbies do jovem Jesse serem mais solitários, ele se tornou um garoto extrovertido e simpático. Em um ponto, era como se as críticas e zoações de pessoas de fora não o atingissem mais, não importava. Com o interesse em sua cultura, acabou aprendendo alguns preceitos básicos do taoísmo e do confucionismo com suas avós, começou a frequentar alguns templos quando os encontrava, e um aprendizado ficou guardado em sua mente. “Se não sabes, aprende; se já sabes, ensina.” Ao invés de rebater ou tentar se defender, começou a mostrar coisas interessantes sobre a China aos seus colegas, coisas clichês até - alguns simplesmente o ignoraram e largaram de mão, mas alguns realmente se viram interessados.
Teve uma adolescência tranquila, e começou a trabalhar aos 16 anos na Livraria HK, pois por mais que tivesse dinheiro em casa, aquilo era dos pais, e ele se sentia no dever de começar a buscar pela sua independência. E viu o quanto isso foi necessário pouco após completar 18 anos e conseguir entrar na USP, o que era uma vitória por si só! Mas… No curso de Letras, com foco em Mandarim. Os pais ficaram possessos, afinal, Jessico tivera notas tão boas que poderia ingressar em um curso mais “nobre” (aos olhos deles), mas o garoto foi irredutível. Isso foi o que começou a minar sua relação com os pais.
O segundo momento foi quando ocorreu um imprevisto, o segundo momento errado da sua vida. Havia comprado alguns brigadeiros “gourmet” ao sair da faculdade, eram caros mas pareciam bons. E realmente estavam! Mas… Por que tudo, de repente, se tornou tão engraçado? Em casa, onde normalmente era silencioso, só se ouviam as risadas do garoto, e avaliando seu estado, não demorou para que os pais, ambos médicos, determinassem que ele estava muito chapado. E não adiantou ele se explicar, pois aos olhos dos pais, “foi só entrar em um curso de humanas que começou a usar drogas”. Incrivelmente, apenas sua avó acreditou no garoto, e não se importou de abrir espaço para ele em sua casa quando os pais gentilmente “sugeriram” que ele se mudasse.
Precisou trancar o curso por alguns semestres. Os avós tinham um restaurante pequeno na Liberdade, além de venderem alguns doces típicos chineses na feirinha de final de semana, e o chinês se desdobrava para ajudá-los. Assim, aprendeu a cozinhar muito bem, além de ter mais contato com os avós e ouvir histórias deles sobre a vida na China antes de se mudarem para o Brasil. Seus filhos mais velhos haviam continuado por lá e sua mãe havia nascido no Brasil. Para seus avós, conviver com Jessico era como ter um novo filho - porém muito mais interessado no que eles tinham para dizer.
Guardava dinheiro, e depois de quatro semestres trancados, havia juntado dinheiro o bastante para visitar a China. Conseguiu passar um mês lá, na casa de seus tios em Shanghai, e foi uma experiência única! Quando voltou, estava disposto a retornar os estudos, mas de uma forma diferente. Mudou o curso para bacharelado em História, e sua intenção era continuar seus estudos independentes sobre as línguas e dialetos chineses, mas se especializar na história do Oriente ao se formar.
Acabou se mudando para um quitinete próximo da casa dos avós, na Liberdade, e ainda os visitava sempre que tinha um tempinho na semana.
Personalidade:
“De boas intenções, o inferno está cheio”. Essa é outra frase boa para definir Jesse. Suas intenções são boas, praticamente o tempo todo, mas ele às vezes acaba falando algo que não devia, ou fazendo piada em momento inapropriado. Não é por mal, não é ser “ruim”, é basicamente desastrado, e péssimo em ler o ambiente.
Mas ele é esforçado, e muito! Não se importa se precisar virar a noite estudando ou ajudando os avós, ele sabe que é o melhor a fazer no presente, e que os frutos serão colhidos no futuro. Seus avós haviam batalhado tanto para conseguir se estabilizar em um país completamente diferente, com uma língua desconhecida, por que ele, que tivera muito mais regalias, não iria se esforçar tanto quanto eles?
Além disso, tem jeito para lidar com as pessoas. Pode não ler ambientes muito bem, mas faz o que estiver ao seu alcance quando quer deixar alguém confortável com ele. Além disso, gosta de fazer as pessoas rirem e de conversar. Uma borboletinha social.
Ambições para o futuro:
A primeira coisa que Jessico quer é se formar, e fazer um mestrado sobre a História do Oriente. Ainda está decidindo o que fará no futuro, se irá dar aulas ou se trabalhará como curador em algum museu. Tem muito interesse em visitar novamente a China, mas dessa vez por um tempo maior, e quem sabe, com os avós, que sentem saudades de sua terra.
Atualmente, deixa suas possibilidades em aberto. Prefere ver o caminho no qual a vida o levará.
O que é a Liberdade para o seu personagem?
Vai além de um local. Para Jessico, a Liberdade é uma parte essencial da sua história. Foi a morada de seus avós, foi onde começou a ter interesse pela sua história, onde começou a trabalhar, onde deixou de ser apenas um garoto e se tornou um homem trabalhador. Seu caráter foi moldado nas ruas e vielas da Liberdade, nos seus templos e livrarias, nas longas conversas de final de tarde com os avós enquanto faziam biscoitos da sorte, um “agrado” que sempre entregavam aos clientes.
Temas de interesse: Angst, Crack, Fluff, Romance, Shipping, Smut.
Trigger Warning: Nenhum.
Biografia:
Seu irmão gêmeo havia sido esperado, Samuel não. Sempre que ele tentava explicar o aparente "favoritismo" dos pais, essa frase sempre vinha à mente. Eles estavam esperando apenas um filho do ventre de sua mãe. Ainda assim, os dois nasceram e, apesar de compartilharem traços físicos, possuíam personalidades muito diferentes.
Mesmo que ninguém mais além dele enxergasse, Samuel sempre pensou que seu irmão era especial e reconhecia que seu irmão tinha poder, charme e influência sobre as pessoas. Enquanto as pessoas gravitavam na direção do irmão, Samuel apelava para o que as pessoas já queriam. Ele trabalhou para agradar a todos tanto quanto podia e, em sua adolescência, aquela estratégia parecia funcionar. Ele agradou seus pais, a maioria dos professores, até mesmo algumas das pessoas mais populares da escola. Infelizmente, havia uma pessoa que ele não conseguia agradar: seu irmão.
Quando o irmão gêmeo foi aprovado na universidade e Samuel não, ele não se abalou. Talvez a hora dele apenas fosse chegar um pouco mais tarde, ele dizia a si mesmo. Mas essa hora nunca parecia chegar e, aos poucos, os comentários começaram a ser feitos no seio da família tradicional e acostumada ao sucesso. Será que Samuel poderia ser mais um caso de sucesso dos Chanthaphasouk? Ele não parecia ter qualquer tipo de habilidade especial. Talvez fosse para isso que ele servisse, afinal - para ocupar um espaço de irrelevância.
Por um momento, o irmão foi o centro das atenções, e Samuel estava bem com aquela ideia. Uma parte dele estava orgulhosa de seu irmão. Ele sabia que o outro nem sempre se sentia notado, especialmente por seus pais, então ele estava feliz que as pessoas estavam dando mais atenção a ele. Mas então, dois anos depois, Samuel finalmente foi aprovado na universidade, e as atenções da família se voltaram para ele novamente.
Personalidade:
Samuel é, acima de tudo, uma pessoa profundamente ambiciosa. Estabelece metas e as cumpre com determinação. Possui os dois pés no chão e busca sempre o lado mais realista das coisas Ele é muito determinado e não pula etapas - define muito bem as metas a serem atingidas e detesta imprevistos pelo caminho. Cronometra o tempo que têm, porque tempo é dinheiro, e odeia quando desmarcam algum compromisso em cima da hora.
É uma pessoa sensata e equilibrada. Utiliza a discrição como qualidade e é conhecido pelos amigos pelo equilíbrio com que leva a vida. Parcelar uma viagem no cartão de crédito em dezenas de vezes sem saber como irá pagar não é, nem de longe, o tipo de coisa que Samuel faria. Não dá um passo maior do que as pernas e nem toma decisões por impulso - e isso se aplica a tudo, desde assumir um relacionamento até comprar um colar novo. É muito estudioso e questionador, não aceita facilmente explicações banais e nem perde tempo com conversas que não vão levar a lugar nenhum.
Ambições para o futuro:
Sua personalidade serena pode não deixar transparecer, mas Samuel é muito ambicioso. Os comentários maldosos de sua família e a eterna comparação com o irmão não o impediram de correr atrás de seus sonhos, e foi essa persistência que fez com que ele finalmente conseguisse uma vaga no curso de Arquitetura na Universidade de São Paulo. Atualmente, ele está no terceiro ano e já procura estágios na área para iniciar sua vida profissional. O grande objetivo é montar a própria empresa, mas ele sabe que, para se tornar um grande arquiteto, precisa começar de baixo.
O que é a Liberdade para o seu personagem?
Tanto a família paterna quanto a materna de Samuel se originam de imigrantes que se estabeleceram na Liberdade ao virem para o Brasil - seus avós maternos são chineses, e os paternos, tailandeses. Samuel nasceu em São Paulo e não pensa em sair da Liberdade por considerar o bairro bem localizado, o que permite que ele ainda resida em um bairro movimentado mas ainda esteja próximo de centros comerciais e empresariais. E, claro, há o apego emocional que ele criou com o bairro, mas Samuel jamais admitiria que tomou qualquer decisão baseado em uma premissa que não seja 100% racional.
Ocupação: Atendente na DaiDai e estudante de direito.
FC: Juyeon - The Boyz
Temas de interesse: Angst, Crack, Fluff.
Trigger Warning: Abandono parental, menção à assassinato.
Biografia:
Há quem diga que nós acumulamos karmas. João Pedro nunca acreditou nisso, pois se fosse acreditar, tinha de ter sido alguma espécie de ditador e genocida em outra vida. A sua vida tinha sido um acúmulo de tragédias desde antes de nascer. Primeiro que sua mãe tinha engravidado antes de se casar. Seu pai não era mais do que um belo de um babaca que saiu para comprar cigarros e nunca mais voltou, abandonando a namorada grávida. Era o legítimo filho único de mãe solteira do ditado brasileiro. Ou não tão legítimo assim, já que seu pai nunca assumiu sua paternidade, diz sua mãe que era um estudante intercambista, vindo do Japão e que conheceu quando estava estudando na Coreia do Sul. Se é verdade ou não, fica aí o questionamento.
Sua mãe, que havia saído de São Paulo para estudar em Daegu, não tinha como se sustentar e sustentar um bebê. Pensou em adoção ou em largar a criança em um hospital e sair correndo quando ainda estava em solo coreano. O pai de João Pedro sequer lhe deu um sobrenome, coisa que sempre foi um motivo de frustração para o rapaz. Aquele espaço em branco no documento fechava portas na Coreia do Sul, era um filho de chocadeira. Crescer no Brasil até que salvou o rapaz de algum bullying, pelo menos fora da comunidade asiática conservadora.
Por falar em crescer, o bebê foi criado pela avó na Liberdade, em uma das casinhas pequenas e mais simples, um tanto longe do centro do comércio e dos turistas, enquanto sua mãe terminava os estudos em Daegu. Quando tinha sete anos, o destino sorriu para a mãe do menino, que havia conquistado um marido rico e de uma família tradicional. Sequer sabiam da existência de uma criança e isso iria ficar assim. Lee Sunhee acordou com a mãe que todo mês enviaria uma quantia para custear o filho e a avó, mas não faria muitas visitas.
João Pedro sempre contou a história que seu pai faleceu poucos meses depois de seu nascimento e que era alguém de poucas posses. Sua mãe… ele desviava o assunto. Se sentia muito mais rejeitado por ela do que pelo genitor. Mas o dinheiro era bom. Deu uma vida com menos aperto financeiro para avó e neto, que até então trabalhava em casas de família, revendia cosméticos e costurava na vizinhança para que conseguisse pagar todas as contas no final do mês.
A família era composta basicamente de duas gerações de mulheres com maridos ausentes. O avô de João Pedro era um comerciante honesto, porém antes de Sunhee ir estudar em Daegu, havia sido preso injustamente pelo assassinato de um outro comerciante. A família não tinha meios financeiros de contratar bons advogados ou conhecimento para protestar, deixaram que a justiça fosse feita, afinal quem não deve, não teme. Errado. Mesmo com provas circunstanciais, Lee Kangsoo foi condenado e preso. João Pedro cresceu sendo o menino sem pais e neto de um suposto assassino. Mas o neto nunca o conheceu, e como o pai, não lhe fazia muita diferença.
Mas apesar de tudo, cresceu feliz. Tinha uma avó que o amava profundamente e o apoiava em suas decisões, com ressalvas. Fazia o papel de pai, mãe e avó. Cobrava notas boas, acalentava durante a noite e o mimava dentro da medida do possível e que o dinheiro permitia, lhe pagou aulas de música e o criou dentro da igreja consigo. Se tornou um rapaz um pouco quieto e retraído, mas apaixonado pelas artes, tanto a música e dança, quanto a pintura.
O sol brilhou para os Lee quando João Pedro quase completava a maioridade. Um bilhete de loteria premiado ajudou um pouco a família, não era uma fortuna, mas dava para o gasto. Sua avó podia parar de trabalhar no pesado e ficar focada na máquina de costura que tanto amava. Agora o nipo-coreano não precisava contar moedinhas para comprar material de desenho e se preocupar com bolsa para faculdade — desde que o curso fosse o que a avó queria, Direito foi o escolhido —, mas mesmo assim foi atrás de alguns empregos depois de completar dezoito anos. Trabalhou em quase todo estabelecimento da Liberdade, quase sempre em caráter temporário para cobrir férias ou alguma licença maternidade, ajudou a avó na Feirinha e recentemente conseguiu a vaga de atendente na DaiDai Japan, seu paraíso pessoal das variedades e da papelaria.
Direito não é bem seu sonho, mas tem de ter alguma carreira mais tradicional, não dá para explicar para a avó que fazer arte digital não era o mesmo que vender arte na praia com as coisas que a natureza dá. Vai entender a cabeça da geração mais velha, né? Por isso João Pedro usa seu salário para pagar a faculdade de Design Gráfico no regime EaD e dá uns perdidos para frequentar as poucas aulas presenciais, economiza onde pode para comprar suprimentos de papelaria para fazer os photocards e stickers da sua lojinha virtual, especializada em fanmades de Kpop, animes e desenhos autorais.
Assim João Pedro passa seus dias: sofrendo com um curso que não gosta, trabalhando em um lugar que gosta, tentando equilibrar a ajuda que dá para a avó na salinha de costura (avisando clientes, resolvendo coisas no Zap e indo atrás de tecido) e o resto das vidas. Mas é isso, nipo-coreano-brasileiro não desiste nunca.
Personalidade:
O que falar desse pisciano? João Pedro vive no mundo da lua, é um tanto distraído e sonhador, mas consegue focar quando está desenhando e fazendo suas artes. Ou no trabalho. Sabe de cor os produtos que estão nas prateleiras e os que estão em falta até no estoque. É bem humorado e gentil com os clientes, até com os mais grosseiros. Omite para a avó algumas coisas que tem feito por baixo dos panos, afinal ela não ficaria nada feliz em saber de alguns segredos do neto que criou com tanto amor e carinho esconde uma matrícula EaD em design gráfico e que a impressora trabalha de madrugada imprimindo outras coisas além dos resumos da faculdade, e o iPad guarda mais do que páginas e páginas de leitura. João Pedro aprendeu a dividir o que tinha desde cedo, mesmo que não fosse muito, gosta de pagar lanches para os amigos no quinto dia útil e sair para dançar algumas coreografias com seu grupinho aos finais de semana, mas só no horário de almoço da Feira (onde vende seus produtinhos), afinal o sonho vem antes da diversão.
Ambições para o futuro:
João Pedro está se programando para contar a verdade para sua avó, mas primeiro espera certo sucesso na loja e nas artes, por enquanto tem algumas poucas comissions e vendas pontuais na feirinha, e falta um tempo para gerenciar a loja do Instagram. Seu objetivo a curto prazo é conseguir dormir pelo menos cinco horas e não ir trabalhar cheio de café e com olheiras. Ele está no quinto ano da faculdade de Direito, com o TCC na porta e ele só quer esse diploma e dar um jeito de dar mais alguns perdidos para não fazer a avó pagar a prova da OAB em vão. Não pensa em trabalhar em um escritório o resto da vida, e sim poder fazer o que ele gosta.
O que é a Liberdade para o seu personagem?
A Liberdade é o lar de João Pedro desde que se entende por gente. Nunca saiu muito além do bairro e da região que o cerca, já que sua avó fala que São Paulo é uma cidade perigosa e com essa cara de turista, o neto provavelmente acabaria à mercê da criminalidade. JP conhece as ruas da Liba como a palma da mão, consegue dar informações aos turistas e como já trabalhou em quase todo comércio ali, tem um bom relacionamento com os donos. Faz um menu de restaurante aqui, desenha uma logo nova ali, na faixa ou na permuta. Pensou em ir estudar fora dali, como sua mãe, mas seria mais do que ir com a avó para um ambiente novo, seria como deixar o ninho e a ideia de mudança o apavora.