𝐏𝐎𝐕 𝟎𝟎𝟏 ⸺ 𝐚 𝐜𝐨𝐥𝐡𝐞𝐢𝐭𝐚 .
sejam bem vindos ao centésimo jogos vorazes e que a sorte esteja sempre a seu favor !
sente o coração bater em seu ouvido , a pulsação correndo por entre a cerne . o cheiro do sangue ainda permeia suas narinas mesmo após se limpar de novo e de novo , flashs em vermelho domando a própria mente ao lembrar da figura de joelhos ao implorar . mortes eram comuns em distritos como aqueles . rebeldes precisavam pagar . ele só estava fazendo o que era sua obrigação . as palavras do seu pai ressoavam de novo e de novo em seu ouvido . era como um cd arranhado cujo insistiam em tocar . ellegaard estava fazendo o certo , não era ? proteger o legado da capital , proteger sua casa ... esse era o seu dever .
" adrian ? você está pronto , meu amor ? " a voz de sua mãe o trás para a realidade , fazendo com que abrisse os olhos para encara - la . mesmo após anos , emma continuava carregando uma beleza exemplar ; não parecia que carregar questões além de saber qual seria o chá do dia . era uma dama , não mais que isso . como poderia ter preocupações quando o marido cuidava de tudo para si ? o filho assente a ela , se levantando da cama ao observar as roupas impecáveis em sua cômoda — completo oposto as vestes que deixava no cesto , manchadas pelo tom escarlate . dessa vez , o homem entendia que precisaria estar impecável . havia uma quantidade consideravelmente menor de nomes em comparação aos anos anteriores . uma forma de punir aqueles que se consideravam imbatíveis ; como seu avô . sabia que mesmo ao longe , o senhor sentia - se imponente diante a tudo aquilo .
o caminho para a praça da cidade era o mesmo desde que se conhecia por gente — havia feito ele quando ainda estava na escola , uma criança sozinha por aí ; ou quando havia pinchado nas paredes no palanque as palavras ' capital terá o que merece , cedo ou tarde ' . fosse para o que fosse , estava ali novamente , de frente a tantos outros mais uma vez . diante a um momento que lhe salvaria ou mataria , como todos os últimos anos . ele fecha os olhos e respira fundo , antes de esticar o braço para que a funcionária retire uma gota de seu sangue — protocolo padrão , é claro . mas o que sente , não é uma agulha e sim a mão ríspida o puxando com força .
algo a saber sobre ser filho de wayne era que todos ali estavam acostumados com a agressividade alheia perante a prole e a ignoravam frequentemente . quantos passaram em frente a moradia enquanto os gritos eram dissipados pelos seus lábios ? quantos o ignoravam até que as punições se tornaram silenciosas pois adrian não daria o prazer a ele de vê - lo implorar ? quantos viraram o rosto e sairam enquanto o pacificador jogou o filho ao chão de um estabelecimento , os deixando sozinhos para resolverem as próprias questões ali ? muitos . mas o problema é que , antes que palavras saissem daquela boca , ellegaard sabia muito bem os pecados cometidos para estar ali . " que merda você pensa que fez ? " mas não existe medo nas feições do mais novo , muito menos arrependimento .
a mente volta aos momentos anteriores a tudo aquilo . um rebelde ajoelhado , um suplicar , um tiro na perna . " corra . " é tudo que diz , ao notar que ele foge para longe de si . " ele fugiu . foi mais rápido do que pude correr . " é o que diz ao supervisor , parecendo fraco . sujara suas roupas com sangue de animais , batera seu próprio rosto contra a madeira para que causasse um arranhão . tudo porque apresentara misericórdia e isso era impossível de existir a eles . mas seu pai saberia a verdade como sempre : criara adrian para ser o melhor . um rebelde sem treinamento não venceria ele , era incapaz . então , quando o primeiro chute veio , ele sabia que não seria o último .
" eu perguntei que merda você pensa que fez . " não tem tempo de respirar , o ar foge ao sentir o impacto e as orbes ardem . mas já estava acostumado o bastante com a dor para saber que não iria chorar ou gritar — os dois sabiam . " eu não fiz nada . " não tenta transparecer verdadeiro , o progenitor não acreditaria . conhece a cerne de adrian pois já havia ocorrido tantas outras vezes mais . piedade . algo que um pacificador nunca poderia ter , mas adrian nunca fora um pacificador . sabe disso quando o gemido de dor foge de seus lábios ao segundo chute contra seu corpo . " você é a porra de uma escória . " haveria uma época que , além de tudo , ficaria machucado pela forma que o pai se dirigia a si — passado , afinal conhece mais do pai agora do que anteriormente . ele não teria orgulho de si , não importa o que ocorresse . " ele era uma pessoa . " é a única coisa que pode deixar de escapar por seus lábios , vazio e sem ar . parece ao longe que wayne ri , mesmo diante a si . ele não hesita em dar as costas ao filho , havia deixado o recado bem dado e aparente — ambos sabiam que ali não seria o fim . " não , adrian . ele não era . ele era um rebelde . " e o deixa ali , sozinho e ao chão , com toda uma colheita ainda pela frente a seguir .
o caminho de retorno parecia eterno , a falta de ar era um reflexo das agressões passadas a tão poucos minutos . adrian sabe que o hematoma inicia seu processo de tomar sua tez , que a dor não sumiria tão fácil e logo tomaria seu corpo de outras maneiras . mesmo assim , não transparece os próprios problemas ao que o sangue é colhido de seu próprio braço . tudo está perfeito , como sempre foi . da forma que tem que ser . nem mesmo ousa mancar ao parar perto da quantidade diminuta de possíveis tributos ali presentes . ao longe , repassa o olhar por antigos vencedores . seu avô , wallace , scylla e alguns outros largados a história que estavam ali . também repassa o olhar pelos seus concorrentes . de diversas idades e biotipos , um daqueles seria o tributo masculino escolhido para representar o distrito 10 . que bela honra .
o anuncio que o sorteio iria começar não possuía tanto glamour — ninguém estava verdadeiramente animado aquilo , alguns apenas aliviados por manterem - se mais um ano longe . mas ao final era apenas mais um aviso : mantenham - se na linha . vocês não são nada . a capital sempre vencerá .
é disperso dos pensamentos quando o microfone apita aos seus ouvidos , o movimento brusco do susto o faz lembrar das palavras intrínsecas na fala do pai . as acusações , o que lhe esperaria . estava acostumado não é ? a apanhar tantas vezes que a pele se tornara firme . mas o que lhe preocupava era o vazio aos olhos de seu progenitor em matar alguém que era tão igual a si . existe um resquício de ansiedade em seu âmago ao que começa a dedilhar os dedos por entre as roupas . a representante do distrito discursava em como a capital era generosa e bondosa , como o massacre era uma benção e o que mais achasse coerente ali . se seu pai odiava a todos os rebeldes , quanto tempo levaria para decidir se livrar de si ? ou pior , quantos mais teria que matar a sangue frio , vendo - os implorar por sua vida e suas familias . quantas familias exterminaria por completo apenas por serem coerentes a liberdade ? iriam iniciar o sorteio , primeiro as meninas como sempre . mas sua mente estava em milhões sabendo que em breve , nada melhoraria — pelo contrário seria pior e pior e ...
" coral lancaster . " o cérebro para no momento que reconhece tão bem o nome quanto poderia . os olhos não param somente sobre o tributo feminino do distrito 10 , como a irmã dela que está ao longe . o peito é puxado para cima e para baixo , como se o que já estava difícil se tornasse dez vezes pior . ellegaard tenta achar algo para se apoiar , algo além da necessidade de gritar . aquilo não parecia certo , não era ou estava certo . estavam sorteando o nome masculino mas não se importava . adrian sabia que iria morrer em breve — ou se não o fizesse , seria torturado eternamente a matar quem não merecia . ele já vivia em um jogos vorazes , caçado e caçando , mas não a própria vontade . os olhos carregam desespero ao que não chamam seu nome ao palco . ficar ou ir ? não haveria diferença . é incapaz de diferir o pior dos cenários — porém , em seu pouco de decisão , entende que poderia lutar pelo seu destino nos jogos . não para ser livre , mas para poder matar poucos em troca de muitos . ele escolhia não ser aquele tipo de servo a capital , ele não mataria sem motivos por ela .
não olha para ninguém quando os lábios de abrem , não encara nenhum deles quando recita as palavras que pareciam tão irreais para sair de sua boca . " eu me voluntario a tributo . "










