[April, 1979] For no one’s better sake || Astrid & Roman
Quando aquela hora do dia chegava o alívio de Roman podia ser sentido a metros de distância. Seu emprego não era de todo ruim, a verdade é que já tinha se acostumado com o que precisava fazer, mas era impossível não se cansar de passar horas servindo bebidas e muitas vezes até mesmo entretendo os clientes que por ali passavam e abusavam do famoso bom senso. Ele entendia o apelo pela bebida e não era de seu feito julgar, mas era impossível não notar o quanto as pessoas se agarravam numa solução de problemas tão passageira.
O recinto já estava quase todo vazio, somente alguns poucos indivíduos podiam ser notados em lugares aleatórios do bar, mas conhecendo sua clientela como Roman julgava que conhecia, sabia que não demoraria muito para que todos fossem embora e ele finalmente pudesse encerrar sua obrigação como cidadão assalariado. Com todo o tempo do mundo, arrumava as cadeiras e mesas espalhadas pelo local, por vezes tendo que ser o mais delicado possível ao acordar alguém que estivesse com a cabeça apoiada na superfície de madeira de alguma mesa.
Depois de uns bons minutos nessa tarefa, Roman voltou a se por atrás do balcão, se dedicando a tarefa de limpar os copos e organizar todas as bebidas que tinham disponíveis. Ele sabia que agora era questão somente de alguns minutos para que pudesse ir embora, mas o barulho do sino na porta o fez repensar esse fato. O caminho que a mulher fez da entrada até um banco próximo ao balcão foi até rápido, mas para Roman pareceu uma eternidade, cada passo que ela dava ecoava em sua cabeça como a distância que tinha de chegar em casa. Olhou rapidamente para o relógio na parede a sua esquerda e um suspiro escapou de seus lábios. 5:45. - Good morning, ma’am. - Já resignado com o fato de que ficaria ali por mais um tempo, Roman apoiou suas mãos no balcão, pela primeira vez prestando atenção em sua cliente. - What can I get you?