Provavelmente Tiago Iorc é um dos maiores representantes de uma música popular que não seja tão industrializada, padronizada. O primeiro registro cantado unicamente em sua língua-mãe promete agradáveis colheitas e futuras produções.
Com execuções simples e uma admirável consistência, o timbre encorpado de seu violão folk é quem tem prioridade na obra. Com o instrumento o acompanhando através de toda a obra, um sutil arranjo escolta a dupla em sintonia. A decisão de um arranjo diminuto possibilita a simplicidade de um show “voz e violão”, marca registrada em suas apresentações.
Troco Likes é seu primeiro álbum completamente cantado em português. Essa escolha produz uma leve deficiência lírica em suas canções. Poetizações típicas da Nova MPB soam um tanto quanto prematuras. Por vezes, seus versos aparentam uma certa desestruturação. A canção mais interessante, em seus aspectos líricos, foi escrita por Dani Black. Apesar de alguns tropeços, o trajeto é trilhado sem maiores empecilhos. A prática garante maturidade para o amanhã e colheitas vindouras podem surgir mais rápido do que imaginamos.
A proposta do álbum é fazer uma crítica à geração intensamente conectada, incapaz de vivenciar experiências sem ter smartphones e redes sociais em mãos. Uma crítica relevante, pertinente, e que na voz de alguém como Iorc, teria o impacto necessário para abrir alguns olhos e ouvidos do outro lado do Spotify. No entanto, suas baladas românticas tomam o lugar e deixam o debate em segundo plano. Canções como Coisa Linda e Amei Te Ver servem como panos quentes para a crítica que percorre letras sutis e bem humoradas, mas que ainda permanecem contundentes, como Alexandria e Sol Que Faltava. A importante discussão em potencial torna-se descartável após seu conteúdo ser suavizado.
Em última instância, Troco Likes é um disco leve em todos seus aspectos. Fator crucial para a astronômica popularidade do cantor. No entanto, meu maior interesse não está no álbum aqui resenhado, mas no que está por vir. Composições amadurecidas e um olhar obstinado podem consagrar Tiago Iorc como um importante agente nas relações entre o mainstream e o circuito independente.
Duração: 40 minutos
Selo: Slap
Gênero: Indie, Folk, MPB
Melhores músicas: Sol Que Faltava, Mil Razões, Alexandria
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