Como era fácil escrever sobre aquilo que doía, como era fácil dizer o que o meu coração não entendia. Mas vezes olho pra dentro de mim e estranhamente me reconheço, foi necessário eu me ver cai, foi desnecessário eu sofrer em exagero. E sabe quando estou aqui pensando em mim mesma, fico mergulhada em clichês que eu sempre disse que não existiriam e de repente vejo que a metade da vida que já vivi estava cheia deles. Me arrepende do que fiz, me arrependi do que não fiz, perdoei quem eu achei que não iria perdoa, condenei quem não deveria condenar, mas me arrepende. Me descobri igual as outras pessoas, me descobri humana, deixei de ser o personagem que eu mesma criei, ando escrevendo menos, ando vivendo mais, não que escrever seja perda de tempo, mas talvez eu usava isso pra não viver. Quantas moças eu já fui? Fui eu mesma, fui a irônica, fui um caos, fui a imperfeita, fui a senhorita, fui meu rascunho, fui eu de varias formas, fui eu, fui eu, eu agora sei que eu sou tudo isso. Eu sou aquela moça, essa garota, a menina, a mulher. Eu sou a minha fé, sou metade minha mãe, metade meu pai, sou o que as minhas escolhas me fizeram ser. Finalmente e pela primeira vez, de varias outras primeira vez, eu não vou por um ponto final onde apenas merece um ponto paragrafo.