Fixing a dead woman || Clarissa, Finn e Jenn
Clarissa nadava entre a inconsciência e a consciência. A inconsciência era minimamente agradável. Ela era submersa em memórias antigas, turvas e incompletas, da época em que sua mãe ainda estava viva. Porém ela não podia ficar daquela forma por muito tempo, ou acabaria se afogando. Quando conseguia alcançar a superfície, aí sim, com toda certeza, não era agradável. O barulho todo da batalha lhe dava pontadas na cabeça, toda a correria na floresta, entre explosões e árvores voadoras lhe causava náuseas de uma forma que não acontecia desde antes da guerra e tudo estava rápido demais para ser processado.
Ela sentia a própria vida se esvaindo por aquele buraco sangrento em seu peito, que, por sinal, doía como nunca. Tinha pelo menos quatro costelas quebradas que, a qualquer momento, poderiam perfurar outros órgãos de seu corpo, já que a pessoa que a carregava não tomava o mínimo cuidado. Ela fechou os olhos. Não precisava ver aquele borrão.
Porém, quando inspirou fundo para não vomitar, sentiu o cheiro da colônia de barba que Finn usava. Ela quase riu com a ironia. De todas as pessoas, quem havia vindo lhe ajudar tinha sido ninguém mais ninguém menos que Finn Worder. Aquela corrida ensandecida finalmente parou quando ele a botou em algo de pedra e ela abriu os olhos suficientemente para vê-lo saindo da casa.
“Ótimo”, pensou ela. “Fui deixada para sangrar até a morte na casa de Finn Worder. Não poderia ter sido numa ilha deserta?” Após isso, afundou novamente no mar de lembranças.















