Eu já nem sei se já não é tarde demais || Liraz & Sieghart
Liraz bufou, virando-se de costas para seu interlocutor, e começou a andar em direção à cozinha. Se queria tanto continuar com aquela conversa, que a seguisse, e não ficasse fazendo insinuações e rosnando em seu ouvido em meio a toda nobreza. Quem ele pensava que era para falar algo em relação ao que ela sentia? Justamente ela, que nunca antes havia sentido algo... Liraz engoliu em seco, parando por um instante no meio de um pequenino corredor iluminado pelas lamparinas frágeis. Se era a primeira vez que sentia algo, como exatamente poderia saber que estava sentindo do jeito certo? Ela franziu o cenho enquanto mordia o interior da bochecha, mas logo voltou a andar, seu vestido curto roçando-lhe os joelhos. Não devia haver uma forma errada de sentir alguma coisa. Sim, não devia.
Com os passos apressados e aquelas sapatilhas rendadas fazendo-na sentir que andava descalço, rapidamente Liraz chegou à um pequeno quarto perto da cozinha, onde guardavam alguns suprimentos. A menina puxou a fita branca que lhe prendia os fios loiros, deixando-os cair em suas costas como cascatas, reconfortada com o peso que tinham. Não precisaria voltar para cantar nada pelo resto da noite, portanto tinha total direito de desmanchar aquele penteado. Apoiou as mãos em uma bancada, respirando pausadamente enquanto sentia seu coração pesar no peito, e esperou que Sieghart chegasse para voltar seus olhos azuis para o menino, cruzando os braços defronte o corpo esquelético - Pronto. Agora que estamos aqui, pode muito bem continuar me ofendendo. Onde havia parado, senhor Ewbolt? Se me lembro bem, na parte em que me chamava de louca. - ao contrário da maior parte das vezes, aquelas grandes safiras não eram doces e delicadas. Liraz tinha jóias frias e inquebráveis adornando-lhe a face iluminada pelas luzes que vinham das pequenas janelas próximas ao teto.








