We Live For The Applause || Kajttek & Eillela
@lionhe4rt
Andar de um lado para o outro após um dia exaustivo era um passatempo agradável para o comandante Arkauss. Em especial quando um daqueles sorrisos temia despontar do lado esquerdo de seus lábios, arrancando-lhe o brilho dos olhos. Enquanto os pés faziam questão de ocupar qualquer espaço que encontravam no tapete macio, o homem se recordava do jantar na mansão Kasnier, feito poucos dias atrás. Fora de todo uma noite agradável e muito bem aproveitada, com momentos marcantes. O sorriso que teimava em aparecer em seu rosto deu o ar da graça, fazendo com que suas bochechas se erguessem, mesmo sem ninguém para ver aquela felicidade. Eillela. Cada dia sua futura rainha o surpreendia mais, e ele não podia deixar de ficar encantado com suas atitudes intempestivas, mas ainda sim maravilhosas. Acusar o rei de suas atrocidades defronte toda a corte... aquilo era muito melhor do que qualquer bom vinho.
O menino parou de rodopiar pela saleta onde se enfurnara desde a volta para o palácio semidestruído, contornado por papiros enormes, tinteiros, mapas e tudo mais o que um guerreiro podia pensar. Suas luvas já estavam sujas no dedo mínimo por conta da tinta que receberam após horas escrevendo e desenhando detalhados planos de ataque e defesa. Começando pelo dedo médio, Kajttek puxou com delicadeza o acessório de seda até que suas mãos estivessem desnudas, e passou a colocar os anéis que guardava em sua gaveta acolchoada um a um nos dedos enegrecidos, sempre com um sorriso no rosto, embora a atenção fosse digna de algo minucioso. Assim que colocou o vigésimo sétimo anel e viu suas mãos devidamente cobertas de ouro e pedras preciosas, dignou-se a sair do aposento com a cabeça erguida, fechando a porta com todas as trancas assim que se retirou.
O caminho até o quarto da sobrinha não era longo, mas fora suficiente para que o couro de seus sapatos começasse a machucá-lo e o obrigasse a caminhar com mais lentidão, de forma a amaciar seus passos. Aquele pequeno empecilho não foi ruim, no final das contas, pois, devido aos pés suaves, mal podia ser ouvido do lado de dentro dos quartos, portanto sua entrada triunfal no aposento bem decorado de Eillela foi ainda mais esplendorosa. Kajttek adentrou o local com um enorme sorriso no rosto, dispensando batidas e anúncios, seus olhos brilhando tanto quanto o sol que começava a cair do lado de fora daquelas ruínas. Sequer se importou com o que a moça fazia ao chegar daquela forma - Minha querida dama. - começou ele, em alto e bom som, aproximando-se da maior janela e ali se demorando por breves instantes, apenas para observar as árvores do lado de fora antes que retornasse sua atenção para a sobrinha, o sol contra sua figura formando sombras que lhe contornavam a face - Vim lhe parabenizar por sua maravilhosa atuação em uma das noites passadas.
Começou o príncipe, apoiado no batente de madeira. Sua cabeça estava milimetricamente curvada para a esquerda, e a mão do mesmo lado fazia floreios brilhantes ao encara a menina. Cada gesto do rapaz parecia ser perfeitamente programado enquanto procurava enxergar a alma de sua interlocutora com os intrigantes olhos esmeralda. Ela parecia ter saído de uma pintura. - Brindemos, então! Às almas que foram levadas, às vidas das crianças precocemente tiradas e arrancadas dos colos de suas mães, ao sangue inocente que pinta as pedras de nossas calçadas. - recitou ele com calorosa recepção, fechando a mão erguida em um punho firme assim que acabou. Algumas lágrimas até mesmo formaram-se na linha d’água. Seu peito encheu-se de ar e júbilo quando acabou de voltar as palavras daquela noite, sentindo o amargo sabor de sangue que também preenchera a boca da futura monarca dias atrás. Ele lambeu os lábios secos, extasiado - Brilhante. - sussurrou ele da forma mais prazerosa possível, juntando as mãos em palmas que tilintavam, aproximando-se da menina, embora ainda mantivesse uma distância segura - Você foi simplesmente brilhante. E como não tive a oportunidade no dado momento, vim até aqui hoje aplaudi-la de pé, como merece.
















