Bissexualidade.
Me criei numa família evangélica, com todos os preconceitos. Aos doze anos beijei uma guria pela primeira vez. Aos quatorze quando já estava ficando um pouco mais esperta, comecei a perceber que existia algo de diferente em mim. Eu não sentia atração apenas por guris, mas também por gurias. Aos 16 anos resolvi ir fundo e me assumir, mas sempre foi complicado. Aceitação, família. Todas essas questões. Antes de me aceitar e reconhecer o que eu realmente era foi bastante difícil. Me olhar no espelho e aceitar que gostar de ambos os sexos era normal foi difícil. Sofri bastante. Enfim, resolvi tentar e comecei a ficar com uma guria da minha escola. Tava sendo bem legal até que minha mãe descobriu. Foi o inferno. Minha mãe me xingou, chorou e a culpa era minha. Meu pai nunca teve nenhum envolvimento na minha vida, mas minha mãe resolveu ligar e contar a grande triste novidade. As palavras do meu pai foram: filha, independente de tu namorar guri ou guria, eu sempre vou te amar, mas isso é coisa do diabo querendo te afastar de deus. Obs: meu pai é um grande fanático religioso. Nessa época minha mãe ficou dias sem falar comigo, e o marido dela veio conversar sobre essa tal de bissexualidade. Disse que as pessoas se drogavam para serem lgbt. Achei um absurdo escutar aquilo, mas resolvi ficar quieta pois qualquer coisa que eu dissesse poderia ser usada contra mim. Eu tava numa situação tão desconfortável, tava tão infeliz e me culpando por tudo aquilo. E é claro, eu rompi com a minha namorada, não podia continuar. Depois de um tempo comecei a namorar um guri e as coisas melhoraram um pouco, mas depois fui expulsa de casa por talvez minha mãe não saber lidar com a minha orientação sexual. Minha relação com esse cara foi um tanto conturbada. Ele pedia para que eu aceitasse faz um ou vários menages por eu ser mulher e bissexual. Depois de um tempo me separei e logo em seguida comecei a me relacionar com uma guria. Eu já tinha 19 anos, e mesmo assim foi escondido da minha mãe. O relacionamento não deu certo e eu segui em frente. E só pra constar, aos 18 anos eu me vi livre do preconceito e me aceitei. Hoje eu tenho 20 anos, namoro um cara muito legal que me respeita. Me tornei uma pessoa mais feliz e leve depois da aceitação









