GRC 4YO | 20 de Novembro de 2k17
Estar na rua todo mundo pode, a rua é livre... pode até, inclusive, dizer “sou a rua”... A questão é: ser a rua de verdade demanda tempo, muito tempo… Gostaríamos de reverenciar a cultura hip hop, a comunidade do skate, o xarpi, o funk, os sneakerheads, o streetwear, os que vieram antes de nós, reparem por favor, que vieram antes de nós, por nos aceitarem na rua! Máximo respeito aos que vieram depois e estão na luta para encontrar seu caminho sincero. Estar na pauta da Runners World, GQ Brasil, Harper’s Bazaar e Boa forma; por o maior número de pessoas correndo juntas, juntas de verdade, na rua, fora provas tradicionais, que a cidade do Rio de Janeiro e São Paulo já viu; ter o respeito de verdadeiros arquitetos da cultura de rua, ajudar a mostrar que o Graffiti vive, empregar pessoas e tantos outros feitos, é surreal, é incrível, uma jornada e tanto.
Indiscutivelmente o maior feito até aqui é ter a certeza que o nosso corre conecta pessoas nos tornando uma contracultura que se estabelece como transformadores urbanos, um coletivo entusiasta e sólido. Desconstruímos e construímos todo dia, um trampo anônimo e contínuo, como uma Crew, uma Gang deve ser; o momento midiático é apenas uma onda acidental, o que vai ficar é o Respeito e a Transformação. Um corre puxado por gerações futuras, confirmando nossa meta incansável de sermos um ponto futuro. Uma criança de nove anos e uma grávida de seis meses , as duas nunca foram chamadas pra se juntar a nós, vieram, se associaram e carregam a força de ser mulher periférica, negra, nordestina, que vão mudar o mundo porque o Ghetto Run Crew mostrou que elas podem ir além. Apresentações inesquecíveis de Mr Break, 3 pretos, Ingrid, Totonete e Kalil. Se não conhecem nenhum desses artistas, caro artista, você deveria estudar mais. Um ambiente com uma centena de pessoas, todas se respeitando. O que deveria ser corriqueiro e não é: uma menina achou um celular, iPhone 7, no banheiro e prontamente levou para que nos achássemos a dona. As críticas, os olhares tortos, são tão aconchegantes como um fã pedindo autógrafo pro Natã, são combustíveis para nos manter com os pés no chão, pois ninguém é tão bom pra agradar todo mundo e nem tão pequeno a ponto de ter que se curvar para alguém. Parabéns a todos que fazem esse bonde ser indigesto, incompreendido e impossível! Ano que vem é noix!
Texto por Junior Cruz e Ginjah Revisão: Tati Bainha Fotos: Matheus Rodrigues
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