I need to found her. || Let x Gulliver x Tom
Para Letícia, nada mais fazia sentido. Não como se algum dia tivesse feito, mas agora… Bem, agora só piorou. Há alguns dias, com a permissão de Quíron, voltara ao lar de adoção que tinha vivido antes de encontrar o Acampamento Meio-Sangue. Ao chegar no lugar, um arrepio na nuca a fez lembrar de como odiava aquele lugar e de como não mudara em nada. Tomando o resto de sua coragem, entrou no orfanato e foi diretamente para o lugar aonde estava a maioria dos papeis de adoção e registros de crianças que eram abandonadas ali. O corredor a cada instante parecia aumentar mais, até que achara a sala que quase passara despercebida. Entrando sem bater na porta, logo recebeu um olhar reprovativo de uma senhora que estava sentada atrás de uma mesa com um livro em mãos. Mordendo o lábio inferior, foi lentamente até a cadeira e se sentou, sem tirar os olhos da mulher, que fazia o mesmo.
— Eu preciso de ajuda com alguns papéis. — Falou, após alguns instantes em silêncio. A senhora continuou a olhando firmemente com uma cara nada amigável. Maria Lúcia. Esse era o nome impresso em um crachá na blusa da mesma.
— Vai querer doar sua criança também? — Batendo com força na própria cabeça, bufou com raiva. Nunca faria isso, e era um absurdo ter que ouvir aquilo.
— Não, nunca faria tal monstruosidade com uma criança. — Disse por fim. — Eu queria, por favor, ver alguns arquivos em meu nome, de quando fui jogada nesse fim de mundo. — Falou batendo o pé para tentar acalmar-se um pouco. Maria parecia estar se divertindo e ao mesmo tempo odiando a situação. Quando abriu a boca para poder perguntar o nome da mesma, a resposta foi dada quase de imediato. — Letícia Firewalk. — Respondeu friamente. Quanto mais cedo saísse daquele lugar, melhor. O papel que a senhora tinha em mãos foi amassado enquanto a mesma olhava a garota a sua frente. Levantando a sobrancelha, Letícia se mexeu desconfortável na cadeira. “O que raios esta acontecendo aqui?” Se perguntou quando a mulher levantou rapidamente da cadeira e saiu a procura talvez do documento que a semideusa havia pedido. Depois de alguns minutos de espera, Sra. Maria chegou trazendo alguns papeis. A mesma tremia quando os entregou a ela.
— Anh… A senhora esta… — Antes que pudesse terminar, ela se viu sendo puxada para fora do orfanato como se tivesse sido pega em uma invasão ao local. Quando já estava para fora do portão, a senhora a parou, olhando firmemente para a garota enquanto segurava os braços dela com força.
— Você nunca mais vai vir aqui, nem com esses papéis, entendido? — Assentindo rapidamente com a cabeça, a mulher continuou. — Ele vai ficar furioso se descobrir que você veio aqui. E quando achar o que precisa, de um fim neles, Jade, é para seu próprio bem. Agora vá, rápido! — Desconfiada e impressionada, a semideusa saiu andando rapidamente daquele lugar.
O Acampamento não estava tão longe assim, mas quanto mais rápido chegasse, melhor. Não parou um segundo sequer até passar pelo dragão dorminhoco da Colina meio-sangue. Sua mente trabalhava a mil e, depois de entrar em seu chalé, deixou os papéis jogados em um canto por uma semana. Depois disso, em uma noite após todos os seus irmãos dormirem, abriu um por um e, cuidadosamente, leu todos com um cuidado extremo. No dia seguinte,comentara o que havia lido com Lizzie, Gulliver e Thomas. E mesmo que não tivesse obtido grandes resultados, pelo menos desabafar com os três já a fazia se sentir muito melhor.
Neste exato momento, ela estava na beira do lago, batendo distraidamente os pés na água. Tinha conversado com algumas das dríades que viviam por ali, e estavam insistindo em fazer um ninho de passarinho enfeitado, ou seja, uma coroa de flores na cabeça dela. Por mais que dissesse que não, era difícil discutir com ninfas, principalmente quando elas queriam alguma coisa. E agora ela estava com uma daquelas coisas esquisitas cheias de flores na cabeça. Olhando seu reflexo imaginou como seria a mãe, se ela havia puxado alguma coisa de sua aparencia ou personalidade. Foi quando teve uma decisão. Iria sim atrás da mãe dela. E não importava o que tivesse lá, pelo menos olhar para a mesma já bastava. Era isso. Iria imediatamente, querendo Quíron ou não.
Levantando, foi em direção a área dos chalés. Queria partir esta noite, se possível. Mas o diretor do acampamento arrancaria a cabeça dela se descobrisse que fora sozinha. Talvez o namorado pudesse ajudar e Gulliver… Bem, seu irmão com certeza iria. Ao acaso, passou pelo ruivo e, o pegando pelo braço, saiu o arrastando até o chalé de Hades, onde entrou sem bater. As crias do deus do Mundo Inferior já estavam acostumados com a presença da filha de Hefesto ali, tanto que não havia nenhum no chalé. Bufando, pos as mãos na cintura e disse em voz alta, como se estivesse brincando de esconde-esconde com uma criança.
— Thomas Brook, aonde você esta? Precisamos conversar urgentemente.










