Sempre tive relações das quais no final eu saía ilesa, era sempre eu que dizia " eu não sinto mais nada " enquanto a pessoa que compunha a outra parte da relação só se machucava. Sempre me culpei muito por isso. A ultima coisa que eu queria no mundo era entristecer alguém que um dia eu quis fazer feliz, mas eu preciso ser sincera e portanto direta. Quando não se sente mais o que costumava sentir, não há por que continuar. Não que todos pensassem do mesmo jeito do que eu, tanto que perdi alguns bons amigos numa dessas. O que acontecia era que, eu me envolvia com a pessoa, virávamos bons amigos, e quando nos encontrávamos se o clima rolasse: pronto. E não tinha coisa melhor, por que num amigo, você confia. Com um amigo, você é puramente você. O único real problema, é que devido as minhas decepções amorosas das quais tomei no cu todas as vezes, todas envolvendo compromisso ou uma relação séria, eu não me apegava mais a ninguém. E por um momento isso era tudo que eu mais queria: não me apegar. Com o passar das experiências, todas com amigos, e todas as vezes eu pondo um fim, percebi que depois de ficar um certo tempo com a pessoa, pouquíssimo tempo para ser realista, eu já não via mais sentido em continuar fazendo aquilo. Era um amor Eros. Uma vontade, um desejo momentâneo, que acaba. Fiz isso por um bom tempo, talvez eu o faça até hoje, talvez. Entretanto numa dessas, com um amigo, perdeu a graça, não tinha mais sentido. Perdemos contato. Só final. Toquei minha vida, não fiquei feliz com o afastamento, mesmo assim, relevei. Passaram uns tempos e a amizade voltou, com direito a saber que ambas as partes; minha e dele; estavam felizes em reativar a comunicação. Eu não esperava nada dele, aliás, os últimos momentos que tínhamos passado juntos envolviam apostas, o que era um tanto quanto deplorável. Resolvemos nos rever, e nisso eu acabei de surpreendendo: não perdeu a graça. Não tinha perdido o sentido. Eu ainda via razão plausível em ligar pra ele num sábado a noite e convidar para entrar. E assim continuamos. Não que tenha sido, ou esteja sendo a melhor experiência, não mesmo. Ambos erramos. Discutimos por coisas que realmente não importam pra no final, ao olhar um nos olhos do outro, esquecer o motivo de tantas espetadas. Talvez dessa vez, eu como sempre diga que meu sentimento está esgotado. Mas acho muito mais provável, que ele o faça. E não que eu me importe com isso, não mesmo. Já que nem me preocupo em não ter um nome para isso, e referente a isso nada mais justo, oras! Nenhum de nós sabe o que quer um do outro, não sabemos o que vai ser, o que sentir, o que dizer. Mas nós definitivamente sabemos o que estamos fazendo: vivendo. E pra mim faz todo sentido viver assim. Por que eu não deixo de viver minha vida, e muito menos ele. Por que enfim, se vai junto, vai bem.