Continuando a retrospectiva de 2018, uma memória de encher os olhos de lágrimas: na última vez que o visitei, Zé Bezerra me pegou de surpresa dizendo que esculpiu todas essas peças para mim. Eu nunca vi um conjunto tão grande dele - nós dois choramos. Como se esse carinho não fosse suficiente, ainda as guardou durante semanas dentro do próprio quarto para que ninguém mexesse até que eu chegasse, movendo sua própria cama de lugar para acomodar tudo. Obrigado sempre, meu amigo! Não se lembra quem é o Zé Bezerra? Dá só uma olhada no que escrevi sobre ele: Zé Bezerra mora em uma casa revestida de barro e decorada de pedras, localizada em um lugar mágico: o Vale do Catimbau (PE). Sua arte é considerada por muitos quase-rupestre, o que justifica muita coisa: além de serem encontradas pinturas da mesma espécie pela região, as grandes montanhas de pedras carregam nomes de animais - aí fica fácil de entender o imaginário do artista. Ele anda pela mata na divisa do agreste com o sertão pernambucano em busca de troncos caídos. Vê um pedaço de madeira e exclama: “Tá vendo aqui um urutau?” e, se você quiser, a resposta é sim (mas só se entender, de fato, seus índices e precedentes). Depois chega a hora da zabumba e a festa tá feita. Compõe livremente estrofes animadas e narra a história de sua vida, não hesitando em dizer “sou feliz”. Hoje em dia, sua arte alcançou o exterior e é celebrado por muitos colecionadores. Não há uma vez sequer que eu saia daqui já com a vontade de voltar. #novosparanos #zebezerra #artepopular #artepopularbrasileira #valedocatimbau #pernambuco #brasil (em Vale do Catimbau) https://www.instagram.com/p/Br-B66lH1tI/?utm_source=ig_tumblr_share&igshid=1e5lk5036y3g9