Me perguntaram uma vez como parava de doer, eu disse que sorrir ajudava, a dor não para, a dor diminui, talvez.
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Me perguntaram uma vez como parava de doer, eu disse que sorrir ajudava, a dor não para, a dor diminui, talvez.
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3- CONHECENDO MELHOR
Assim que me animei, desci as escadas para ir pra sala esperar a Pamela. Desci, Sentei no sofá e fiquei lá. Logo em seguida a Pamela aparece, com uma cara de preocupada.
-O que houve?
-Não sei onde estão as chaves do carro
Ela tinha esquecido que tinha deixado a chave na cozinha!
-Pam?
-Oi?
-Cozinha!
-O que tem a cozinha?... ... ... Ah! Ta! É mesmo. Bem lembrado, deixei as chaves na cozinha.
Eu fiquei rindo enquanto ela foi buscar as chaves. Só a Pamela mesmo pra esquecer tudo! Então ela aparece e com as chaves na mão. E me chama para entrar no carro, ela foi à frente para ir entrando logo, assim ela saia em seguida com o carro e eu fechava a garagem. Depois que eu fechei a garagem ela abriu a porta de trás e entrei. Coloquei os fones novamente e fui escutando várias músicas, nem percebi se tinha demorado ou não para chegar lá, aliás, eu escutando música entro em um mundo só meu. Quando chegamos lá a Pamela me chamou, dizendo que nós já tínhamos chegado e que era pra eu voltar pra ‘Terra’. Assim que sai do carro avistei logo a Lily. Ela estava sentada lendo um livro, sempre lendo um livro! Ela me viu depois. A Ana veio abrir a porta pra nós entrarmos.
-Entrem Por favor, fiquem a vontade. – Disse a Ana que parecia feliz com a nossa visita
-Obrigado. – Disse a Pamela que também parecia estar feliz
Todo mundo feliz, por um lado era legal, mas, eu me sentia uma garota arrogante sem um sorriso no rosto, mas eu não estou tão bem como nos outros dias, após lembrar daquilo tudo. Mas vou tentar sorrir, meus pais não gostariam de me ver triste assim. A Lily veio e me deu um abraço. A Pamela se assustou por que eu impressionantemente não gosto muito de abraços. Eu sou mesmo idiota á esse ponto. Ela se surpreendeu por que eu deixei a Lily me abraçar, mas a Lily já podia se considerar minha amiga, só pelo fato de eu ter deixado. Assim que ela terminou de me abraçar a Pamela sorriu pra mim. Elas mandaram nós subirmos porque estava muito frio e lá em cima tem uma lareira. Eu adoro lareira e a nossa casa também tem uma lareira na sala.
Fomos para a sala, lá começamos a conversar, a Ana perguntou coisas sobre mim, a Lily também, perguntei sobre a Lily e etc. Nós fomos nos conhecendo, uma fazendo perguntas ás outras. Até descontraiu um pouco. Depois de um tempo nós já sabíamos bastantes coisas umas das outras. Mais tarde a Ana foi preparar o jantar, a Pamela foi atrás, ela iria ajudar. Perguntei o que elas iriam fazer, mas a Ana disse que era surpresa. Tudo bem. A Lily me chamou pra ir pro quarto dela e irmos logo ligando o vídeo game e até escolher logo o jogo enquanto o Dylan não chegava. Eu havia até me esquecido que esse Dylan viria também.
A campainha toca. Ela diz que acha que foi ele que chegou, ela ia descer pra abrir, mas a Ana disse que abriria. Como será esse Dylan? Só espero que ele não seja um metido e chato, mas como a Lily havia descrevido ele, pelo menos chato ele não é. Do quarto ouvi a voz da Ana falando com uma pessoa, acho que é ele. A Lily disse pra eu esperar lá que ela ia ver se foi mesmo o Dylan que tinha chegado. Enquanto isso vou ficar aqui, a Lily tem bastante jogos! Tem de vários tipos também. Mas prefiro que ela escolha o jogo, eu não sabia jogar nenhum deles mesmo. Fui olhar a janela do quarto dela que tem uma vista linda, por que como acho que eu não havia dito antes, ela mora em um apartamento. É o décimo andar, e apesar de ser apartamento, era bem grande. Parecia uma casa mesmo por dentro. Da janela podia se enxergar o quarteirão todo. Muitas luzes, muitos carros... Deu-me até saudades de Londres, lá é perfeitamente lindo, será que foi uma boa ideia ter me mudado para cá? Mas aqui também é muito lindo, só que Londres lembra meus pais acho que... Não! Esquece! Foi bom mesmo eu ter me mudado para cá, se eu já fico triste me lembrando deles com meras coisas, imaginem se eu ainda estivesse morando lá, no lugar que eles também moravam, na casa onde eles comigo viviam... Ia ser muito ruim. Eu apenas queria me concentrar em como está linda essa noite. De repente aparece a Lily e o tal Dylan. Ela não havia contado que eu estava lá, ele se assusto, na verdade ele ficou meio que surpreso. Sua reação foi tipo: “Quem é ela?”.
Ele ficou me olhando... E aquilo me incomodou um pouco, nenhum menino tinha olhado pra mim daquela maneira, ele parecia meio desconfiado. A Lily depois disse que eu era a nova amiga dela, e que eu havia me mudado á pouco tempo. E apresentou-me pra ele depois.
- Dylan, essa é a Blair, minha nova amiga, quer dizer... Minha amiga, por que eu só tenho ela de amiga. – Disse rindo
-Prazer! – Disse sorrindo.
Que por acaso tem um sorriso muito bonito
-O prazer é meu – Eu disse sorrindo feito idiota
A Lily disse que ia pegar chocolate quente pra nós, por que estava muito frio. Mas eu quase gritei para implorar para ela não nos deixar sozinhos, eu não me dou bem conversando com alguém, acho que as paredes são mais interessantes, tanto como uma garota ou um garoto eu fico sem assunto. E tenho uma leve impressão de que ela fez isso de propósito. Mas eu nem poderia fazer nada, o menino iria achar estranho eu dizer pra ela não deixar a gente só.
-Então... Nova aqui não é?
Ele logo conseguiu um assunto, pelo menos ele deve ser bom em achar assunto.
-É... Mudei-me faz uns dias, mais ou menos uma semana.
-Já se matriculou em alguma escola?
-Sim, assim que cheguei aqui a Pamela me matriculou em uma.
-Pamela?
-Ela é minha madrinha. Ela está com a Ana ajudando ela com o jantar.
-Você se mudou com mais quem?
-Só eu e ela
-E seus pais?
-Eles morreram em um acidente de avião, estavam indo em uma viajem á trabalho. Mas o avião caiu. Faz três meses.
-Ah! Desculpa! Eu não deveria ter tocado nesse assunto.
-Imagina! Não precisa se desculpar, aliás, você não teria como saber.
-Meus pêsames.
-Tudo bem.
Então ele me abraça, eu me espantei me deu vontade de empurrar ele, como deve lembrar eu não gosto de abraços, e eu havia acabado de conhecê-lo, mas, apesar de tudo isso, assim que ele me abraçou eu me senti segura, como se ele fosse meu amigo, como se eu conhecesse ele á muito tempo. Como se ele me conhecesse também, eu não entendia. Eu me senti segura com ele, apesar de no começo eu querer empurrá-lo agora eu queria que ele não me soltasse mais, eu podia sentir o perfume dele, eu podia ouvir o coração dele batendo, ele era alguém especial naquele momento, eu sentia como se eu tivesse que protegê-lo. E apesar de eu não entender, eu também deixei ele me abraçar e parecia que ele me entendia. Assim que ele me soltou ele abaixou a cabeça como se estivesse chorando.
-Tudo bem? – Perguntei preocupada
-Sim. Na verdade Não! – Ainda com a cabeça baixa
-Como assim?
-É que meus pais também morreram. Eu moro com a minha tia Natalia e o meu primo Felipe.
Eu me surpreendi naquela hora, eu não conseguia entender que tinha alguém que sentia a mesma coisa que eu.
-Meus pêsames também... Faz quanto tempo?
-Está fazendo cinco meses e uma semana hoje. Mas dói como se fosse ontem. Eu era muito apegado á eles
-Eu também era muito apegada aos meus pais, eles eram meus únicos amigos. Eles e a Pamela. Na verdade eu tinha alguns amigos, mais eu sentia como se eles não estavam ali para serem meus amigos de verdade, e eu não os tratava como um.
-Às vezes as pessoas se dizem suas amigas, mas quando é pra entender você elas não entendem... Pelo contrário... Dizem até que você está exagerando...
-É isso mesmo!
-Mas na verdade esses que se dizem seus amigos, vão brigar com você até se arranjar novos amigos, talvez até amigos de verdade. Aliás, as pessoas querem ver você bem, mas nunca melhores que elas.
-Parece que você lê meus pensamentos!
-Tive a mesma impressão! Mas... Como era o nome dos seus pais?
-Micheli e Eric... O casal mais lindo que eu já vi. E os seus?
-Bruna e Dylan. Eu também os achava o casal mais lindo.
Ele era como eu, então ele realmente me entendia.
-Já sei por que se chama Dylan!
-Pois é. Mas eu ainda não sei por que se chama Blair. – Ele sorri
-Meus pais adoravam estrelas, eles sabiam os nomes de todas elas. Quando descobriram que minha mãe estava grávida resolveram botar o nome de uma estrela, mas nunca concordavam com os nomes. Então foram procuram nomes que significassem Estrela. Mas nenhum chamava atenção deles... Então eles descobriram o nome Blair que significa ‘A que brilha’ não significa estrela, mas estrela brilha, e esse nome significa isso. Os dois adoraram o nome e hoje me chamo assim.
-Que legal! -E, mas eu não brilho!
-Quem disse isso?
-Ninguém...
-Então por que acha isso?
-Não é obvio?
-O que é obvio é que você é linda e especial, e entende as pessoas, e as trata como elas merecem...
-E como você sabe essas coisas? Conheceu-me agora
-Vi nos seus olhos
Eu dou um sorriso e olho pra baixo, ele realmente me deixou sem graça...
-(risos) Mas, então... A Lily foi buscar o chocolate quente em Marte? – Disse ele sorrindo
-(risos) Só pode ser!
Então por coincidência a Lily entra no quarto com uma bandeja e três copos nela com chocolate quente. Eu fui ajuda-la, parecia pesado. Então peguei o um copo e o Dylan pegou o outro e ela pegou o ultimo.
-Desculpa a demora gente, é que eu fui ao mercado comprar um ingrediente que a minha mãe mandou e acabei esquecendo que eu fui á cozinha para pegar isso!
-Tudo bem! Só acho que você não deve ficar muito perto da Pam se não esse seu esquecimento piora!
(Rimos juntos)
Então finalmente ela foi colocar o jogo no vídeo game, que por acaso eu havia esquecido isso... Acho que o esquecimento da Pam pega!
Ela escolheu um jogo de zumbis, deu muito medo jogando. Eu adorei jogar, logo depois de umas duas horas jogando, (sim! 2 horas! O jogo é realmente viciante) a Pam nós chama para avisar que o jantar estava pronto, eu já estava com fome e acho que a Lily e o Dylan também. Deixamos o jogo na pausa porque ele é bem longo e nós não íamos conseguir passar todas as fazes em apenas um dia, mas a gente já estava na fase 3... Não sou vidente, mas estou prevendo que terminaremos esse jogo século que vem!
Depois pegamos os copos que nós tínhamos tomado o chocolate quente e levamos pra cozinha, quando chegamos à cozinha a mesa já estava posta e estava tudo muito lindo... A Lily disse a mesma coisa...
-Que mesa linda!
-Da vontade de comer tudo que tem nela! – Disse o Dylan
-Se me deixarem eu posso comer tudo, não tem problemas! – Falei
(Riram)
Logo depois a Ana nos pediu para sentarmos logo para comer, ela colocou a comida nos pratos e foi pegar algo para bebermos.
Enquanto comíamos, a Lily começou a rir de repente, nós não estávamos entendendo nada, mas então ela começou a rir mais alto e a risada dela contagiou o Dylan que começou a rir também, e a Ana mesmo sem entender nada estava rindo com eles e depois a Pamela, eu ainda não entendia o porquê deles estarem rindo, e eles não paravam! Depois de horas eles foram parando aos poucos, apenas eu não ri, quando eles haviam parado de rir, eu perguntei:
-Do que vocês estavam rindo? – Falei com cara de quem não entendeu nada
-É que essa casa raramente fica em silêncio e agora que ficou deu vontade de rir! Não sei por que, mas eu senti uma enorme vontade de rir ao “ouvir” o silêncio. – Disse a Lily
-Ah! Por isso! Se for assim até eu dou risadas! – Falei rindo
-Mas por que vocês estavam rindo? – Perguntou a Lily
-Quem? – Disse o Dylan
-Vocês! Eu comecei a rir, e vocês riram também!
-É que sua risada contagiou! – Disse a Ana
Então eu senti a mesma vontade da Lily e do nada comecei a rir também
-O que foi Blair? – Perguntou a Pamela
-(rindo) Eu não sei!
Todos olharam pra mim, e quando vi todos riram ao mesmo tempo. Acho que esse foi o almoço mais engraçado de todos, mesmo sem motivo! Rimos muito, e toda vez que nós parávamos de rir, um olhava pro outro e começava tudo de novo. Realmente esse dia foi muito divertido...
Não adianta dizer que as pessoas mudaram... Foi apenas você que não evoluiu
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2- LEMBRANDO
No outro dia a Pamela não me acordou cedo, até achei estranho, acho que ela ainda estava dormindo. Fui ao quarto dela e ela não estava lá. Procurei-a na casa toda e não achei, fui ao banheiro, ela também não estava lá, a chamei, e ela não respondeu... Estranho! Onde é que a Pamela foi? Fui tomar café e encontrei um cartãozinho no balcão da cozinha:
“Blair, eu recebi uma ligação importante de uma pessoa que conseguiria um emprego para mim em um hospital aqui perto, mais tive que ir lá cedo pra levar meu currículo, não avisei você logo de manhã porque eu não queria te acordar, eu fiz seu café, está tudo pronto. Acho que assim que você ver esse bilhete, provavelmente já vou estar chegando ai. Caso eu demore, não se preocupe, eu ligo para a Ana e ela busca você para almoçar com ela. Pamela”
Que legal! Ela com certeza vai conseguir o emprego. Vou tomar café, depois vou tentar arrumar algumas coisinhas só para melhorar. Não posso esquecer que hoje eu vou à casa da Lily, se a Pamela demorar eu vou mais cedo.
Então meu telefone toca:
-Alô?
-Oi, Com quem falo?
-Blair Donovan, o que deseja?
-Ah! É com você mesmo que eu queria falar!
-Sobre?
-O colégio
-O Simple Ramona?
-Sim, aqui é a diretora da escola, Flávia Martins, liguei para você para a confirmação!
-De que?
-Como você deve saber essa escola é muito procurada, e são muitas inscrições. Algumas pessoas fazem a inscrição consegue se matricular mais não veem estudar, por causa de alguns imprevistos e entre outros. Você é uma das alunas que conseguiram a matrícula, mais é preciso da confirmação, você vai realmente estudar aqui?
-Sim!
-Ok! Para a confirmação ser concluída você deverá vir até a escola e vir trazer seu histórico, tudo bem?
-Sim, Quando?
-Já que as aulas começaram semana que vem você deverá vir confirmar essa semana, as confirmações encerraram sexta-feira, pode vir entre 15h e 20h.
-Tudo bem! É preciso levar responsável?
-Se possível, sim.
-Ok, um Bom Dia a você!
-Desejo o mesmo.
*desliga
Nossa! Pra quê tanta coisa? Essa escola deve ser bem popular, imagino. Quantos alunos será que vão estudar lá? Como deve ser essa escola? Será que eu vou me adaptar lá? Arr! Muitas perguntas. Bom... Tenho três dias até o termino das confirmações, já que hoje é terça-feira. Oh My God! E cinco dias até as aulas começarem...
Fui tomar café, porque depois disso ainda não tinha nem começado e eu estava com muita fome (risos).
Então eu ouço um barulho no quarto lá em cima, fui ver quem era eu imaginava que poderia ser apenas um bichinho, ou um rato. Fui subindo as escadas bem lentamente, para me prevenir procurei algo com que pudesse me defender, então desci as escadas e fui para a cozinha pegar uma faca, depois eu subi de novo, por que apesar de poder ser apenas um bichinho qualquer tinha muitas chances de ser um ladrão tentando roubar a casa, já que a casa é bem grande e eu estou sozinha aqui! O nervosismo toma conta de mim, e eu fico sem saber o que fazer, mais continuo, por que pelo menos tenho um objeto que serve pra matar, ou pra cozinhar! Mas tanto faz.
Cheguei lá no andar de cima, e fui olhar o meu quarto. Olhei o quarto todo, atrás da porta, no banheiro, mais não tinha ninguém. Fui ao quarto da Pamela, olhei tudo e não tinha ninguém também. Olhei o terceiro quarto e não tinha ninguém também, até perdi o medo, pensei que não fosse ninguém mesmo. Então fui olhar o ultimo quarto, e ouço outro barulho, tomei um susto na hora, acho que algo caiu, a janela da parede de trás estava aberta, então acho que foi isso! O vento deve ter batido muito forte e algo caiu. E eu me preocupando a toa!
Então eu desço a escada mais tranquila, e ai eu ouço barulho de carro. PAMELA! Ela deve ter chegado! E ela vem cantando!
-(cantando uma música que deve ter inventado agora)
-Ih! Vem cantando, já sei que coisa boa vem ai!
-Adivinha!
-?
-Ganhei o emprego! Disseram que eu tenho um ótimo currículo e vou poder começar o trabalho semana que vem!
-AH! Que bom! – Eu disse sorrindo
-Fui recomendada pela Ana, sabe? A minha amiga...
-Sei, sei!
-Pois então. Ela trabalha lá também! E me recomendou e vou trabalhar nesse mesmo hospital como pediatra! – Disse muito feliz
-Oba! Fico feliz por você Pam!
-Começo a trabalhar no mesmo dia que você começa a estudar!
-Af! Nem lembra isso!
-(Risos)... Mas, por que está com essa faca na mão?
-Ah! Isso é uma longa história!
-Mentira, é uma história curta, você só está com preguiça de contar!
-Isso mesmo! Na verdade eu peguei isso aqui por que eu pensei que tivesse um ladrão lá em cima, eu ouvi barulhos, mas era apenas a janela que estava aberta e como está ventando muito o vento acabou derrubando algo!
-Até o vento tem mais força que você!
-Não debocha!
-(Risos)
Eu fui guardar a faca, e lembro que com tudo isso ainda nem tomei café. Nossa! Mas até perdi o apetite com isso. Fui pra sala para assistir televisão, não estava passando nada de interessante, e eu acabei lembrando que deixei o meu netbook ontem na cômoda e nem usei ainda, coitadinho! Vou usar ele. Eu fui até o meu quarto, chegando lá vejo o meu netbook lá em cima, liguei, e fui pra internet, mais não pegou. O que será de mim agora sem internet? Mas olhei pro netbook e percebi que estava sem o modem, então lembrei que eu o deixei com a Pam. Fui lá e pedi pra ela meu modem, e ela foi procurar.
Depois que ela me devolveu o modem eu fui correndo até o quarto e pronto! Momento emocionante. Modem e Netbook. História de amor melhor que qualquer outra! Depois resulta na internet, que e igual á eu feliz. Entrei na internet e finalmente pegou! Fui direto para a minha rede social falar com os meus amigos, mais nenhum estava online. Depois dizem que quem some é a gente! Ah! Não importa. Aliás, tenho que esquecer eles, é vida nova agora. Apenas procurei um site de músicas e fiquei escutando, e então peguei um livro que era da minha mãe. Ela amava esse livro, chama-se A Montanha Escura, é sobre romance, ela amava tudo que envolvesse romance, aliás, a história de como meu pai a pediu em namoro é linda, ele pediu ela em namoro de uma forma muito romântica, vou contar. Foi assim: Ele pediu para os amigos dele e as amigas dela se reunirem e combinarem com ela uma ida até o parque, e na volta passariam no shopping, ela aceitou, estava linda naquele dia contava a Pamela já que elas eram amigas, minha mãe é apenas um ano mais velha que a Pamela, e entre as amigas da minha mãe estava a Pam, como eu contava, ela estava linda naquele dia, mais ela nem imaginava que o meu pai a pediria em namoro naquele dia. Eles se divertiam lá no parque enquanto meu pai arrumava a surpresa pra ela no shopping, ele combinou com muita gente de lá. Quando terminou levaram a minha mãe pro shopping, e quando chegou lá, a loja da entrada que tinha vários televisores, apareciam as palavras em uma sequencia perfeita:
“Quer namorar comigo, Micheli?”
Assim que completaram as letras todas, surgiu o Eric lá atrás, meu pai, ela morrendo de vergonha, apenas conseguia sorrir. E ele chegou bem perto dela, segurando nas mãos dela, e olhando apenas para os seus olhos, falou uma mensagem, não sei qual era a mensagem porque os únicos que se lembravam desta mensagem eram meus pais. Mas, chega dessas lembranças, apesar de me dar um sorriso, me faz chorar por dentro, já que eles se foram.
Passei bom tempo lendo aquele livro. Quando eu termino de ler, eu leio novamente.
Eu adoro ler ouvindo música, por que um livro abre sua mente e sua imaginação, e a música faz você sentir tudo.
Lembro também das músicas que minha mãe cantava pra eu dormir quando eu era criança. Algumas ela inventava, ela tinha um talento especial pra isso, ela inventava músicas, histórias e até receitas. Ela tinha um livro de ‘Receitas Rascunhos’ Que era uns tipos de receitas que ela inventava e se não desse certo ela tentava de novo, até conseguir. Ela também sempre foi assim, persistia nas coisas até ela alcançar o que ela queria. Uma das frases que ela inventava também tinha isso: “Sempre persista nas coisas, até alcançar seus objetivos, e se não der certo, continue persistindo, a perfeição depende dos olhos de cada um”. E claro... Não posso esquecer o meu pai. Ele era outro especialista nessas coisas de frases, livros, e ele sabia tocar vários instrumentos, ele prometeu pra mim que quando eu fosse maior ele compraria um instrumento pra mim e me ensinaria a tocar, disse isso quando eu tinha uns dez anos. Esse ‘quando você crescer’ acho que seria agora. Mais isso se tornou impossível, já deve até entender o porquê.
Mas voltando ao assunto...
Se bem que eu me lembrando disso, nem percebi que estava até chorando. Às vezes as lagrimas não suportam ficar nos olhos escondidas por muito tempo.
Mas, daqui a pouco a Pam me chama pra ir almoçar. Mais tarde eu vou pra casa da Lily, estou bem empolgada com isso!
-Blair, vem almoçar!
-Oh! Não falei?
-O que foi?
-Eu disse aqui que você já ia me chamar pra almoçar.
-Falou com quem?
-As paredes, aliás, elas têm ouvidos né.
-Pode ser.
Desliguei meu netbook e guardei o livro. Desci as escadas limpando as lágrimas para Pamela não perceber que eu estava chorando, e me lembrando de tudo isso. Parece que o destino gosta de brincar com seus sentimentos, ele testa você o tempo todo pra saber se você é forte o suficiente pra tudo. Mas eu não sou. Só ainda estou em pé por causa da Pamela, sem ela, acho que eu já teria tirado minha própria vida. Mas isso não vem ao caso agora.
Fui até a cozinha e sentei em uma cadeira perto de um balcão que tem lá. A Pamela percebeu que eu estava triste, mais não falou, ela sabe que eu não sou o tipo de pessoa que gosta de dizer o que sente. Ela disse que o fogão já havia chegado e hoje ela tinha feito a comida, ela tinha feito algo especial. Mas eu nem reparei o que era.
Dessa vez, a gente não conversou, eu ás vezes fico estranha de uma forma que nem eu consigo entender o que se passa comigo, mas eu tinha que me alegrar, aliás, eu não iria cancelar a ida até a casa da Lily. Talvez eu precise fazer o contrário, agora mesmo que eu teria que sair, só pra esfriar minha cabeça, e esquecer um pouco disso por um tempo, mas apenas por um tempo, por que por mais que eu tentasse, eu não iria esquecer essas coisas de uma vez.
Subi para o meu quarto, deitei na cama e fiquei olhando para o teto, durante horas, tentando esquecer isso tudo. Mas parece que eu me lembrava mais. Meus pais me deixaram muito cedo. Então eu vou tomar um banho, e fico lá em baixo do chuveiro por um tempo, tentando fazer com que as lembranças fossem com a água. Depois a Pam bate na porta pra dizer que depois já vamos ir. Eu desligo o chuveiro e saio, percebi que já eram 19h. Eu fiquei um bom tempo no chuveiro. Vou procurar uma roupa. Calça jeans, Uma blusa branca normal, e outra quadriculada preta e branca por cima, All Star e pronto!
Só falta eu me animar um pouquinho. Peguei meu celular, fones de ouvido, e coloquei a minha música preferida... Agora sim! Animou um pouco... To pronta pra ir.
[...]
-Pois é. Mas eu ainda não sei por que se chama Blair. – Ele sorri
-Meus pais adoravam estrelas, eles sabiam os nomes de todas elas. Quando descobriram que minha mãe estava grávida resolveram botar o nome de uma estrela, mas nunca concordavam com os nomes. Então foram procuram nomes que significassem Estrela. Mas nenhum chamava atenção deles... Então eles descobriram o nome Blair que significa ‘A que brilha’ não significa estrela, mas estrela brilha, e esse nome significa isso. Os dois adoraram o nome e hoje me chamo assim.
-Que legal!
-É, mas eu não brilho!
-Quem disse isso?
-Ninguém...
-Então por que acha isso?
-Não é obvio?
-O que é obvio é que você é linda e especial, e entende as pessoas, e as trata como elas merecem...
-E como você sabe essas coisas? Conheceu-me agora
-Vi nos seus olhos
A vida é tão interessante que acho que vou cometer suicídio. E não, não volto.
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Apesar de me dar um sorriso, me faz chorar por dentro.
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