Ô mundinho! Quem é que decide como as coisas acontecem por aqui? Eu achei que eu decidisse por mim, mas já perdi o controle há muito tempo. Não sei ao certo quando, mas, se é que já tive algum dia, acho que deixei ele escapar. Ouvi dizer que a vida é feita de escolhas, mas talvez tenham se esquecido de ensinar como é que a gente sabe o que escolher. É difícil demais, viu? A gente sempre acha que sabe muito bem o que é melhor, mas às vezes vê tudo que acreditava ser certo desmoronar bem diante dos nossos olhos. E eu te pergunto: por quê? Pra que essa crueldade, hein, mundinho? Nunca fui de te desafiar, sempre guardei pra mim todos os questionamentos sobre o que estava errado, sempre tentei consertar tudo por conta própria. Mas é impossível não pensar: porque é que a gente tem que sofrer tanto pra aprender o que é certo ou errado? E porque é que nosso conceito dessas duas palavrinhas tão simples muda tanto o tempo todo? Ah, mundinho, sabe o que é? Eu queria que as coisas fossem mais fáceis. Queria que fossem mais simples. É complicado demais ter que seguir os dias tomando cuidado pra ver aonde pisar, qual caminho seguir, e quem escolher pra levar junto. Eu não quero mais brincar, mundinho! Eu cansei. Eu esgotei todas as minhas forças. Eu lutei com todas as minhas armas e defesas pra tentar aguentar todas as dificuldades que me foram impostas. Eu levantei de todos os tropeços, eu segurei todas as barras. Mas minhas energias não são capazes de se recarregar mais uma vez. Eu preciso ir embora. Eu cansei dessa viagem. Na verdade, vou te contar um segredo: eu nem queria ter vindo. Fico feliz de ter te conhecido, mundinho. Acho que vivemos boas aventuras e criamos ótimas histórias. Mas acho também que chegou a hora de partir. Cuida bem de todo mundo por mim, tá, mundinho? Não seja tão cruel com eles como foi comigo. Adeus, mundinho, prometo que vou te olhar lá de cima.















