Em torno de 12 mil anos atrás, com a revolução neolítica, surgiu a agricultura, a possibilidade de acúmulo de grãos, o início das especializações de papéis sociais, as primeiras cidades, entre outros desdobramentos de grande impacto. Desde então, o acúmulo de poder social masculino vem atravessando os séculos, num ciclo vicioso de opressão. O que fazer como sociedade para quebrar esse ciclo?
Hoje, nós sabemos que não há diferenças fisiológicas estatisticamente relevantes entre um cérebro feminino e um masculino. Essa descoberta recente vem apenas corroborar que aptidões intelectuais humanas são independentes de gênero. Essa noção pode ser empiricamente constatada por quem quer que conviva com uma mulher educada num país desenvolvido, no século XXI. Além disso, fica reforçada a tese segundo a qual a aparente inferioridade cognitiva de mulheres em certas populações, especialmente em séculos passados, não passa de uma consequência nefasta do condicionamento opressor dispensado a elas.
Nós achávamos que cultura, com todas as suas nuances e facetas, não podia ser mudada de uma geração para outra. Estávamos enganados. Uma única geração, entre redes sociais, Google e computadores de bolso, transformou radicalmente o nosso comportamento. Munidos da consciência e das ferramentas que temos hoje, inércia cultural não pode ser uma desculpa para não agir.
É preciso abraçar a era da prosperidade que a tecnologia nos promete e, com ela, incluir em nossos cuidados todas as formas de inteligência que encontrarmos em nossa expansão Universo afora. Especialmente se esse invólucro de consciência for nada menos que metade da nossa própria espécie.