semana passada acordei com a boca azeda.
tento sempre distinguir que o sentimento de que algo vai acontecer vem da ansiedade ou da mediunidade, mas não sei responder.
tive um gatilho, não quis falar sobre.
desmarquei a terapia e sai às oito da noite do trabalho, pedalei bem devagar pelas ruas.
tive que trabalhar de máscara pra esconder a cara feia.
em casa as doses foram dobradas.
tive outro gatilho, e ninguém pra ouvir.
tá todo mundo muito ocupado com suas próprias merdas e alegrias.
e eu tinha desmarcado a terapeuta.
dormi chorando sem perceber.
passei dias só comendo doce.
é engraçado como as coisas funcionam.
antes eu podia chorar alto no meu apartamento minúsculo. e agora preciso enfiar o rosto nos travesseiros pra que os soluços não ecoem pela casa.
se você me perguntar a razão, não vou saber te responder.
comecei a limpar e esfregar as coisas.
fui ver filmes, debater teorias e dormir fora.
enquanto todos dormiam, no mesmo cômodo pensei em como dormir pra sempre.
me enfiei num banho e estimulei o sensorial.
tem essa coisa que eu perdi ha muito tempo atrás.
todo ano dou uma chance pra substituir essa coisa sem nome.
eu só preciso voltar pra casa.