@void-leon
sade começara a achar que não apreciava as manhãs o suficiente. nos últimos dias, seu padrão de sono estivera completamente bagunçado, ocasionando que durante aquele tempo do dia que usualmente passava recarregando suas energias, se encontrasse desperta. por conta do costume, talvez houvesse se esquecido de como o período matutino era um de tranquilidade, de forma bem distinta da calmaria ilusória das madrugadas desertas. afinal, os pássaros cantavam até mesmo em localizações tão lúgubres quando os arredores do hydra ou o corredor vermelho. e havia algo de reconfortante sobre isso.
sentada em uma banqueta de concreto qualquer, a mulher ocupava-se em amolar sua faca de caça favorita, a que sempre carregava consigo aonde quer que estivesse indo. havia algum tempo que estava ali em completa solitude e silêncio, se não acompanhada pelos distantes sons da cidade despertando ao centro. até que os sons de passos gradualmente mais altos perturbaram sua paz, e não houvera outra reação se não buscar imediatamente pelo responsável, sendo capaz de identificar uma figura masculina não muito longe dali. primeiro pensara que poderia ser um possível perdido, não ciente de que não haviam muitos negócios a se fazer com os pythons em tão tenro horário do dia. mas bastou um olhar mais preciso para que fosse capaz de identificar a tatuagem em seu antebraço, indicativo de afiliação à uma gangue a qual já era bastante familiar. contudo, o rosto lhe era completamente desconhecido. somado a sua crescente proximidade dos becos que levavam ao corredor vermelho, e ao fato de que seus membros como um todo não deveriam estar tão dispostos a receber representantes de gangues rivais no dado momento, decidira que, em prol de evitar conflitos desnecessários (e em parte, de sua própria curiosidade) o melhor a fazer era interceptá-lo. ❝ ——— quem é você? o que faz aqui?” sua abordagem é tão sorrateira quanto o de uma verdadeira serpente. não exclama pra chamar sua atenção, pois mesmo que aparentem estar sozinhos, aquela parte de yongsan nunca é segura o suficiente para confiar em não ser escutada. com a mão esquerda ainda fechada em punho ao redor de sua camisa, modo nada impessoal que utilizara para atrair a atenção alheia, prossegue, a voz um oitavo mais baixa. ❝ ——— a não ser que esteja procurando por problemas, eu sugiro que não tente entrar tão fundo em nosso distrito. não há nada para você aí.”











