[Suddenly feels around the bed to search for the other’s hand / body when they’re sleeping] aaron
era estranho estar na mesma cama que aaron. os dois tinham suas recaídas e ficavam mesmo após o término, mas se dormiam juntos depois era apenas uma consequência de toda energia gasta durante o sexo. mas apenas deitar ao lado do policial e esperar pelo sono era completamente novo estranho, o que não significava ser ruim. ajay apenas não sabia como se comportar, não sabia o que pensar ou o que sentir. principalmente quando o rosto tranquilo e adormecido do janosh estava ali, tão próximo de si. aaron trabalhava muito, tinha um trabalho pesado e qualquer um que o conhecesse sabia o quão exausto o homem ficava após cada longo dia então não era de se admirar que o sono batesse tão rápido. não consigo dormir, foi o que o hills disse assim que o ex abriu a porta e, apesar de ter ido com alguma intenção de se cansar até conseguir dormir o mais novo não conseguiu levar seu pensamento adiante. principalmente quando aaron o convidou para dormir consigo tão rápido e sem malícia. ajay sentia que o homem se preocupava consigo e isso sempre aquecia seu peito, mas ter tantos pensamentos ali eram motivo para sua insônia aumentar. já tinha pensamentos demais que o impediram de dormir anteriormente, e juntando aos novos que envolviam aaron o barman acreditava que passaria dias sem dormir.
eles eram diferentes, o que nunca foi um segredo, mas aquela diferença parecia ser positiva. pelo menos para ajay era assim. aaron extraía o melhor do hills com sua preocupação e modo de falar. ajay não conseguia entender como o janosh o aguentava, mas estava muito longe de reclamar. queria tê-lo por perto. ele parecia ser uma das poucas pessoas que acreditavam em um futuro onde seria responsável e um bom pai para valentina. saber que aaron acreditava em si era realmente muito bom e ajay mal conseguia controlar os sorrisos, principalmente por saber que o outro não veria aquilo já que dormia profundamente. de repente sentiu como se aquela proximidade não fosse suficiente, como se estivesse com frio e aaron fosse a maior fonte de calor do quarto, o que não deixava de ser verdade. olhando cada traço do mais velho, hipnotizado pela beleza dele e pelos sentimentos que o janosh o trazia, o mais novo mal notou quando começou a mover seu corpo para se aproximar mais do outro, parando quando notou que o braço de aaron estava o impedindo. com cuidado pegou este mesmo braço, colocando por cima de seu corpo como se estivesse sendo abraçado pelo ex namorado, aproximando-se mais até encostar a ponta do nariz no dele, mexendo para roça-los levemente. abriu um sorriso um pouco maior, segurando então a outra mão de aaron para entrelaçar os dedos nos dele e enfim sentir a paz que tanto precisava e queria.
eram muitas preocupações. achava que nunca seria bom o suficiente para ninguém, que estava tão destruído que ninguém seria capaz ou teria vontade de parar para ajudar a pegar os pedaços e remonta-lo. achava que pelo caminho que ia, valentina acabaria do mesmo jeito já que ele era o exemplo que a filha tinha. se um simples momento com natalie desencadeou um vício e uma vida medíocre para ajay, temia o que uma vida com o pai causaria em valentina. sabia que sua vida era horrível e que ele tinha de tudo para ser bem sucedido e uma boa pessoa, mas preferiu agir como um adolescente revoltado sem causa e agora estava pagando pelos pecados que cometera no passado. sequer conseguia ficar com as pessoas que amava, já que estas sabiam que ele jamais iria melhorar. as pessoas desistiam dele. sua própria mãe começou com aquele ciclo. mas aaron parecia ser uma exceção. mesmo que tivessem terminado, ele ainda demonstrava preocupação, ainda o buscava na delegacia e nos bares quando estava bêbado demais para voltar pra casa sozinho. o recebia em casa quando ajay dizia que não conseguia dormir ou quando estava entediado. ouvia seus problemas e lhe dava conselhos melhores do que os que diziam para ele se entupir com mais alcool e drogas. aaron era uma exceção. a verdade era que ajay e aaron eram como ponto e vírgula. se não soubesse como usa-los o resultado sempre seria terrível, mas quando bem utilizados se tornava algo completamente belo.
‹ boa noite, aaron… › sussurrou o mais baixo possível para não correr o risco de acordar o maior. entregou-se enfim ao mundo dos sonhos, tão tranquilo quanto poderia e sem se lembrar de nenhum problema. ao menos por hora.