“— Então você vai sim à piscina ou observa muito ela, huh? Pra saber do itinerário.” Alex estreitou os olhos como se estivesse desconfiada do homem, não que fosse importante, mas manteve a encenação. “— …de qualquer forma, com ou sem alguém, não é algo que eu goste muito. Prefiro passar o tempo sem concentração de cloro envolvido.” Franziu o nariz numa careta rápida, só pensava na hidratação do cabelo. “— Imagina o meu desespero em ter uma em casa agora.” Não era sociável a ponto de saber o que fazer numa interação com estranhos, mas estava melhorando ao longo da terapia. Contudo, ainda tinha os ombros tensos mesmo que estivesse em meio a uma brincadeira. Arriscando, voltou a erguer a sobrancelha num tom de desafio. “— O que te faz pensar que eu recusaria alguém feio?” Enrolou um pouco mais ainda sem saber se levava o ‘convite’ do homem a sério ou não, mexendo as mãos pra desviar a cabeça da estranheza que sentia com gente nova e acabou dando uma risada discreta, tentando relaxar e mostrar que brincava. “— É só que- hm- tecnicamente já estamos na piscina, não é melhor outro lugar?” Sugeriu incerta. Não sabia nem se devia por causa de Greg, mas por mais que o outro fosse atraente não achava que estava sugerindo nada demais. Ou estava? Não devia nem estar pensando, devia preparar-se pra contornar caso ele dissesse que o convite era mentira.
“— Você se molhou e se meteu aqui do nada, eu sinto uma uma dívida da minha parte.” confessou “— Quer mesmo saber? Eu sou bem metódica calculando custo benefício porque eu trabalho com isso… Alexandra, agora que eu percebi que não tinha me apresentado, é, Alexandra.” Ofereceu a mão pro homem se apresentando formalmente, como se precisasse disso. “— Eu acho que já te vi com a Charlotte, mas nunca fomos apresentados.” Pelo menos de sua boa memória podia gabar-se. “— Tudo bem.” Não é como se fosse uma visão ruim, mas não emendou isso ao abanar o ar. Voltou a sua postura mais séria de sempre ao encarar o chão e a bagunça. Só queria que fosse o dia da faxineira, cansada antes mesmo de começar. “— Sinceramente, mediante isso aqui, acho que até vale os quatrocentos mesmo.” Soltou um suspiro e partiu pra pegar pano de chão meio incerta de onde guardava, sabia pouquíssimo da própria casa. “— Eu acho que tem… Meu Deus onde guardaram essas coisas.” Falou sozinha ao abrir uns armários sem encontrar os produtos pro chão. Será que se ela ignorasse a bagunça secava?
estava começando a torcer pra mulher não estar o interpretando mal, mas parando pra analisar tudo o que havia dito anteriormente era até compreensível toda aquela desconfiança dela. ‹ eu juro que não fico vigiando ninguém. calma lá! › defendeu-se ao que erguia as mãos se rendendo, negando com a cabeça. ‹ é só que eu não tenho pra onde ir na maioria das folgas então acabo descendo até lá pra passar o tempo. e é meio solitário. › não sabia se a loira estava mentindo ou não sobre os motivos para não ir até a piscina, mas não iria julga-la em nenhum dos casos. apenas riu da resposta, dando de ombros. ‹ estamos em nova york. é difícil encontrar água que não tenha cloro. › por um breve momento sentiu falta do canadá, mas não iria se prender em memórias que acabariam o levando para lugares tristes. ‹ o problema não é a feiura então? ok, sou eu. ouch. › fingiu estar ofendido, chegando a desviar o olhar, mas riu antes que a mulher levasse aquilo a sério e achasse que havia dito algo errado. porém se surpreendeu com a sugestão, parando de se mover por alguns segundos e apenas olhando para alex incerto se era sério ou não. certo, poderia ser apenas um convite amigável, o que não era ruim. ‹ bem, outro lugar parece ótimo. estou aberto a sugestões, mas conheço um restaurante italiano muito bom. › tentou soar o mais neutro possível, nem indo muito para o lado da amizade nem querendo parecer abusado e sem tato já que não queria assusta-la.
‹ foi de propósito, esqueceu?! não se preocupa com essas coisas. › brincou, querendo tranquiliza-la. realmente não estava se importando em ter se molhado no processo, mas entendia que muitos poderiam ver aquilo como um grande problema. ‹ oh, então você trabalha com essas coisas? parece interessante. e muito útil caso algum trombadinha queira te cobrar duzentos dólares pra apertar um cano. onde já se viu, hm? › memorizou o nome da mulher, dando graças à sua boa memória pelo menos uma vez na vida. em outras ocasiões parecia uma praga, mas naqueles casos era bastante útil. ‹ ah, então você conhece a minha esposa. › disse ao ouvir o nome de charlotte, querendo ver qual seria a reação de alex quanto aquilo. ficou em silêncio, mas depois de um tempo riu. ‹ é só brincadeira. eu trabalho pra ela. guarda-costas... e melhor amigo. já te vi pelo prédio também, mas nunca teve uma ocasião pra nos apresentarmos. é uma pena que teve que ser essa ocasião. › olhou ao redor, mas sem falar num tom que a culpasse. sabia que ela não tinha culpa de nada. esperou pelos produtos e utensílios que os ajudaria a arrumar tudo aquilo, rindo quando ouviu a pergunta retórica da loira. ‹ aquele armário ali não é de produtos de limpeza não? › apontou para a porta ao lado da porta da entrada, tentando ajuda-la.