Sirius era conhecido por suas amizades com os marotos, mas não eram muitos que sabiam da que cultivara com o guarda-caça do castelo. Acontecera em algum momento de seu terceiro ano, quando começara suas aulas de Trato das Criaturas Mágicas, após o Professor Silvanus notar seu entusiasmo (e talento) pelo assunto, e o recomendar a Hagrid como um confiável ajudante para as criaturas que contrabandeava para dentro do território escolar. Era como o Clube do Slughorn, exceto que mais ilegal. Graças a ambos, tivera a honra de conhecer diversas criaturas e, até mesmo, fazer amizade com alguns dos centauros que residiam pela floresta — e, com os anos, a confiança deles em si aumentara o suficiente para o deixarem como babá de alguns de seus pets quando saíam para averiguar alguma aparição de criatura pelas redondezas ou coisa parecida.
Naquela tarde, Hagrid deixara um pufoso sob seus cuidados. Aparentemente o bichinho aparecera nas masmorras com alguns ferimentos — os quais o guarda-caça suspeitava terem sido feitos por algum aluno maldoso — e o gigante decidira cuidar dele até Silvanus encontrar alguém para adotá-lo. Normalmente apreciava a confiança que tinham em si, mas a bola de pelos estava testando seus limites. A bagunça na cabana não era proporcional ao tamanho da criatura. Panelas, livros, objetos não identificáveis e outros pertences estavam espalhados pelo chão enquanto uma das almofadas se dissipara numa bolota de espuma. Tomara a liberdade de nomeá-lo de Feinho em reflexo de seu péssimo comportamento. A pelagem amarelo mostarda estava imunda, e tentara, sem sucesso, dar-lhe uma penteada mas o pente quebrara na primeira passada com um nó cabuloso. Canino, o filhotinho de cachorro, apenas encarava Sirius com olhos pidões sempre que ele passava perto da geladeira onde Hagrid guardava as carnes, mantendo distância da criatura sempre que essa tentava amigá-lo.
No minuto que distraíra-se nas notas de Hagrid sobre os cuidados, tentando decifrar o quê os garranchos significavam, Feinho escapuliu por um buraco na vidraça acima duma das estantes. Foram os latidos de Canino que o alertaram. Correu o mais rápido que pôde, se jogando sobre a coisinha e a agarrando com força no meio dos braços. Acabaram ambos a rolar pela grama. Conseguia sentir o queixo e partes de seus braços ardendo onde ralara. Olhou para o lado, dando de cara com @lilysnotaflower parada ali. “Lily Jean.” Sorriu largamente, fechando os braços sobre o pufoso, tentando escondê-lo, ainda que os pelos escapulissem por entre os braços. “Você vem sempre aqui?”