Vizinhos, Capítulo 46.
Lua POV: Aquele era um quarto para dois, e eu não me sentia nem uma. Me sentei no chão desda hora que abri a porta e fiquei por muitos minutos ali, pensando. Não tinha mais lágrimas para chorar, queria ligar pra minha mãe mas ela me magoaria mais do que eu suportaria estar magoada. Levantei me apoiando na janela, a noite caía e o por do sol tentava acalentar meu peito destroçado, aquele silencio estava me pondo no colo. Abaixei o rosto e vi o carro dele no mesmo lugar, quase não acreditei, desci para manda-lo ir embora, mas ele estava dormindo. Seu rosto na janela e os óculos escuros caindo da cabeça, bati na janela, mas no meio da fala troquei o contexto, meu coração não conseguiria manda-lo embora. - Arthur!!! - Falei mais alto e ele levantou no susto me olhando. - O que você está fazendo? - Perguntei e ele abriu a porta. - Te esperando pra ir embora comigo. -Ele respondeu e eu fechei a porta do carro, ele me olhava sério. - Sobe, eu não quero ir para lugar nenhum agora. -Falei enquanto andava sem certificar que ele vinha atrás. (...) Arthur POV: Ela estava contida e muito triste, mas olhava nos meus olhos, assim que abriu a porta do quarto eu entrei entrelaçando nossas mãos e a abraçando contra a porta, ela retribuiu apoiando seu rosto no meu ombro. - Eu te amo. - Sussurrei a apertando contra meu corpo, ela continuou em silencio. Em seguida me soltou. - Eu não posso. - Andou pelo quarto se sentando na ponta da cama, dessa vez ela me encarou enquanto falava. - Não posso te amar Arthur, porque eu não te conheço, não conheço ninguém. - Engoli seco e andei até ela me sentando ao seu lado. Respirei fundo sabendo que aquele não era o momento, mas ali eu senti vontade de dividir com ela minha dor. - Lu você lembra que eu não queria que você se apaixonasse por mim? Que eu tanto tentei te impedir, fugi disso.. -Ela me encarou, segurei sua mão. - Eu vou dividir isso com você porque eu preciso que você saiba que essa tempestade vai passar, que a vida vai te abrir postar pra sair disso, mas você precisa querer sair. Quando eu aceitei você na minha vida e me permitir te amar eu saí por uma dessas portas que a vida me abriu. - Eu não estou entendendo, tem mais? O que eu não sei? -Seus olhos começaram a marejar. - Não é sobre você é sobre mim. A pessoa que mais me amou na vida, morreu por mim. Essa pessoa é a minha mãe, é por isso que eu nunca falo dela, me faz lembra porque ela não está aqui. -Abaixei o rosto mas prosseguir sem olhar para ela. - Meu pai por ciúme de mim com ela, matou ela e depois se matou. Eu tinha três anos e meio e lembro do barulho e dos gritos dela por mim. Meu pai deixou uma carta dizendo que o amor dela por mim era maior que por ele e por isso ela estava morrendo. -Engoli o choro e toda a minha dor, a olhando, seu rosto molhado de lágrimas me fizeram chorar também, ela me abraçou forte por longos minutos. Ela segurou minhas mãos. - Obrigada por dividir comigo isso. -Ela sussurrou beijando meu rosto. - Depois de passar por muitos orfanatos com seis anos a mãe do Chay que era irmã da minha mãe conseguiu me adotar porque se casou com seu pai, o Chay tinha quatro anos e provavelmente foi a época que ela saiu da sua casa e voltava algumas vezes.. -Ela me interrompeu. - Até eu fazer dez anos e ele nunca mais aparecer. - Fiz sim com a cabeça e ela olhou para o nada. - De alguma forma aquele home te salvou Arthur. E mesmo eu sentindo muito odio dele e até da minha mãe por terem mentido para mim, algum lugar dentro de mim se sente aliviado por você ter tido uma casa e te tido o Chay como seu irmão. - Fiz sim com a cabeça concordando. - Por isso que eu sinto medo que alguém me ame, por isso que quando você começou a chorar em me senti culpado. Porque quando as pessoas me amam, ela sofrem demais. - Ela tapou minha boca me abraçando, a puxei fazendo ela se sentar no meu colo, fechei os olhos com força. Ela foi se soltando de mim e colando nossas testas, seu nariz roçou no meu e ela beijou meus lábios com delicadeza, retribui mas ela logo desfez o beijo me olhando nos olhos. - Eu não posso te amar porque está tudo confuso dentro de mim, mas o amor que eu sinto por você grita no meio de toda essa confusão como certeza. -Ela colou nossas testas de novo fechando os olhos, e um silencio se porto em meio as nossa respirações. Ela interrompeu por um momento tudo. - Eu te amo Arthur, eu te amo. - Abri os olhos a encarando e não me contendo a beijando com muito amor em seguida.













