Give Me Love - Capítulo Único - Parte Final
“Me dê amor como nunca antes porque ultimamente tenho desejado mais. E faz algum tempo mas ainda sinto o mesmo. Talvez eu deveria deixar você ir”
Pisquei os olhos várias vezes. As luzes pareciam mais coloridas e a música mais dançante, mas eu fiquei paralisado quando olhei para frente. Olha ela ali de novo. Era engraçado porque mesmo que ela não estivesse presente, ela estava comigo. Ela estava lá em todos os instantes e com todos os instintos. Com sua imperfeição encantadora. Eu não entendia porque ela tinha que ser sempre linda daquela maneira. Acho isso muito injusto. Eu não conseguia olhar pra ela e não sorrir. Éramos tolos, éramos loucos, mas éramos nós. Ela e eu, eu e ela. Como uma só alma. Eu comecei a rir da minha própria loucura. Que porra ela queria de mim agora? Lua parecia ser só mais uma naquela pista de dança que na verdade era qualquer espaço entre as pessoas. Mas ela não era ninguém. Eu não sabia se ela estava ali só para me provocar ou pra dar um tempo, mas ela estava. Era impressionante o fato de que mesmo que só eu a veja, ninguém encoste nela ou passe por ali. Lua parecia brilhar enquanto dançava. Suas asas também. Eu ficava muito puto com a fato de ela ter me deixado sozinho. Ela estava muito concentrada em aproveitar a música mesmo estando completamente fora do ritmo. Quando ela se virou, sorriu para mim. Eu fiquei em dúvida se era um sorriso provocador ou um sorriso de verdade. Mas ela estava se aproximando, e eu comecei a ficar com medo. Ela nunca se aproximava. Eu me levantei de surpresa e saí do local. Senti que estava sendo seguido, mas não me atrevi a olhar para trás.
“Você sabe que vou lutar pelo meu canto. E que talvez eu te ligue hoje a noite. Depois que meu sangue estiver se afogando em álcool. Não, só quero te abraçar”
Me dei conta de que estava correndo pelas ruas. Qualquer um que passasse por mim diria que eu era louco. Mas eu a via correndo atrás de mim. E então eu pisquei e ela estava pousando de seu voo na minha frente. Parei bruscamente.
Ela sorriu. Esticou sua mão para tocar em meu rosto e eu fiquei furioso por não sentir seu toque. Porra, porra, porra! A culpa vinha em cima de mim novamente. Milhares de imagens se passavam na minha mente. Eu não podia ter deixado ela sair. Lua era perfeitamente imperfeita, mas cuidava de mim quando eu surtava. Quando eu ficava drogado demais, ou bêbado demais, ou bêbado e drogado. Ela não se importava com as minhas grosserias nos meus momentos de crise. Ela cuidava de mim e eu não cuidei dela. Sua mão continuava tocando mesmo rosto e eu continuava sem sentir nada. Olhei para ela. Ela estava triste. Porra! Eu queria beijá-la. Lua pareceu ler meus pensamentos, pois encostou seus lábios nos meus de olhos fechados. Eu não estava sentido nada. CARALHO! Estou morrendo de saudade dela. Lua me olhou por mais alguns segundos depois de ter “me beijado”. Ela não sorriu, nem fez nada. apenas me olhou. Então ela se virou, caminhando para o lado contrário ao meu. Eu a observava se afastar e se desfazer, se perdendo pelo vento. Faróis piscaram e eu olhei para trás. O carro estava vindo e não fazia menção de desacelerar. Eu também não estava com vontade de sair do lugar. Talvesse eu merecesse morrer também. Eu poderia encontrá-la de novo. Virei-me para o veículo e abri os braços, esperando a pancada. Eu sabia que o motorista estava ocupado demais sendo um adolescente drogrado que nem eu para parar o carro e impedir que eu fizesse aquilo, então permaneci no meu lugar, esperando a minha vez. Lua tinha se tornado um anjo maravilhoso. E eu não tenho tanta certeza se eu vou para o mesmo lugar, afinal, eu sou um lixo de pessoa. Mas tentar não custa nada. Minha presença aqui não faria diferença para ninguém. A única pessoa que se importava com isso já tinha ido embora, e eu estou indo atrás dela.
“Me dê um pouco de tempo ou queime isso. Vamos brincar de esconde-esconde para virar isto. Tudo que quero é o sabor que seus lábios permitem”
O maldito carro parou uns vinte ou mais centimetros de mim e eu me frustrei. Mas que merda! Chay saiu do carro com cara de poucos amigos e saiu me arrastando pra dentro dele falando coisa que eu não fui capaz de compreender, mas eu sabia que ele estava me xingando pra caramba. “- Você ficou maluco, cara?” Chay reclamava no banco da frente. Nossa, ele parecia putão. “- Quando você vai superar isso? Pelo amor de Deus!” “- Shhhhh” Reclamei. Sua voz estava me irritando. Chay começou a acelerar bastante. Eu nem sabia pra onde a gente tava indo. Fechei os olhos com uma certa força. As imagens de Lua embaralhavam minha mente. Desde o nosso primeiro beijo até o momento em que a vi se atirando da janela. Eu fui tão fraco naquela dia! Nem se passou pela minha cabeça a ideia de me jogar também, pra ir junto com ela. Eu queria tanto morrer também. Eu queria que ela me dissesse o que estava acontecendo. Por que ela fez aquilo? Foi culpa minha, eu sei que foi. Eu tenho tantas perguntas e nenhuma resposta. O carro parou bruscamente e eu senti meu corpo ir pra frente por alguns instantes, mas não o suficiente para que eu caísse. Chay abriu a porta do fundo e me tirou de lá. Eu confundia os passos. Não estava conseguindo andar, nem pensar, nem nada. Eu estava em casa, se não me engano. Subimos de elevador e eu ainda ouvia Chay reclamando e dizendo que eu era um merda. Porra! Eu sabia disso, ele não precisava ficar me lembrando.
Chay praticamente me empurrou na cama e saiu do meu quarto xingando. Ele acendeu a luz e foi pra algum lugar. Tudo estava rodando e desfocado. Olhei pro lado por alguns segundos e Lua estava na varanda. Ela sorriu fraquinho e acenou pra mim. Então ela pareceu estar no muro da varanda, prestes a se jogar. Mas ela não caiu, ela voou. Um voo perfeito e maravilhoso. Ela acenou novamente e seguiu seu caminho. Eu segui a olhando até não ter mais nada ali. Pisquei várias vezes. Eu precisava parar de delirar desse jeito. Mas eu não tanta certeza de que isso me fazia tão mal. Eu a amava tanto que vê-la, mesmo que ela não esteja ali de verdade, era um alívio. E eu ficava feliz por alguns instantes. Eu queria que ela voltasse pra mim e que nada disso tivesse acontecido. Eu quero que minha hora chegue logo. E que ela venha me buscar quando minha hora chegar.
“Me dê amor, amante”










