𝑠𝑎𝑦 𝑠𝑜 // with @wilcwx
Enrolada em sua toalha, Aya arremessou-se em sua cama. Bateu algumas vezes em seu colchão e um de seus gatos prontamente acolheu-a em um afego. — Sabe Haru, eu não sei o que estava passando na minha cabeça quando aceitei esse encontro... — Disse em japonês para a gatinha preta e branca. Um encontro a cegas. Não que fosse exatamente uma novidade para a mulher que sempre via-se colocada naquele tipo de situação por seus amigos. Aya era conhecida por ser solteira desde sempre, mas o pior era seu costume de insistir se apaixonar apenas por pessoas que não conhecia. Já era costume, via algum vizinho novo no corredor e seu coração acelerava com os eventos que inventava em sua cabeça, até imaginar um término para o relacionamento inexistente e nunca mais querer vê-lo. Sabia que esse comportamento nunca havia sido saudável, Aya apenas não acreditava que merecia um relacionamento bom com alguém que gostasse de si.
Secou os cabelos com um jato morno, o inverno ainda persistia apesar de já ser oficialmente primavera em Nova York. Abriu seu armário em busca de algo para usar. O guarda-roupas estava cheio de roupas cinza e sem graça que usava normalmente. — Será bom vestir algo bonito para varear, certo? — Conversou com a felina que incessantemente roçava em suas pernas. Meias-calças pretas e grossas, um vestido curto preto e um sobretudo vermelho. Olhou-se no espelho enquanto maquiava-se pensando que provavelmente parecia uma desajustada e, apesar de ser exatamente isso, não era a impressão que queria passar no primeiro encontro. De qualquer forma, já estava atrasada e não teria tempo de vestir-se novamente, então fechou os botões do sobretudo, escondendo-se completamente. Colocou meia grossas que manteriam seus pés quentes durante a noite, esperou que aquele encontro não terminasse bem demais pois seria constrangedor tirar as botas e mostrar meias de patinho rosa.
A viagem de trem até o bar combinado demorou cerca de vinte minutos. Ao chegar viu seu encontro rapidamente, andando até ele e suspirando pelo caminho. — Oi, você deve ser o Blaze! Eu sou a Aya, é um prazer conhecê-lo! — Disse com um sorriso amplo, as mãos seguravam uma a outra, os dedos apertados até ficarem vermelhos.














