Às vezes as coisas simplesmente ficavam complicadas em seu trabalho, e Jiyoung sabia que isso afetava sua criatividade no outro trabalho, como tatuador. Ele precisava de referências, inspirações, e há muito tempo havia buscado pelas mesmas na casa de chás de uma pequena que conhecera aleatoriamente. Gostava de ir para lá; era como um tempo em que ele simplesmente pudesse escolher não ser Jeon Jiyoung e sim outra pessoa. Assim que entrou no local então, procurou pela garota, aproximando-se e colocando seu caderno de sketches sobre a cabeça dela.
— Eu tenho uma tarefa pra você. Se você não estiver muito ocupada, é claro.
A verdade é que ele sabia que isso aconteceria uma hora ou outra. Já havia avisado aos seus superiores de que havia algo estranho dentro da organização; informações desviadas, emboscadas... Porém, até então, ninguém havia lhe dado a devida atenção para fazer algo sobre isso. Jiyoung não sabia quem eram ou seus motivos, mas sabia que existia uma ponta em colapso dentro de sua gang.
Mesmo ali, com os pulsos e tornozelos presos pelas zip ties na cadeira e o rosto parcialmente coberto por um saco preto enquanto ouvia as reclamações dos outros, o Jeon não fazia ideia de quem poderia ser. Não conseguia ver. Ele só entendera que serviria de recado para o resto de seus companheiros.
No primeiro momento, ele tentou se livrar, porém era impossível. Os questionamentos logo vieram, mas ele recusou-se a responder e devolvia tudo com outras perguntas ou tiradas sarcásticas. E o que ganhava por fazer isso se resumia em socos, chutes, pontadas de cigarro quando eram gentis, ou cortes rasos e ligeiros pelo seu corpo.
No final do que parecia uma eternidade, o rapaz não sabia onde seu corpo doía mais. Não sabia se haviam quebrado seu nariz ou suas costelas, ou os dois, mas sentia seu rosto extremamente inchado pelos socos; o sangue escorrendo pelas suas narinas, lábios e supercílios. Seu colo já estava ligeiramente vomitado de bile junto ao sangue que residia em sua boca pelas inúmeras vezes que eles lhe atingiram no abdome. Os cortes distribuídos pelos braços, peito e coxa manchando as vestimentas que usava; a camisa branca e sem mangas agora tingida de um vermelho escuro grosseiro, e a calça negra úmida pelo líquido viscoso que já coagulava.
Ele não sabia quanto tempo havia aguentado antes de desmaiar, todavia no final do que se lembrava, ainda pôde sentir os grampos fincarem na pele do seu peito. Eles haviam grampeado um bilhete em sua tez no final de tudo, uma ameaça direta para a organização de que ela estava prestes a ruir.
Enquanto ainda inconsciente e preso na cadeira nos fundos de seu estúdio, os homems aproveitaram pra destruir parcialmente aquele seu lugar, quebrando e pichando tudo a sua volta, antes de finalmente irem embora satisfeitos.