Conversar com as noonas?! Minjun negou com um sorriso bem largo no rosto, movimentando a cabeça em um sinal negativo e erguendo as duas mĂŁos como se estivesse tentando fugir do assunto: â âNĂŁo, nĂŁo. Eu prefiro ficar aqui com vocĂȘ, de verdade.â â Se elas estavam interessadas, ou nĂŁo⊠Bom, ele nunca iria descobrir - essa era sĂł mais uma daquelas situaçÔes que Minjun escolhera nĂŁo se importar tanto e apenas aproveitar aquilo que estava ao seu maior alcance, a companhia de Jiyoung, no caso.
â âMeu aniversĂĄrio Ă© exatamente daqui a uma semana, hyungnim. Se eu fizer alguma coisa, vou te dar o aviso!â â O que tinha em mente era dar uma festinha marota na casa de um dos seus colegas, desses que dividia o apartamento com outro estudante; eles dois eram bastante conhecidos em ceder a casa para festinhas porque sempre se deleitavam com as sobras. A ideia geral era fazer qualquer coisa divertida longe dos pais, ultimamente Minjun parecia estar andando demais com pessoas que nunca receberiam a aprovação deles. â âNĂŁo, nĂŁo fuma shishas! Ele fuma cigarrros normais mesmo⊠Deixa eu experimentar um pouquinho.â â Foi todo curioso puxar a shisha pra perto de si e deu uma longa tragada na biqueira - quem dera tivesse sido mais curta, porque Minjun tossiu pra caramba e poderia jurar que deveria ter saĂdo fumaça atĂ© das suas orelhas. Nunca colocara sequer um cigarro na boca e acabou cometendo o erro de puxar tudo de uma vez, resultado: os pulmĂ”es se encheram de fumaça, nĂŁo teve o menor espaço para o oxigĂȘnio passar pela garganta e o fato de rir entre as tosses abafadas sĂł dificultou ainda mais a respiração do baixinho. â âPu-Puxa vidaâŠ! Qual o segredo pra nĂŁo morrer usando isso?!â â  E jĂĄ conseguindo respirar com mais calma, Minjun riu outra vez. Jiyoung era um hyung muito divertido! E cheio de talento pra deixar Junnie com as bochechas vermelhas tambĂ©m. NĂŁo queria que o maior saĂsse da mesa para ir atĂ© as garotas porque sabe lĂĄ como Minjun iria reagir caso elas resolvessem falar com ele. NĂŁo, nĂŁo⊠Era melhor ficar ali na mesa com o Jiyoung mesmo. â âOlha, nĂŁo faz isso comigo⊠Fica aqui fingindo que namora comigo, Ă© melhor. A gente tĂĄ muito distante pra parecermos namorados, vocĂȘ deve estar parecendo meu irmĂŁo mais velho, sei lĂĄ.â â Arrastou um pouco mais o banco pra perto do hyung e colocou uma das pernas sobre as dele, depois ainda deitou o rosto sobre o ombro largo mais prĂłximo e riu, agora em direção Ă s meninas: â âAcho que agora dĂĄ pra convencer melhor!â
Ouvir aquilo era reconfortante de certa forma, pois o Jeon também preferia ficar só com Minjun naquela noite. Sem socializaçÔes desnecessårias; ele gostava de exclusividade e não negava.
Sendo assim, ao saber do aniversĂĄrio tĂŁo prĂłximo do outro, o mais velho ergueu a sobrancelha em surpresa; os lĂĄbios procurando pela biqueira para tragar mais uma vez o fumo refrescante. â Ă sĂ©rio? Vou ter que achar um presente bom entĂŁo. E se quiser que eu acerte em cheio, Ă© bom me dar vĂĄrias dicas. â Disse com certo humor, ainda que Jiyoung realmente nĂŁo fosse bom com aquele tipo de coisa. Afinal, ele Ă s vezes nĂŁo lembrava nem do prĂłprio aniversĂĄrio e passou alguns anos sem comemorar nada de ninguĂ©m.Â
No final das contas, o tatuador se surpreendeu que o estudante realmente queria provar o fumo, porĂ©m deixou-o jĂĄ com um sorriso largo e divertido nos lĂĄbios: sabia que ia dar uma crise de tosses. Dito e feito, o mais velho riu sem qualquer hesitação, tirando a biqueira da mĂŁo do outro enquanto a prĂłpria livre seguia para seus ombros. â NĂŁo tem segredo, vocĂȘ acaba morrendo de qualquer jeito. â Respondeu-o em meio a um riso mudo esperando que aquela crise de tosses passasse. â VocĂȘ estĂĄ bem, Minjun-ah? Acho que chega de shisha pra vocĂȘ por hoje.
Com isso entĂŁo, o mais velho nunca podia esperar que o menor tivesse tal iniciativa em seguir com sua brincadeira. Bom, aquilo era divertido de fato, mas serĂĄ que o garoto sabia que o Jeon gostava de levar certas brincadeiras a outro nĂvel? De qualquer maneira, os olhos escuros fitaram os semelhantes em meio a um pequeno sorriso de canto quando uma das mĂŁos correu para pousar firmemente na perna que ficava sobre as prĂłprias. O rosto pendeu ao que o tatuador achava uma melhor posição para que os lĂĄbios ficassem a milimetros dos dele. â SerĂĄ que dĂĄ? â Murmurou ali, uma lembrança de sua lascĂvia percorrendo aquele sorriso antes que ele tocasse a boca delicada com a prĂłpria em um toque sutil e nĂŁo muito demorado. E era aquilo, porque Jiyoung era um grande filho da puta que gostava de provocar. Assim, quando afastou o rosto, a mĂŁo livre do deslizar lento que se iniciara sobre a coxa alheia trouxera a biqueira do fumo para si. Ele dera um grande trago entĂŁo e expelira a fumaça em formato de cĂrculo â nĂŁo havia sido perfeito, nem duradouro, mas ele gostava de tentar. â EntĂŁo, jĂĄ que nĂŁo vamos beber, e vocĂȘ nĂŁo vai fumar, vamos pro arcade? Ou vocĂȘ tem uma ideia melhor?