Mulheres na tecnologia.
Lançaram uma campanha para incentivar a participação feminina na área de tecnologia e eu resolvi contribuir contando um pouco da minha caminhada! . . . Trabalho na área de tecnologia há 8 anos, esse tempo trabalhando em uma área predominantemente masculina me fez enxergar e aprender muitas coisas!
Comecei em estágios realizando manutenção de computadores, desde o início ocorreram situações que me fizeram abrir os olhos, crescer como pessoa e como profissional. Usei todas essas situações a meu favor, como um gatilho para persistir.
Um dos primeiros desafios foi fazer com que os colegas de trabalho entendessem que não existe “papéis de gênero”. Pra isso, precisei me dedicar a certas coisas que poderiam parecer sem importância. Provar que eu poderia muito bem carregar um gabinete, por exemplo rsrs, e que não é certo atribuírem tarefas adicionais por eu ser mulher. Geralmente, nós mulheres precisamos o tempo todo comprovar o que sabemos fazer.
Já aconteceu de além de fazer toda a função que era justo ao cargo que eu exercia, eu me tornar a responsável pela organização do departamento, organizar cabos, organizar bagunças que não eram minhas “porque homem é mais bagunceiro”.
Foi assim que aprendi que “porque você é mulher” nunca é uma resposta e uma razão para nada, que trabalho não tem gênero e que é preciso saber delegar e dividir! Também aconteceu muito de ouvir “Sério? Você não tem cara de...” no meu caso, “engenheira”.
Muitas mulheres desistem da área porque os estereótipos fazem com que elas acreditem que não estão no lugar adequado, no meu caso cada pequena conquista me fez acreditar cada vez mais que estava no caminho certo.
Me sinto vitoriosa porque tudo isso fez com que eu me conhecesse mais, me fez esbarrar em várias habilidades que nem eu sabia que tinha e entendi que ser bondosa não é ser conformista.
Os obstáculos que passei no trabalho me fizeram mudar na vida.
Aprendi que devo filtrar aquilo que o outro diz e pensa, que além de mim ninguém tem o poder de me limitar/definir e que só sei da minha capacidade a partir do momento que eu tento.
As pessoas nos colocam pensamentos limitadores e foi prazeroso demais romper algumas dessas barreiras e passar a realizar tarefas que tantos consideravam que eu não era capaz.
São pequenos passos que fizeram parte da minha caminhada que ainda não terminou rumo à minha independência. Passei a cuidar mais do meu carro por exemplo. É impressionante a cara que fazem ao me ver trocando um pneu ou mesmo quando eu digo que sou eu quem troca o pneu do meu carro.
Após algumas lutas consegui chegar onde eu quero estar, que é onde meu trabalho é valorizado e eu sou respeitada. Mesmo que muitas vezes esse “respeito” venha ainda carregado de machismo. Uma das marcantes frases que escutei foi "Já te vejo como um homem". Por um lado, fico satisfeita em ser tratada com igualdade, justamente o que almejo. Mas, por outro, decepcionada em perceber que algumas pessoas precisam mudar o meu gênero para conseguir me respeitar e valorizar o meu trabalho porque sou mulher.
Hoje sou engenheira de computação, atualmente trabalho com Business Intelligence desenvolvendo em PL/SQL, sou grata por tudo que passei, me sinto feliz, realizada e preparada para todos os desafios que eu ainda tiver que enfrentar. Sigo com muita coragem e com a certeza que posso ir muito mais além e posso ser e fazer o que eu quiser.











