seen from United Kingdom
seen from Uruguay
seen from United States
seen from China

seen from Netherlands

seen from United Kingdom
seen from Türkiye
seen from Canada

seen from Uruguay

seen from Malaysia

seen from Canada
seen from China
seen from China
seen from United States

seen from Germany

seen from China

seen from United States

seen from Malaysia

seen from Malaysia
seen from Türkiye
dia dos pais
Há muitos anos atrás, a Margot, que é a Dona Canô desses Velosos onde eu dei de nascer, me disse que os filhos é que escolhiam os seus pais. Ela disse também que as coisas não são do jeito que a gente queria que fossem, mas que ainda assim podiam ser muito boas, e que às vezes são exatamente o que tinham de ser - e só. E eu, que só fui escolhido, sem saber o que era pra ter sido, parecia ter adivinhado que teria um filho com o nome do Tempo: Lorenzo Brasil. Que me faz aprender, meio na marra e sem ter opção, que tudo na vida é passagem, que tem caminho e tem contramão. O meu pai, que fui eu quem escolhi, veio e foi embora - sem eu poder escolher - mas me mostrou meu dois pés e me falou do chão. Às vezes, caminho de pedra, mata fechada, de barro ou não. Noutras, sol de primavera, inverno em minha alma, ou chuva de verão. .......... E daí, meu filho vai andando, meu pai foi passando, e eu vou tentando entender o tanto de caminho que tem na palma de minha mão. Lorenzo, que não sabe - ainda - que escolheu o pai que ele fez nascer, deve ser todo o tempo que eu preciso pra sacar que tudo passa, e a gente é que precisa parar pra ver. E minha mãe, que está sendo o melhor pai que eu posso ter, todos os dias me fala desses rapazes - eu, meu pai, meu filho, e todo mundo que mora dentro da varanda chamada Tempo - e que dizem tudo que a gente precisa saber pra não doer quando chega o dia de hoje, e meu filho parece não saber... Feliz dia dos pais, meu filho. Tanto, e pra sempre, seu pai.