ㅤ ㅤ ㅤ⸻ Like everything alive I was meant to be split open, to blossom, to be sucked, to be eaten, to lean, to bend, to wither, to die and die and die and die until I died.
Anosmia & Pheromone Sensitivity
Ele nasceu com anosmia congênita — uma condição rava, invisível, que o impede de sentir qualquer aroma. Para ele, o ar é somente ar. Úmido, cortante, morno como o vapor de uma caneca de chá recém-servida… mas é mudo. Carente de qualquer perfume que o mundo tenta oferecer; as flores de seu jardim não o comovem pelo cheiro, tampouco a chuva na terra ou o seu gato de banho tomado.
Esta ausência moldou sua percepção do mundo desde a infância. O paladar é limitado, enfraquecido; sabores são ecos, lembranças à meia-luz. E seu maior desafio está na forma como o seu corpo ainda sente o que não consegue identificar: feromônios.
Seu órgão vomeronasal é sensível, talvez até sensível demais. Ele consegue captar os sinais hormonais que as pessoas ao seu redor emitem — as respostas emocionais, os impulsos instintivos. Se um ômega feliz libera feromônios com notas de bolo de chocolate, Seyeon não reconhece o cheiro. Mas seu corpo sente; os feromônios emitidos no ar são registrados e assimilados para produzir estímulos espelho. Seu coração dispara. Ele sorri sem razão, a pele formiga, euforia pulsa por dentro… e ele não sabe por quê.
Essa dissociação constante entre o que o mundo sente e o que ele registra lhe deixa vulnerável. É extensão de emoções que não compreende, absorve sinais hormonais como se fossem seus e pior… Como continua sendo um ômega funcional, seus próprios sinais reagem — liberando mensagens químicas que ele não consegue regular com facilidade.
Sua relação com seu corpo e classificação com os outros é complexa. Intimidade pode ser confusa e ele é facilmente suscetível a relações com desequilíbrio de poder.
Agora, é dependente crônico de supressores — por sorte, sempre naturais, que amenizam seus ciclos e efeitos mais intensos. Mas carrega consigo adesivos supressores discretamente colados sobre os pontos de pulsação — atrás das orelhas, pulsos, pescoço e dobras dos cotovelos — para se proteger do mundo e das pessoas.
How he experiences the world
Nascido em 24 de setembro de mil novecentos e noventa e nove, numa noite fresca de outono. A estação é, curiosamente, a sua predileta — um último suspiro antes da terra esfriar.
Seyon procura conforto na familiaridade. Sua condição genética limita sua percepção sensorial, então ele se ancora em repetição, rotinas e objetos queridos.
Por isso, talvez, tenha se acostumado a seguir rituais diários. Ele acorda sempre muito cedo, toma chá sem açúcar no jardim e quando a neblina escorre com o romper das primeiras horas da manhã, prepara todas as suas refeições do dia e organiza suas tarefas em sua agenda.
Dizem que estes são sintomas de sua particularidade... Só come alimentos naturais, principalmente os produzidos na fazenda. Mantém tudo o que acontece, projetos, obrigações e as coisas que percebe ao observar os outros, anotadas em sua agenda. Mas ele prefere pensar que são traços de sua personalidade organizada.
Tem dificuldade de adaptação em lugares novos. É sensível a sons, texturas e temperatura. Fogos de artifício e aromas sintéticos? Absolutamente não. Mas ele jamais fala sobre as coisas que lhe incomodam.
Ele evita locais lotados, e todas as celebrações comunitárias que consegue convencer seus pais de não ir para evitar sobrecarga sensorial.
Seyeon acredita veementemente que só a chuva consegue lavar verdadeiramente seu corpo e espírito. Em dias chuvosos, caminha até o bosque e espera, de braços abertos, a chuva passar.
É gentil e sorri, embora não verbalize muito do que sente sobre as outras pessoas. Prefere demonstrar o que sente por meio de ações, de favores. Palavras? Somente se lhe faltarem outras opções.
Foi adotado por um gatinho laranja que resolveu chamar de Gumiho — Gumy, para os mais íntimos. Ele gosta de longas caminhadas na floresta, odeia humanos — seu servo humano incluso — e gosta de subir em árvores para tomar sol à tarde e julgar tudo e todos.
Personality & Miscellaneous
E ele tem uma coleção de cachecóis, um de cada cor e textura, e os deixa espalhados pela casa. Na porta, no sofá, sobre a cama. Mas ele nunca os usa. É o único item que sabe tricotar, e os tece os montes para preencher os cômodos com calor e presença.
Vive num mundo próprio. Está sempre com fones de ouvido enquanto trabalha na fazenda, cantando baixinho Kate Bush quando acha que não estão olhando e movendo os dedos como se dedilhasse notas para as músicas que não conhece tão bem.
Está sempre vestido com roupas de mangas compridas, não importando a estação. Prefere macacões e suéteres à qualquer tipo de peça que seja muito justa.
Tenta fazer de tudo um pouco, até as coisas que odeia — para ter propriedade em seu ódio.
Não ter conseguido terminar a faculdade de psicologia foi um choque. Desde então, tentou todo o tipo de trabalho fora de Wolnari. Fez bico como garçom, um desastre de proporções inimagináveis, como faz-tudo (quebrou um dedo) e até como babá.
Atualmente, faz um curso online de fotografia para ocupar o tempo livre dos finais de semana e desde então é o responsável designado para registar todas as cerimônias da comunidade. Com isso, descobriu que gosta de observar as pessoas através das lentes, imortalizá-las no papel — no tempo.
Todo dinheiro que ganha em seus trabalhos fora da fazenda é parcialmente reinvestido em material — câmeras, livros, lentes. O restante guarda numa caixa de sapatos sob a cama.
Em Wolnari e a pedido de seus pais, é o mais novo aprendiz do ômega responsável pelo suporte emocional e harmonia da comunidade. Há a desculpa de utilizar tudo o que aprendeu na faculdade para benefício do grupo, e isto ele até aproveita, mas as responsabilidades e os laços que se estreitam a cada nova obrigação adicionada faz com que se sinta sobrecarregado com frequência.


















