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Já pensou em ser sereia em outra vida? Tem cara!
Sereias não existem, tampouco outras vidas.
Felicity Benoist, hunter from Kingdom of Tarbean, is 20 years old and looks like Astrid Berges-Frisbey.
"Pain is inevitable. Suffering is optional. "
Felicity Benoist is currently CLOSED for auditions.
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IMPORTANTE
Meus caros leitores, estou invadindo a tag e cortando a programação normal para um anúncio importante...
Estamos a procura de uma queridíssima player que outrora jogara conosco no maravilhoso rp Gwylia. Vic, player dos personagens Brianna e James, caso esteja lendo isso, favor entrar em contato, pois a saudade que tu deixaste é imensa e ainda não conseguimos superar. Estamos a sua procura desde tempos remotos, acredite em minhas palavras, sentimos sua falta.
Peço desculpas aos players, pois não sabíamos mais que meio recorrer, e agradeço a atenção de todos. Caso você não seja a Vic, mas a conheça e tenha algum meio de contato válido com ela, é bem-vindo a nos deixar tais informações, minha submit estará sempre aberta.
Obrigada.
Come taste my lemon cake || Felicity&Andrew
A sensação de fogo próximo não era apenas uma sensação, realmente havia fogo perto. Porém a mais nova das Benoist deixou-se levar pelo pânico. Enquanto o fogo alastrava-se no cômodo ao lado, Andrew procurou por água, ou qualquer coisa que pudesse pelo menos acalmar as chamas. Avistou alguns baldes cheios de água no canto da cozinha e se apressou em pegá-los. Conforme a água se chocava contra o fogo, esse parecia se apaziguar, mas ele não teve certeza de que conseguiria extingui-lo por completo. Em vez disso, quando amenizou, puxou Felicity para longe das chamas. Jogou para longe a toalha que tinha em mãos, pois a mesma estava tomada pelo fogo. Mas era um tanto tarde. Quando observou a mão de Felicity, tinha sido atingida em uma quantidade preocupante. O lorde não sabia se deveria preocupar-se com o incêndio ainda dançante na sala ou se com a queimadura da moça. Pegou a água que restava e usou-a para acabar com o fogo. E no final, tinham uma sala parcialmente incendiada e agora, molhada também. E o calor das chamas ainda os rodeava, assim como a fumaça também o fazia.
Providenciou um pano molhado e o pousou sobre a queimadura de Felicity. Jamais havia prestado esse tipo de socorro à alguém. Sequer sabia se o estava fazendo certo ou não. Ele estava ajoelhado perante à ela, que estava sentada na cadeira, enquanto tinha em mãos a mão ferida dela. Deduziu que ela ainda não estivesse reclamando de dor, pois ainda estava assustada com o breve incêndio, mas assim que seu corpo voltasse ao estado normal, a dor viria para ficar por um bom tempo. — Sinto tanto por isso — declarou ele enquanto segurava firmemente sua mão entre as dele. Prensava o pano na queimadura ora sim, ora não, com um receio grande de que pudesse causá-la alguma dor. — Acha que terá algum dano permanente? — a pergunta não era para ser levada a sério, apenas queria que ela se focasse em respostas, e não que mantivesse sua mente no ocorrido anterior ou na mão ferida. Andrew sabia bem como uma queimadura podia ser traiçoeira. Felicity não poderia caçar por um bom tempo, e assim que ela tivesse consciência para pensar nisso, ficaria um tanto abalada. E ele desejou que não estivesse ali quando isso acontecesse. Soava um tanto covarde, mas não teria como saber consolá-la.
Claro que a jovem caçadora estava tão aturdida pelas chamas, que ficou paralisada, apenas vendo o fogo subir pelo pano e chegar em seus dedos, queimando sua pele, porém a dor parecia anestesiada, Felicity não sentia nada, estava completamente perplexa para qualquer ato, boquiaberta e aparentemente sem nenhuma ação, até que Andrew finalmente viera em seu encontro e das chamas, e quando Felicity se deu conta novamente, todo o fogo já havia sido extinguido, os móveis corrompidos, e a fumaça enegrecida ainda flutuava no ar, deixando o cheiro de madeira queimada, e cinzas espalhas ao chão.
A morena sentou-se em uma cadeira, com Andrew ajoelhado diante de si, os olhos de Felicity pareciam estar há muito distantes, ainda tentando compreender o que realmente aconteceu. Quando voltou para si, foi como um choque, um choque de realidade e dor, sua mão latejava e ardia, Andrew aparentemente tentava fazer o que podia para amenizar seus ferimentos, mas não parecia surtir efeito. A mais nova dos Benoist, deu uma olhada dolorosa ao redor da sala, e ao ver o estrago que as chamas causaram em poucos minutos, levou a mão que não estava ferida até a boca, em um gesto de espanto e assombro, seus olhos encheram-se de lágrimas. Afinal, por que isso teria de acontecer logo com ela? Com a sua família? Não prestou muita atenção no lorde e em seu ferimento, prensou a mão contra sua própria boca e então as lágrimas começaram a escorrerem por sua face, ela gostaria de poder gritar, mas nada adiantaria agora. Finalmente quando seus olhos encontraram-se com os de Andrew, Felicity achou suas palavras. — Eu sinto muito. — Disse por entre soluços. — Foi minha culpa, eu não deveria... — Mesmo com sua atual circunstância, Felicity ainda preocupava-se com sua imagem perante o lorde, mesmo que ainda houvesse coisas mais importantes para ocupar sua mente. Como seus ferimentos, por exemplo, se antes não havia sentido a dor, agora ela sentia, ardendo e parecendo ainda queimar. Sua vontade fora de chorar novamente, mas não podia dar-se ao luxo de parecer fraca e sucumbir à dor e sofrimento.
Enxugou as lágrimas restantes com a costa de sua mão, e então levantou-se, puxando a outra mão que Andrew segurava. — Eu preciso limpar isso antes que minha família chegue. — Dissera, enquanto caminhava para a despensa e pegava uma vassoura, com a mão direita ferida, mal conseguia segurar no cabo do objeto, encontrando dificuldades para maneja-lá, mas obrigando-se a fazer o que tinha de ser feito, e alguém tinha de limpar toda aquela bagunça. Havia tanta coisa em que pensar, porém as evitava duramente, com medo.
Come taste my lemon cake || Felicity&Andrew
Começava a se sentir menos desconfortável, o bastante para dar estrutura a uma conversa que talvez durasse, dessa vez, mais do que dez minutos. E enquanto ele ganhava um ar de firmeza e segurança, Felicity parecia perder o seu. Algo talvez, no que ele havia perguntado, teria lhe tirado o sorriso do rosto e lhe dado uma expressão… diferente. Poderia dizer que ela parecia quase aborrecida em lhe dar aquela resposta, mas era apenas uma suspeita dele. Problemas de família. Com certeza era aquilo o que havia desmanchado seu sorriso, fazendo seu rosto tornar-se sério e menos jovial. Lembranças. Mas não cabia a Andrew bisbilhotar mais do que já havia feito. Ele a escutaria se assim ela escolhesse e decidisse lhe contar o que havia acontecido, mas não questionaria mais. Ele mesmo abominava tratar de assuntos pessoais com pessoas a quem acabara de conhecer. Era algo que deixava-o imensamente perturbado e detestava ainda mais quando lhe interrogavam sobre seu passado, mesmo que sem a intenção de ser rude. Compreendia mais do que ninguém o que era aquilo e não seria direito da sua parte mantê-la naquele assunto.
Quando então tudo estava sobre a mesa, e já não tinha mais no que se focar para que pudesse adiar uma resposta, ele suspirou longamente, deixando o ar sair dos pulmões de modo vagaroso e paciente. Enquanto se sentava no lugar indicado por ela, analisou o lugar uma vez mais e depois seguiu os passos de Felicity com o olhar. Ajeitou-se na cadeira. — É gentil da sua parte fazer tudo isso por sua família. Imagino quão gratos devem ser — foi a resposta mais segura que encontrou. Desviou do assunto anterior, pois era o mais sábio a se fazer. Não se conheciam e a última coisa que desejava era trocar esse tipo de informações. — Contudo, acredito que não deve pegar muito com tanta neve caindo ultimamente — disse com incerteza na voz, sem saber bem se sua afirmação estava correta. Não era um homem da natureza. Mas era certo dizer que o frio era tão incômodo para os homens quanto para os animais, porém, mesmo alguns animais precisavam sair e caçar, fizesse sol ou chuva. Ou neve, naquele caso.
Escorou-se na mesa enquanto ainda sentado e tamborilou os dedos na superfície de madeira, que parecia frágil e antiga. Os sons do ambiente lhe enchiam os ouvidos. O crepitar da lareira do outro lado, na sala, era o que o agradava mais. E ouvindo aquele ruído, ele podia jurar que sentia o calor das chamas mais perto do que realmente estavam.
Enquanto mexia os ovos dentro da tigela, Felicity não saberia dizer se sentia-se grata por ter a companhia do lorde Andrew, ou se sentia-se desconfortável naquela atual situação, nunca chamara ninguém para sua residência, porém fora tudo inusitado, pois nem mesmo sabia que sua família não encontrava-se em casa, e talvez se soubesse de que eles não estavam, não o teria convidado. Não que ela não gostasse de o ter por perto, na verdade, ela adorava as raras ocasiões em que puderam ter alguns minutos breves de conversas, porém, nunca realmente tão próximo, e aquilo a deixava nervosa, tentava não demonstrar o que sentia e sorria fracamente à pouca luz do local. — Eu faço o que posso por minha família, mas para mim, não é o suficiente. — Olhou de relance para Andrew, e então voltou o seu olhar para a tigela em que mexia os ovos, que a propósito, pareciam já estar muito bem mexidos, quando a mais nova dos Benoist se deu conta, colocou a tigela sobre a superfície da mesa, porém antes que pudesse continuar com sua receita e continuar sua conversa com o homem, algo lhe chamou a atenção...
Olhou em direção ao portal da cozinha, e tudo o que via eram as chamas dançando ao redor da sala, a princípio, pensou estar imaginando coisas, porém, por instinto, deixou a cozinha imediatamente, caminhando em pessoas apressados para a sala, e suas suspeitas não poderiam estar mais corretas. O fogo não dançava somente na lareira, mas por algum motivo, havia pulado para fora dela e agora parecia consumir com os objetos mais próximos. Sua sala estava se incendiando e Felicity teve um momento de desespero, sem saber ao certo o que fazer, correu na direção em que o fogo se alimentava da madeira, pegou uma toalha que ainda estava intacta sobre um criado, e então começou a abana-lá contra o fogo, na intenção de fazer com que o mesmo se dispersasse, porém não estava surtindo efeito, e o local parecia cada vez ficar mais quente e escuro, coberto por uma fumaça acizentada. Felicity começara a tossir e os seus olhos a lacrimejarem, o fogo se espalhou ao redor da sala e começou a corroer os outros móveis, tornando-se mais imponente e perigoso. — Andrew! — Chamou o nome do lorde por entre breves tossidos, enquanto ainda brandia a toalha contra o fogo. — Andrew! — O chamara por mais uma vez, enquanto as chamas agora subiam pela toalha e ia exatamente em direção as suas mãos, sentindo o calor iminente se aproximando de sua pele.
To be that good, it must be taxin' / No such thing as satisfaction / You're makin' things happen
olha o olhar sensual qq
Chamando lorde Andrew pra experimentar seu bolo... SÓ o bolo, sei
Ora, lorde Andrew é sempre bem vindo em minha casa para provar do que quiser, mas bolo de limão é a minha especialidade.
Pau que nasce torto se endireita?
Acho que todos temos uma chance para melhorarmos.
MENINA QUE SDDS KD OS DRAGONES????
Isso que eu estava me perguntando. Todos eles sumiram?
Boatos que seu bolo de limão é o melhor de Tarbean
Talvez Andrew possa confirmar essa afirmação.
asks de 3 mil anos atrás qq
Come taste my lemon cake || Felicity&Andrew
Deu uma olhadela de soslaio pela janela e notou um clima pesado se formando lá fora. Embora ainda não estivessem nem perto do anoitecer, o céu estava se tornando mais escuro. Dali, de dentro, Andrew nada podia afirmar sobre isso. Contudo, passou por sua mente que nuvens pesadas poderiam estar tomando o céu, e assim, presumia que logo começaria a never rigorosamente outra vez. Que nevasse quando ele já estivesse em casa, pois a última coisa que desejava era caminhar com aquele frio e sobre neve. Quando andou pela sala, tentou ver melhor pela janela, mas ainda nada conseguira. Ao menos enquanto permanecessem dentro de casa, estariam muito bem aquecidos. O calor que emanava da lareira começara a se espalhar pelos cômodos rapidamente e ele já podia sentir o ar morno lhe rodear.
Nada disse sobre a declaração de Felicity sobre a família não estar presente. Quis questionar se isso não lhe traria algum problema, mas temeu que ela presumisse que ele estava pensando o pior dela. Não a conhecia tão bem assim para decifrar se aquilo era ou não uma mentira, mas optou por dar à ela um voto de confiança. A luz fraca do ambiente impedia-o de vê-la bem, e ou estava vendo de mais ou ela tinha uma expressão que lhe pareceu ligeiramente preocupada. Se viu curioso diante daquilo, no entanto não se atreveria a perguntar, talvez ela não quisesse compartilhar seus pensamentos, e assim sendo, ele deixou que aquele pensamento lhe fugisse da mente tão rápido quanto havia surgido.
Seguiu-a, tal como ela havia pedido, e adentrou a cozinha. Era tão simples quanto a sala, porém maior. De imediato se juntou à ela, pondo-se ao seu lado e ajudando-a a retirar suas compras da cesta. — Soube que gosta de caçar — arriscou um assunto enquanto se concentrava em tirar os ingredientes e colocá-los alinhados sobre a mesa. — Já caça há muito tempo, milady? — estava realmente curioso para saber, não era somente uma pergunta costumeira para puxar assunto.
O clima estava pesado, e isso não era devido ao tempo lá fora, que denunciava ligeiramente que nevaria rigorosamente, assim como havia nevado noite passada e retrasada, o clima no reino dos lobos se resumia em neve, aparentando a única estação que possuía era o inverno, pois até mesmo no verão, era incrivelmente frio, e no inverno... Era de congelar o corpo e a alma. Os moradores preferiam se manterem quentes dentro de casa, embora fosse mais difícil para a plebe, e para Felicity, mais ainda. Pois no inverno, alguns animais habitantes dos bosques, começavam sua fase de hibernação, enquanto isso, suas caçadas eram árduas em busca de alimentos, com isso, passavam a comer mais ensopado do que carne nessa época. Sem mencionar que a água mal aquecia-se e precisavam de cobertores extras para manterem-se quentes, e com as lareira acesa dia e noite, mantendo o máximo que poderia, o lugar ao menos morno. Porém, o clima estava pesado devido a situação em que encontravam-se, Felicity passara a desconfiar se teria feito uma boa escolha em chamar o lorde para saborear seu bolo de limão, contudo, não imaginou que ambos ficariam a sós em casa. Tentava pensar em algum ponto positivo nisso, mas ainda não havia achado, ou então não queria achar, o pensamento a envergonhava.
A cozinha, iluminada apenas por três janelas estreitas postadas lado a lado, e pelas luzes do fogo e lâmpada que emanavam da sala. Estava esvaziando sua cesta de compras, quando então Andrew surgiu novamente pela porta e começou a ajudá-la, a caçadora sentiu-se levemente desconfortável, mas não podia negar que ter o lorde ao seu lado era bom. Havia pego um dos limões, e o colocou sobre a mesa de madeira pobre, quando ouviu a pergunta do homem, desconcentrou- se e quase o deixara rolar e cair ao chão, entretanto, conseguiu o amparar e colocar novamente no centro da mesa. — Desde muito nova, milorde. — Permitiu que um sorriso leve se formasse em seus lábios, lembrando-se dos dias em que foram mais fáceis para a família Benoist, recordando-se do quanto era feliz com coisas simplórias, com a simples presença da irmã junto de duas caçadas, e lembrando-se também o quanto havia ficado feliz, como nunca havia ficado antes, quando a mesma lhe contou que iria casar-se e posteriormente, que estava grávida. Entretanto, com um piscar de olhos, assim como a neve cai, tudo desmoronou a seus pés, tampouco deixou de perder as esperanças, acreditando sempre que estavam destinadas a coisas grandes. — Fui treinada para sustentar a minha família, eu e minha irmã. Mas acabei tirando proveito da situação, era ótimo caçar ao lado dela, sempre me divertia. — Seus olhos continham o brilho de um passado distante. — Até que... — As palavras pareceram sumir, e a voz falhado. Limpou a garganta, e quando olhou novamente para a cesta, já havia retirado todos os ingredientes.
— Por favor, sente-se, milorde. — Lhe indicou a cadeira próxima a mesa. — Pode demorar um pouco. — Afirmou, deixando de lado o que iria falar anteriormente, virando-se de costas para o mesmo, e alcançando uma tigela dentro do armário. Depois, virou-se novamente para a mesa, colocando a tigela em sua superfície, e estalando alguns ovos dentro dela.
Iai maria dragones
Este apelido parece estar perdurando.
Come taste my lemon cake || Felicity&Andrew
Não era um dia muito atarefado para ele, então supôs que não seria de mal algum dispor de algum tempo para aceitar o convite de Felicity. Ainda por cima, ali estaria uma chance de conhecer melhor a morena, para que da próxima vez que a encontrasse, pudesse pelo menos lhe dar a devida atenção e ter uma conversa aceitável com a mesma. Afinal de contas, o tempo que gastaria ali poderia vir a ser algo proveitoso. Então lhe ofereceu uma simples reverência, mostrando-se lisonjeado com o convite. — Fico honrado com o convite, milady — disse, ainda examinando-a apenas. — Espero que não seja um incômodo.
A porta rangeu sonoramente. Então ele esperou que ela adentrasse e hesitou antes de entrar também. Olhou arredor, depois para a porta aberta, e então moveu-se, seguindo-a e em seguida fechando a porta atrás de si. Foi cuidadoso ao entrar, tentou não fazer um barulho ou movimento. Parou perante a porta e estudou os movimentos da jovem, enquanto essa desapareceu para um cômodo ao lado – que ele julgou ser a cozinha – e depois, sem muita demora, voltou para acender a lareira, aparentemente apagada há pouco. Seus olhos permaneceram pousados na lareira, no passo que Felicity atiçava o fogo e as chamas iam surgindo pouco a pouco. Logo o cômodo estaria aquecido, e depois, a casa também. Ele ficaria grato por isso.
O silêncio na casa era extremo. Era impossível que alguém estivesse presente no local e pudesse fazer tal silêncio. Desconfiou que estariam todos fora. O pensamento fez com que se sentisse ainda mais desconfortável. Estava inteiramente deslocado. Por fim deu um passo a frente, quando então as chamas da lareira já se erguiam altas. O som do fogo engolindo gradativamente a madeira era o que preenchia o ambiente. Ele limpou a garganta. Os olhos correram pela sala miúda, visando cada detalhe, para depois pousarem em Felicity outra vez. — Pensei que havia dito que sua família estaria em casa — seu tom de voz era neutro. Era impossível notar que ele estava um tanto receoso pelo fato de estarem a sós.
Surpreendeu-se quando deparou com a casa aparentemente vazia, Felicity de certa forma não esperava por encontrar o ambiente sozinho. Perguntou-se, e perguntou-se milhares de vezes aonde todos poderiam estar e o quê estariam fazendo, começando a preocupar-se, como sempre fazia desnecessariamente, sabia. Era de sua natureza, não conseguia evitar mesmo se quisesse, embora nunca houvesse tentando, mas a família era o que mais importava para ela, não havia como ficar despreocupada quando algo poderia lhes acontecer. Evidentemente, então, uma expressão digna de preocupação formou-se em seu rosto, sua vontade era de sair a procura dos familiares, pois os mesmos quase nunca saíam, ainda mais todos juntos. Entretanto, havia uma visita em sua residência, e de certo ele não se agradaria de ser deixado para trás ou então mandado embora, sem mencionar que seria pura falta de educação por parte da caçadora, e em sua mente, não estava sendo a pessoa mais cortês do mundo no dia.
Quase não escutara quando o lorde falou novamente. Olhara-o duvidosa sobre os mesmíssimos pensamentos que lhe ocorriam na cabeça. — Eu também pensei. — Dissera franzindo o cenho, enquanto estudava a expressão no rosto do homem, com a única iluminação da lareira acesa e da luz solar que passava por entre as estreitas janelas. Agora perguntava-se internamente se o mesmo estava com pensamentos errôneos a respeito da mais nova dos Benoist, o convidar para adentrar sua casa, quando estava sozinha, não seria tal ato aceito pela sociedade, os vizinhos caso vissem iriam comentar, e a caçadora parecia não estar com muita sorte, pois tudo o que ocorrera, estava desfavorecendo-na, talvez o lorde já estivesse a vendo com olhos duvidosos sobre as reais intenções de Felicity, a mesma fora tomada por uma ligeira preocupação. — Não devem ter ido muito longe, milorde, não demora e já estão aqui. — Esperava que fosse verdade, caso contrário, teria que ir à procura deles quando se despedisse de Andrew. Tentou sorrir confiantemente, embora a luz fosse pouca para que ele a visse vacilar.
Caminhou até uma cômoda próxima, e acendeu uma lâmpada a óleo que ali estava, dando um pouco mais de iluminação para o local, olhou de relance para o homem, provavelmente estava sem jeito e deslocado. — Queira me acompanhar, por gentileza, milorde. — Dissera sutilmente enquanto seguia em direção para a cozinha novamente, começando a retirar os itens da cesta e colocá-los em cima da mesa.
Come taste my lemon cake || Felicity&Andrew
Realmente o caminho até a residência dos Benoist era curto, mas como caminhavam mais lentamente, levou um tempo percorrer o caminho até lá. Andrew não pôde evitar lançar um olhar curioso para Felicity. Ela parecia extremamente confortável na sua presença, mesmo naquele silêncio. Algo que ele não conseguia imitar. Não podia negar que ainda estava constrangido na companhia dela, ainda se sentia estranho acompanhando-a até sua casa, mesmo sabendo que ele poderia não ter oferecido sua companhia, mas sentiria-se culpado mais tarde se não o tivesse feito. Tentou se acostumar com aquilo.
Ele seguiu seus passos lentos e ficou imerso em pensamentos enquanto andavam distraidamente. Estava errado sobre o que pensara sobre a garota. Quando se encontrara brevemente com ela - nas raras vezes que acontecia - ela parecia ser alguém que gostava bastante de falar e que tinha o riso fácil. De fato, ela sorria bastante, mas isso não dizia nada. Surpreendeu-se por ela não falar sobre nada durante todo percurso. Chegou a questionar-se se teria lhe passado uma imagem errada sobre ele. Quem sabe a jovem achava que era um incômodo para o lorde e por isso tinha optado por dizer nada mais que o necessário enquanto eles caminhavam.
Andrew desconhecia qual casa era a de Felicity, mas julgou que estavam perto. Então finalmente a voz da jovem soou ao seu lado, outra vez quebrando o silêncio. Não sabia realmente quais eram as intenções de Felicity com aquela pergunta, mas pensou que seria algo em retorno pela sua ajuda. Deixou um sorriso escapulir e parou, diminuindo os passos gradativamente. Lhe estendeu a cesta, pois presumiu que finalmente tinham chegado ao seu destino. — Bolo de limão? — por fim ele permitiu um riso fraco, porém genuíno. — É o meu preferido, milady — confessou estudando-lhe o rosto. Tinha visto os ingredientes para o bolo na cesta e deduziu que ela faria para a família. Talvez o convidasse. E seria um pecado recusar tal convite.
Teve simplesmente sorte com a afirmação do lorde de que, sim, ele gostava de bolo de limão. O bolo era o preferido da caçadora, e não havia dúvidas de que da família também, era uma sobremesa popular, entretanto havia aqueles que não tinham gosto por ela. Por isso, realmente pensou que teve sorte por Andrew gostar da sobremesa comum. O sorriso havia estendido-se ainda mais por sobre os lábios da morena enquanto observava a expressão no rosto do homem. Os passos haviam cessados no momento em que chegara finalmente em sua casa, mesmo que havia adiado a iminente chegada com passos curtos. Por fim, parou de frente a porta simples de madeira, tomando novamente a cesta em seus braços. — Bom, eu irei fazer para minha família. — Dissera abaixando a cabeça para a cesta, enquanto seus olhos vasculhavam todos os ingredientes que havia comprado. — Seria uma honra o ter como companhia. — Ergueu sua cabeça novamente, fitando-o em seus olhos. — E eu não aceito não como resposta. — Teimosa como era, não aceitaria realmente.
Abriu a porta com um rangido, e adentrou a sala escura, deixara a mesma aberta atrás de si, esperando que Andrew entrasse. — Espera por um convite formal, milorde? — Dissera olhando por sobre o ombro, enquanto adentrava ainda mais o ambiente aparentemente vazio. As faíscas da lareira que havia sido acesa e apagada recentemente subiam no ar, o local estava enegrecido e a única claridade trespassava por entre as janelas de vidro e a porta aberta. Era no mínimo estranho ver a residência da família Benoist tão vazia e silenciosa, deu por si perguntando-se aonde estariam todos, pois nem mesmo os ruídos do seu sobrinho poderiam ser ouvidos. Caminhou pela sala fria, indo diretamente para a cozinha à esquerda, depositando a cesta pesada sobre uma mesa de madeira simples.
Não convidava muitas pessoas para irem provar de seu bolo na sua casa, por esse motivo óbvio, não sabia exatamente como tratar um convidado, ainda mais estando sozinha em casa, talvez não totalmente sozinha, Andrew agora estava com ela, e o desconforto que antes não sentira ao caminhar com o mesmo, veio à tona neste exato momento. Foi até a sala novamente acendeu a lareira, fazendo com que as chamas do fogo dançassem e crepitassem, aquecendo todo o ambiente e iluminando a sala com tons avermelhados e alaranjados. — Parece que estamos sozinhos. — Dissera mais para si, do que para o lorde, num murmúrio, enquanto observava as chamas subirem.
Come taste my lemon cake || Felicity&Andrew
Andrew tinha suas dúvidas sobre o porquê de Felicity tê-lo abordado. Eles não tinham algo que poderia ser chamado de amizade. Haviam trocado algumas palavras em breves ocasiões, e o único motivo pelo qual ele tinha conhecimento sobre a Benoist, era pelo fato de os dois conhecerem lady Lizandra. Mas ela lhe parecia uma boa menina, esforçada. Ouvira uma certa vez em algum lugar que a moça tinha como paixão o hábito de caçar. E que também era dedicada à família. Passando disso, nada mais ele sabia. De súbito, pegou-se estudando o rosto dela e perguntando-se se ela sabia algo sobre sua vida. E percebeu que lhe incomodava que talvez ela conhecesse o seu passado. Distanciou tais pensamentos e olhou em frente.
Apanhou a cesta com certo embaraço, esboçando um sorriso descuidado que demonstrava claramente isso. Lhe constrangia um pouco estar ao lado de uma mulher e não saber ao certo como começar uma conversa, o que dizer e o que não dizer. Não era nenhum ignorante no assunto, apenas sentia-se retraído na companhia de alguém com quem ele não tinha intimidade alguma. Era em vão tentar falar sobre qualquer coisa que fosse, os dois eram estranhos um para o outro e ele, com toda certeza, ficaria mudo outra vez em algum ponto da conversa. Optou pelo silêncio, pois agora parecia ser a melhor opção.
Quando por fim foi perceber, já não havia mais vestígios das vozes que escutara a alguns metros atrás. Nem mesmo o movimento agitado do comércio. Havia ficado tudo para trás. Sequer havia dado conta de quanto haviam andado até então. Restava apenas o silêncio mórbido que cortava o ar entre os dois. Silêncio esse que Felicity quebrou quando ambos cessaram os passos. Ao seu lado, ela parecia ter a mesma altura que ele, talvez por não tê-la olhado por muito tempo. Agora, na sua frente, ela era ligeiramente mais baixa. Observou sua reverência e em retorno uma sombra de sorriso lhe desenhou os lábios. Deveria lhe entregar a cesta, então se despediriam com algumas palavras educadas e jamais se veriam outra vez. Mas ele hesitou. Fora uma péssima companhia naquele curto caminho, enquanto ela se mostrara tão cordial e amigável, mesmo que ela também não tivesse falado muito. Segurou firme a cesta e lhe sorriu, dessa vez mostrando alguma emoção no sorriso. — Permita-me que a acompanhe até em casa, milady — disse, sendo cortês. Deu um passo à frente, esperando sua companhia, pois ele não tomaria um não como resposta. — É o mínimo que posso fazer. Seria inaceitável da minha parte deixá-la carregar esse peso pelo resto do trajeto — mostrou seu sorriso outra vez, mais fraco dessa vez.
Indubitavelmente o silêncio que os acompanhara era de fato desconfortável. Mas não reclamara em qualquer ocasião, a companhia de Andrew lhe era agradável, mesmo em completo e absoluto silêncio. Entretanto, esperava que ele lhe entregasse a cesta e prosseguisse com o seu caminho, enquanto a mais nova dos Benoist regressaria de volta à casa, com apenas um gostinho de como era ter o lorde por perto, mesmo que por alguns poucos minutos. Mas fora surpreendida pela cortesia do mesmo que não parecia ter fim. Enrubesceu, enquanto sorria timidamente. — Bem, se insiste, milorde. — Ele não havia insistido, porém ela não negaria tê-lo como companhia por mais alguns passos. Havia de pensar ligeiramente em como o retribuir por suas gentilezas e cortesias. Bom, assim como uma dama sempre o fazia, ensinará-lhe uma vez sua irmã, quando esta possuía sua sanidade.
Pôs-se a andar ligeiramente, com as mãos unidas em frente ao seu corpo, sobre um vestido verde escuro. A residência dos Benoist realmente não ficava longe, erguia-se timidamente sobre a mesma ruela, não seria para a caçadora nenhum fardo ter de carregar suas próprias mercadorias só por aquele pequeno trajeto, mesmo que estivesse pesada a cesta, todavia, Felicity era uma mulher forte, apesar de sua estatura e talvez por ser uma mulher, como todos diziam, entretanto, era ela quem cuidava e sustentava a família toda, suas habilidades na caça a ajudavam regressar dos bosques com algum animal por sobre os ombros, porém, não poderia viver para sempre daquele modo, tampouco saberia dizer quanto tempo mais aguentaria, mesmo que não reclamasse sobre as suas obrigações e tarefas, colocando sempre as necessidades dos familiares acima de suas próprias.
Seus passos ao lado do lorde eram curtos, como se adiasse a iminente chegada até em casa, pois certamente, ele não se convidaria para entrar e levar a cesta para dentro, e sim, depois de deixá-la na porta, regressaria e não se falariam por mais um bom tempo. A morena não sabia quando teria a oportunidade de vê-lo novamente, ainda mais desacompanhado de Lizandra, também não sabia dizer se ambos estavam envolvidos em algum tipo de relacionamento, tendo em vista de que sempre os viam juntos, esse era um dos motivos e pensamentos que faziam-na manter-se distanciada do lorde, pois se o mesmo estivesse envolvido com a lady, não queria ter problemas com a ruiva ao andar com o seu prometido aos arredores do reino, certamente não traria bons rumores. Mas mesmo assim, não ouvira a mesma lhe dizer qualquer palavra que fosse sobre o devido assunto, mesmo que não fossem tão próximas, um dia já foram, e uma notícia como esta, Lizandra não deixaria de lhe contar alegremente. E uma idéia por fim lhe floresceu em mente, gostaria de tê-lo por perto durante mais algum tempo, e também, uma pequena cortesia por sua gentileza. — Gosta de bolo de limão, senhor? — Perguntara simplesmente, com um sorriso leviano surgindo em seus lábios, observando a expressão que seu rosto formaria conforme a resposta, enquanto ainda caminhavam.