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Cromatografias do solo de Três Forquilhas
Substrato é resultado de uma imersão artística realizada no município de Três Forquilhas, no Rio Grande do Sul, (Brasil), dentro do programa de residência CASCO, que ocorreu no mês de fevereiro de 2021. Durante o período da residência me propus a investigar a a correlação entre a vida dos solos cultivados e a vida de seus agricultores. Através do método da cromatografia de Pfeiffer, encontrei um meio de me aproximar da vida dos seres microscópicos da terra, e por meio da escuta dos campesinos, ter acesso a histórias, saberes associados e experiências diversas sobre como estes vivem e concebem os vegetais e a terra com os quais habitam em seus roçados. Neste vídeo, a o som da minha respiração marca o ritmo de transição entre cada uma das cromatografias, como num respirar conjunto a terra. Neste vídeo as imagens reveladas na cromatografia, alternam-se uma após a outra, movimentando-se ao som de uma respiração. Aludindo ao caráter vivo e imanente da terra, numa aproximação entre a matéria orgânica e aquele que a semeia.
série covas. (em processo) 2020. cerâmica de queima em lata com serragem.
Durante o período de isolamento, iniciei uma séria de placas cerâmicas que tenho chamado de Covas. São volumes de argila que dialogam com as imagens de sepulturas abertas preparadas para enterros em massa, como tem ocorrido em diversos lugares do mundo durante a pandemia. Algumas das imagens mais impactantes desses enterros coletivos estão ocorrendo no Brasil, com milhares de covas abertas diariamente nos cemitérios públicos de Vila Formosa, em São Paulo, e no de Nossa Senhora de Aparecida, em Manaus. São imagens que creio, todos estão acompanhando em sites de notícias, tvs e mídias impressas, e embora pareçam distantes, enquanto estão planificadas em nossos aparelhos e mídias, nas placas de cerâmica que venho desenvolvendo essa imagens ganham um volume tátil, térmico e mais próximo do corpo.
As imagens dessas milhares de sepulturas abertas causam um impacto absurdamente trágico, pois são buracos abertos em meio à urgência de enterrar corpos que poderiam ser (ou são) o de qualquer um de nós ou de algum de nossos amigos ou familiares. Essas covas em escala massiva são, em grande parte, destinadas para a população mais vulnerável e desemparada durante a pandemia.
Ao fazer essas placas imaginei que elas poderiam servir não só como objetos de luto, mas como terrenos de memória, um registro de um presente ainda bem vivo de devastação social e política que nos solicita um “aterrar” e também uma reflexão urgente: qual o mundo que está porvir e que queremos após esse acontecimento pandêmico?
projeto para mobiliário. conversas com plantas | cerâmica, terra, cactus e suculenta. 2020
Comum. cerâmica e sementes. 2020
Guia prático e urgente
sobre queima cerâmica com fogo e latas metálicas
Teresa Siewerdt e Pablo Paniagua
A imagem de uma churrasqueira com rodinhas sendo utilizada como suporte para o fogo e a lata neste breve guia para queima cerâmica não é por acaso! Esse conjunto de objetos associados de modo improvisado e não usual resultam de algumas práticas e urgências artísticas do tempo atual: a pandemia de covid-19 e a catástrofe generalizada nos âmbitos sanitário, médico, político, econômico, ecológico, cultural e dos direitos humanos na qual estamos envoltos. Em meio a tudo isso, foi necessário encontrar outras formas autônomas e acessíveis de dar continuidade aos nossos trabalhos e pesquisas ligadas à cerâmica, já que o forno elétrico que fazíamos uso coletivo teve seu funcionamento suspenso como medida de prevenção ao contágio do coronavírus.
Como a imagem demonstra, o processo de queima cerâmica com fogo pode ser adaptável a inúmeras situações de montagem e acesso a objetos, materiais e espaços, sendo essa queima praticada desde os tempos mais remotos por povos diversos em uma infinidade de variáveis que envolvem dados técnicos, materiais, geográficos e culturais.
No contexto urbano onde se praticou este guia, percebemos a vasta existência de recursos e possibilidades para realizar uma queima cerâmica fazendo aproveitamento de materiais descartados nas ruas e caçambas, de onde coletamos as madeiras e latas para a queima. A serragem por sua vez, conseguimos também de graça em madeireiras e marcenarias. Quanto aos papéis e pequenos gravetos que sempre ajudam no acendimento do fogo, estes pegamos de nossos próprios resíduos e dos caminhos que percorremos.
Compartilhamos aqui um guia prático, urgente, experimental e adaptável para fazer queima cerâmica de forma acessível e autônoma.
Segue link para download
https://drive.google.com/file/d/1pehyfYZoeyv_tGvrCpFoQhY1xR92ORex/view?usp=sharing
campos/fields/champs 2020.Ceramics
colar /necklace/colier 2020
galho de vinha e âncora de hélice (usada em vinhedos)
Sarment de vigne, ancre à hélice
bleu/blanc/rouge 2020
3 objetos manipuláveis compostos de papéis de caixas de feira variados e madeira de caixa de feira.
campos surgindo / champs / fields
abertura linda !!!
terra/morte 2019 (earth/death)
serigrafia sobre placa de cerâmica .(serigraphy on ceramic)
Jardim Parasita e Jardim sem Governo em montagem especial para a exposição Jardinalidades que acontece entre 7 de setembro e 8 de dezembro de 2019 no Sesc Parque Don Pedro II, em São Paulo. Com Curadoria de Faetusa Tezelli e Gabriela Leirias
Performance realizada no Sesc São José dos Campos como parte da mostra experimento paisagem no dia 21/01/2019. Plantas medicinais e aromáticas foram plantadas pelo público sobre o corpo da artista coberto com aproximadamente 300 kg de composto orgânico coletado em uma composteira pública da cidade localizada na praça Rubens Castilho. Após a performance, as plantas e o composto remanescentes, foram encaminhados para a construção de uma horta comuniária no espaço público da cidade, no bairro Jardim Aquárius, em colaboração com um projeto já existente de plantio em canteiros e vielas públicas, levado a cabo por moradores e ativistas da região. Após uma semana do plantio, a horta foi destruída por anônimos.
Plantas utilizadas: Alecrim, Aloe vera, Anador, Artemísia, Arruda, Arnica do mato, Boldo terrestre, Carqueja, Cavalinha, Erva de baleeira, Estévia, Estomalina, Guaco, Guiné, Insulina, Lavanda, Levante, Limonete, Losna, Malva, Mirra, Penicilina, Quebra demanda, Salvia e Terramicina.
Performers: Teresa Siewerdt e Raissa Arruda
Assistência: Pablo Paniagua
Colaboradores: Lucas Lacaz e Rogério Messias
Fotos: Lucas Lacaz e Teresa Siewerdt
'Fogo comum' (2018). Teresa Siewerdt e Pablo Paniagua
Fogo Comum na casa do povo, no evento do GE [grupo maior do que eu] na edição de Peito Aberto, no dia 25 de Julho de 2018.
Trabalho desenvolvido em parceria com Pablo Paniagua, no qual propomos acender e manter acesas fogueiras dentro de latas em calçadas e ruas da cidade. As latas de fogo, inflamadas de luz e calor, convocam todos estes fogos que se perpetuam na precariedade, articulando estados coletivos de aproximação, organização e resistência.
Fotos: Natália Rodovalho
Preparando os trabalhos para Fogo Comum. Em breve na Casa do Povo com @Pablopaniagua