Uma escala incidental em Budapeste mudou a vida do ghostwriter José Costa. Ele tenta se virar com o idioma húngaro – língua tão difícil que, segundo dizem, é a única que o diabo respeita. O livro prende pelos incidentes culturais em que José Costa se mete, mas também pelo estilo peculiar de escrita de Chico Buarque(?): “Saiu, estacou sob a marquise para espreitar o finzinho da chuva, e só ao alcançá-la reparei que ela usava patins. Pus-me ao seu lado e, sem saber como me manifestar, tirei casualmente o mapa do bolso e murmurei: Hotel Plaza. Arrancou-o da minha mão, e pensei que fosse atirar num bueiro, pois Budapeste tampouco se aprenderia nos mapas. Plaza... Plaza... iô. E a caminho do hotel tive minha primeira e peripatética aula de húngaro, que consistiu em dar nome às coisas que eu apontava: rua, patins, gota d’água, poça, noite, pizzaria, mercado, bombom, tabacaria, balcão art nouveau, fachada neoclássica, ponte pênsil, portaria, lobby, cafeteria, água mineral e Kriska.” José Costa tem uma enorme capacidade de se autodestruir. Inseguro e inconstante, ele parece estar sempre fugindo das consequências de suas escolhas. Destrói seu casamento, sua relação com o filho, a relação com Kriska é confusa e conflituosa. O leitor se sente preso na mente desse personagem confuso, angustiado, buscando uma saída – e conseguindo piorar as coisas a cada passo. Seria o livro uma metonímia para ghostwriting? Foi mesmo Chico Buarque que escreveu? Ou foi uma autobiografia de José Costa, assinada por Chico apenas para lhe emprestar a popularidade? #livros #leiamais #chicobuarque https://www.instagram.com/p/CFO_iCVsXNN/?igshid=27ouwqakn0f3