Eu me lembro exatamente como era sentir culpada pela nossa infelicidade enquanto éramos rodeadas por um mar de rosas
Eu não mais a culpo e tão pouco me culpo pelo amor não ser incondicional
Nas regiões limítrofes dessa corda bamba há o precipício e o acolhimento
Nessa borda quando nossas mãos se soltam a escalada é dolorosa
Supera o impacto da queda que se tornou rotineira e repetitiva
Feridas impedem que retornemos ao colo que já tivemos um dia
Eu sou fruto de um desastre e o que restou de minhas quedas
Da insistência pelo incondicional que se esvaiu quando não houve condições que pudessem sustentar
Lutei por um sorriso seu e não mais consegui lutar quando não pude encontrar o meu
Me agarro na parte boa mas ela é breve e tão sutil
Tenho como herança a fonte de toda a minha energia e a falta dela
As agudas palavras que me perfuraram, cortaram e se alojaram no meu inconsciente
A consciência de que somos opostos muito semelhantes e que há um pouco de você em tudo que eu sou
Na raiz do meu cabelo, na minha pele, o formato do rosto e até das unhas
A instabilidade emocional, as dores, e o medo do abandono
A dificuldade de lidar mas ainda assim sem saber por qual motivo, continuar
A intensidade que se veste de ansiedade e frustração
Imersas num vazio infindável com o formato dessa falta
Sabemos que hoje é apenas mais um dia que se vai
e nunca poderemos prever o quanto irá durar