Hoje sonhei com você. E voltei a escrever aqui, apesar da resolução de nunca mais pensar em você, de deixar você ir. Vi sua foto, sem querer, sorrindo. Mais sem querer que das outras vezes, porque agora eu realmente não queria. E após o sobressalto, o susto, a realidade veio como uma onda por dentro de mim. Pude sentir no peito, na garganta e na boca seca o quanto aquela imagem ainda me tirava o ar, mesmo quase três anos depois que primeiro a vi, e mais de um desde a última vez que cruzei contigo. Talvez fosse só a surpresa, o inesperado, mas o calor que aqueceu meu coração eu não podia ignorar. Eu ainda te amava, Vitor, contra toda a lógica a que me submeto todos os dias desde aquele 20 de março. Tentei me distrair, mas a reflexão me levava de volta a você. "O que você quer alcançar, o que você quer mudar neste mês de fevereiro?", ela me perguntava. "Liste as dez prioridades do seu coração" - e lá estava você, pulsando acima de todas. "To get closer to Vitor. (I miss him so much!)", anotei no topo do exercício. E nem mesmo eu sabia o porquê. Pedi ao Universo, numa prece, que esclarecesse os meus pensamentos, que me desse respostas. E dormi. Acordei mais feliz porque negar que sentia a sua falta pesava em mim. No meio do dia, dormi de novo. E no sonho, de surpresa, você chegou. Com esse jeito despreocupado, meio sorrindo, meio sério. Eu não podia decifrar o que se passava por trás desses olhos que eu tanto adoro. Mas senti tanto alívio por te ver, que arrisquei baixar minha guarda e te deixar ver o que me dava (e dá) tanto receio. Te conduzi por dentro da minha casa - "Já te mostraram ela?". No teu silencio, caminhamos alguns passos lado a lado, e nossas mãos, como se fosse de suas naturezas, se encontraram. Se o êxtase habitou meu corpo naquele momento, também compareceu o medo. Você a segurava, mas não apertava. Isso significaria algo? Será que não lhe sou querida? Queria ter perguntado, mas a luz que nos envolvia naquela tarde quente, tão quente quanto o toque das maos, me envolveram naquilo que eu acreditava ser um sonho. Eu não conseguia falar, tamanha a minha alegria de estar ali, mãos dadas com você. E acordei. Continuo acordada desde então, rememorando tudo o que nos afasta. E não são poucas coisas, sabe, Vitor? Uma vez eu aprendi com uma das minhas chefes, muito querida, que o amor vence tudo. Mas penso que minha pequena parcela de amor, já tão gasta, não é capaz de alcançar tantos obstáculos. Você é grande demais pra mim, e assim não pode ser. Não ignoro também que muitos anos se passaram, e que deles eu nada sei. Não sei se sua vida está preenchida, apesar de saber que esteve tentando. Eu também estive. Cheguei quase a me apaixonar. Mas não é como é com você. Ele não me faz escrever cartas quilométricas à meia noite. Nunca fez. Talvez você pense que também não deveria, já que eu não lhe inspiro nada - talvez nunca tenha inspirado. Nem eu mesma sei porque faço. Mas não conseguiria dormir sem faze-lo. Um dia, sem querer, eu achei você, Vítor. E os seus olhos meio tristes me encantaram. E apesar de nada indicar que éramos semelhantes em algo, eu sentia que sim. Sentia nas suas palavras, no seu modo de pensar, e quase no seu jeito de ser. Senti nas histórias que me contou. E desde então não encontrei ninguém que tivesse um coração tão parecido com o meu, uma forma de ser que, me parece, se encaixa tanto com a minha. E sigo escrevendo tomada de incerteza sobre o passado, o presente e o futuro. Eu sou metade agonia, metade esperança. Meus sentimentos seguem em suspenso até que saiba uma palavra sua, mas não buscarei por ela. Espero que um dia esses escritos cheguem a você. Porque sigo te amando. E talvez seja sempre assim. - f (12/13 de fevereiro de 2017)










