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@ummontedecerebro
aproteóticas
seus olhos, tão meus de coração. sua boca tem forma de amor. seus cílios, uma tinta que a mim fora externa. seu cabelo tem as curvas do destino que sonhei.
cruzo as pernas por você no início, meio e fim, dias e noites. te encontro no silêncio e no acaso; te corro no impulso, no barulho e no que arde pelo novo. toco a profecia do mundo todo visto ao lado da tua retina.
suas mãos, repouso do que jurei não entregar a mais ninguém.
seu peito é sempre um grito conjunto com o meu. você é o que mais ninguém nunca será e sabe que só eu te dou o que só eu posso te dar.
você, desvio etéreo que me encaixa no caminho e no propósito; vai inteira e volta pra mim. vai que eu cresço, fica que eu cresço, e saiba que o pra sempre é apotreótico, juntas ou sozinhas, mas quando você me acompanha é sempre mais gostoso.
seu ser, o maior bom gosto do meu.
quarto 603
eu to louca, maluca, desequilibrada, com todos os vícios e excessos autodestrutivos do mundo, disfuncional. um brinquedo bonito e divertido que sempre dá problema e vc fica triste por não poder mais brincar. to aquela boneca última geração que ainda não funciona direito, dá mal contato e começa a gritar, pifa no meio da brincadeira e deixa o gosto agridoce do muito querer e do desesperançar.
parece que toda a minha matéria é controlada pelas minhas emoções. que sou um corpo oco que se move puramente pelo o que sente, sem outra escolha.
nem eu me digo o que fazer. fico à mercê do próximo sentimento, drama, alegria, euforia, êxtase, queda e ruína. não me lembro da última vez em que ou não deu pé ou eu tava com os dedos bem fincados no chão.
a mediana é um dos meus gatilhos, inclusive. tanto não gosto e fujo, quanto tenho medo de ficar sem perceber. imagina não saber que tô ali, onde me divirto, mas também não morro; e onde não morro, mas também me divirto? inadmissível.
corro riscos. mas quem foi que me disse o que fazer? quem foi que me disse que não gosto do que é médio? me apavoro só de pensar em gostar, mas quem foi que me falou uma coisa dessas? quando foi que eu concordei? e agora, uma vida inteira sem mudar?
emocionalmente, não acho possível. porque parece que meu corpo é um corpo oco que se move só pelo o que sente, e a emoção que a rigidez me dá é tão desesperadora que eu encheria meu corpo de outras coisas minhas só não ficar presa no mesmo lugar.
muito-sempre amei o mar, mas já tive medo das ondas
somos um eterno mar aberto até o pescoço. dois dias dando pé e nossos olhares conversam: mais fundo? se você quer, por que não? se eu quero, por que não? é que ninguém sabe se vai ter força pra voltar nadando.
sabe que é verdade?
eu acho…
não. tô errada.
nunca escrevi (costumei escrever) pro bem, pra um algo sentimental que tivesse dando certo.
mas hoje senti uma saudade estranha. tô até confabulando se a saudade é a falta de serotonina que o outro te traz. fugindo do fato de que esse texto era só pra dizer que senti a sua falta por um tantinho.
ontem, quando te vi, senti de imediato o efeito da fluoxetina que eu não tomava há dias, como se eu não precisasse mais dela. foi paz. silêncio. conforto. casa. permissão.
não quis estar com ninguém e em nenhum outro lugar que não fosse com você. quando voltei pra casa, voltei inteira e quase transbordando.
dou três passos pra trás e depois corro mais cinco pra te encontrar.
agora vai argumentar pra minha saudade.
como é que eu falo que "tá bom, só um pouquinho" se eu sei que, emotivamente, o meu pouquinho vai virar um montão?
fui embora sentindo saudade, senti sua falta antes de ir.
fico horas ao seu lado e quero te levar comigo quando tenho que partir.
vai ter sempre uma parte minha em você que você não queria que existisse e uma parte sua em mim que eu não queria que tivesse, mesmo que as palavras não se organizem mais pra contar a nossa história.
te amo 8/8
nas mãos, minha linha do coração tem muitos riscos
me preocupava na cartomancia: segmentações oscilações imprevisibilidade dúvida preciso estar em constante movimento - perda e ganha - pra exercer no universo o que sou?
refaço o caminho entre a corda-bamba da sanidade e aceito que o controle de quem sou termina onde começo a ser
será que um dia alguém me ama? me quer pra sempre? que um dia eu valho a pena passado, presente e futuro?
eu também não vou inteira, injusta seria eu se te pedisse toda funcionando
meu tapete foi tecido na renda de um fino fio não adianta botar nada pra baixo dele ainda vão me ver de longe e de perto
quer me esconder, mas não me tira da sua sala de estar me lava rápido pra poder deitar em mim de novo corre pra me posicionar no centro de tudo acha que eu borro a imagem do chão que te aterra, mas ele é feito do vidro que você se vê através de mim
sente que cada fio que me molda encaixa nas tuas cicatrizes dói sentir, dói ter dó de tirar porque quando encaixa parece completo
quero que me deixe entrar quero aprender a me regenerar junto com você quero que a gente saiba deixar as cicatrizes abertas pra outra encaixar e também aprenda a forjar a carne como se nunca tivéssemos sido tocadas ali
minha primeira e única
aproveita que não me preservo que sou divertida que só mais tarde eu processo que sou imprudente, impulsiva e que muito te amo dentro de um cérebro que é só meu por você tanto ser quem só você é
sempre nasce um braço novo pra te puxar pra mim
a gente brinca. experimenta um pouquinho mais. se passa e se excede. fala um pouco mais do que devia, sente um pouco mais do que esperava, tempera um pouco mais do que aguenta comer e às vezes come cru de tanta pressa.
foi o acaso — da última vez que contei era a nossa penúltima chance de todas as chances do mundo e depois disso quitei meu calendário inteiro de "só mais essa".
posso te dizer só mais uma palavra, te confessar só mais uma coisa, discordar só mais uma vez e voltar de novo?
me angustia só mais uma vez, exagera de novo, me acusa de tudo o que eu não vivi, fala que só entendeu depois e me diz por que a gente sempre tá, mas nunca é.
me conta com todas as palavras por que a gente acha que não vinga. lista nossas derrotas, por onde a gente venceu e onde ainda planeja errar. diz que o tempo passou muito rápido. escreve na capa desse livro aberto tudo o que você sente por mim.
pode me amar, me punir, implodir junto comigo no final do dia, mas me come devagar pra durar pra sempre, assim dá tempo de regenerar.
todas as vezes em que tentei fugir acabei no mesmo lugar.
tudo o que eu tento esquecer e nego
cai gota a gota de você em mim até abrir um abismo tão gigante que, quando eu olho com olhos de carinho, tem cara, cheiro e toque de abrigo.
por favor, fica mais um pouco pra ver se meu coração para de alarde e eu assumo que você me faz me ver.
fórmula do amor e da vida
queria que tudo fosse mais fácil. que amar fosse simples. que conviver fosse simples. que eu pudesse amar quem eu quisesse, e que todas as pessoas do mundo pudessem amar quem elas quisessem. que não tivesse medo, impedimento, mentira, coisas ocultas ou traição.
queria que amar não fosse uma ameaça - nem pra mim, nem pro outro. que a gente não tivesse medo de perder ninguém porque sabe que um amor nunca substitui o outro.
amor não substitui amor, mas o tempo é recurso limitado. talvez não seja só o amor pelo outro que dê medo, mas todos os recursos que ele investe quando ama.
eu costumava desistir em jogos, antigamente. por medo de ganhar. por medo de deixar o outro desconfortável com a minha vitória - que não era importante pra mim, então por que não deixar o outro sentir o que deixava ele feliz?
ganhar é importante pra mim hoje. gosto do sentimento que não entendia. mas nada disso é um jogo. nenhum tempo é um espaço pra ser conquistado. amar e ser amado não devia ser uma competição, e o tempo investido no outro não devia ser uma ameaça. se não fosse com você, poderia ser com outra coisa - e não dá pra se dedicar 100% do tempo pra uma pessoa só - então por que o tempo investido em um algo que não seja um "alguém" não fere do mesmo jeito?
aquela raposa que te lembrou de mim tem razão. eu já fui muito animal, e nesse momento, o animal que eu sou tem dentes muito afiados e pele sensível.
passei muito tempo sendo machucada quieta e guardando o gemido de dor pra mim. agora devolvo quando me machucam.
logo antes
eu te amei no momento certo, sabia? te amei antes de enlouquecer, e teria enlouquecido antes, se não tivesse te amado.
me acalmou pensar no seu rosto, nas suas feições, no seu toque e no seu carinho. me deu felicidade imaginar que ainda havia amor pra dar e receber.
acabou com a gente não querendo se despedir, mas acabou na hora certa. não dava pra dar mais do que eu já tinha dado, com tão pouco retorno. eu ia enlouquecer mais rápido, depois de você ter desacelerado meu enlouquecimento.
não sabe beijar e ir embora, quer formar família - carta aberta
o medo de compartilhar a própria vida não deveria existir. penso até nas pequenas coisas, como o medo de que você ache que todos os textos aqui são pra ti. medo de algo ficar mal comunicado pelo caminho, de ter sofrimento pq alguém assumiu algo que a outra pessoa nem pensou em dizer.
não me livrei de tudo o que fui acostumada ainda. quando você topa estar comigo em qualquer lugar, já é uma surpresa. acho que por um tempo esqueci como é ouvir repetidamente "sim".
e aí, outro medo: o de você achar que não pode dizer que não; que precisa sempre dizer "sim" pra que eu te ame. eu aprecio todas as suas respostas, é só que quando eu quero e você também quer, me enche o coração. e só me enche porque eu sei que você também quer, que é "sim" genuíno seu.
tenho medo do depois também. começar relacionamentos é horrível porque as primeiras épocas são maravilhosas e depois surgem os problemas - e lidar com os problemas exige tempo, esforço, dedicação. eu não tô num estágio da minha vida que eu possa gastar mais energia com isso. eu não acho que você tá num estágio da sua vida que você possa gastar mais emocional com isso.
viver o que a gente tem pra viver em uma época que nos sentimos cautelosas parece só mais uma do universo mexendo seus pauzinhos ao nosso favor.
eu não sei se nós duas seríamos capazes de mergulhar uma na outra porque tenho medo da gente se afogar no caminho. eu não tinha medo, e te respondi com sinceridade da primeira vez que você perguntou, mas agora eu tenho. tenho medo sim porque é muito intenso. o medo é tanto que mal conto com sermos uma onça e uma leoa.
a gente tem força. só não é o momento pra usarmos ela. a gente tá esgotada, machucada, com muitos rastros do que foi nosso último relacionamento com outras pessoas.
eu te beijo e sempre volto. eu te beijo e paro os pensamentos que pensam na possibilidade de nós duas. mas te tenho feliz da vida, quando nós duas queremos.
tenho todos os motivos do mundo, e mesmo assim, só me dou o esforço de me parar emocionalmente. todas as minhas ações constroem algo com você porque a gente vive, e a memória projeta futuros.
smp to racionalizando, percebeu? é um monte de sentimento, e chega num quase-final q vem alguma dúvida sobre o sentido das coisas.
te amo. — te amo muito. — — te amo três.
— quê?
que te amo. — — — mas agora te amo cinco senão te amo quatro.
— te amo dois. —
podíamos escrever a nossa história.
porque se um dia eu te perder, também não perco ela.
não perco a memória que lembra, não perco o exagero que encharca, não perco os planos médios do filme que passa na minha cabeça enquanto você narra tudo o que aconteceu e o que quase foi.
te amo ímpar porque acho que par dá azar, e você ama par porque o ímpar nunca fecha a conta.
1️⃣3️⃣5️⃣ ímpar é pontiagudo só mesmo quando acompanhado completamente contraditório vai junto mas também sozinho corta fino muitas vezes sem querer mas se for com cuidado faz arrepio é complicado mas é gostoso em tom de estrela;
2️⃣4️⃣6️⃣8️⃣ par é sensível acolhedor quente constante reflexo acúmulo ideal certeza vai sempre junto junto juntinho o tempo todo num círculo numa roda numa esfera que começa e que termina no mesmo lugar ou até em lugar nenhum mas tá sempre cheio. também dá pra encaixar sem machucar as costas e é visualmente circular.
se eu fosse menos boca aberta, dizia menos que te amo.
a gente também pode ser o que for porque, no final, vai acabar sendo o que pôde. vamos passear e depois vamos voltar pro mesmo círculo, pra mesma estrela, pro mesmo pedaço de areia, pro mesmo mar.
vamos criar lugares nossos pelo mundo todo.
e vai ter sempre uma parte minha em você que você não queria que existisse e uma parte sua em mim que eu não queria que tivesse, mesmo que as palavras não se organizem mais pra contar a nossa história.
ainda que eu esqueça, jamais vou deixar de ser. sendo eu, tenho você em mim.
nem todo o azar ou a sorte do mundo são capazes de atravessar o que tão forte existe.
eita tranquilidade
tem dias que eu quero dizer que a calma é o caralho. que se você não vem, eu vou com outro. eu quero gritar que não vou mais perder tempo, que os minutos que você ocupa na minha cabeça durante o dia precisam ser urgentemente substituídos.
eu percebo que você não me traz mais paz. que talvez um ciclo tenha sido finalizado e é isso aí - que o que é difícil demais não é pra gente.
cansei de me esforçar tanto. esperar tem feito tudo ficar no mesmo lugar. se não sou eu que movo, não tem movimento. porque não tem vontade e é o que a gente tem que assumir.
eu gosto de você, mas não existe um lugar com poréns no meu futuro romântico. eu não tenho que esperar uma resposta do outro. posso só dizer que não precisa mais vir.
tô indo, mas te espero
tem um algo que vem e que me puxa pra você.
uma ideia de que há algo — um medo da idealização, um medo de ignorar a realidade.
mas há um algo outro, no meio desse caminho, que me faz sonhar acordada com cenários em que coexistimos. um elo que me embrulha o estômago, que clarifica a urgência da sua presença e do toque do seu corpo. um desespero pelo seu cheiro.
uma ideia de que há algo — uma urgência, um exagero, um querer que não cabe no universo, uma certeza de que te amo.
te amo? há um terceiro algo, ainda indecifrável, no meio daquele caminho. uma dúvida, um pé atrás, um “devo?” sussurrado com os mesmos lábios que tavam gritando “to indo”.
a ideia era o algo. o algo é a urgência, o amor, o sonhar acordado, o toque, o corpo, a presença, a querência que transbordou o universo.
te amar é aceitar que junto com o amor existe coisas que ainda não sabemos. existe a força e é da força que se faz a urgência:
quero você agora, tô indo. mas te espero.
amar é se preocupar com mais de um
importante dizer: não digo isso com bons lábios.
retrocedo meus amores, e todos os que amei profundamente, vieram com mais alguém. alguém que eu botei. alguém que chegou. alguém que entrou. alguém que também quis. alguém que voltou.
são muitos alguéns pra se preocupar com o medo de não ter mais o que se tem. sempre um algo, sempre um porém. sempre um alguém além do que eu escolhi.
sempre uma ansiedade no peito, uma recusa, uma discussão, uma pedra no sapato, um pelo em ovo.
não sei se um dia eu me relacionei só com quem eu me relacionava, ou se sempre estive me relacionando com os outros alguéns que apareciam nos nossos caminhos de nos amarmos.
amar nunca é se relacionar com um só; amar nunca é sentir por só um.
finais e morais da história
hj chorei pelos finais. chorei mais de uma vez, me doeu parcelado durante o dia todo.
chorei pelas partidas, e não só minhas. chorei pelo rumo q a vida levou. por ter doído tanto e em todos os lados.
enquanto chorava, questionei se fazia sentido. se não era melhor td ter ficado como era. e não. por mais q me doam essas mudanças, só mudou pq não funcionava mais.
eu não posso voltar atrás de decisões que levei anos pra tomar. eu não posso me enganar q me manter em uma zona de conforto é o melhor pq essa zona já tava desconfortável há muito tempo.
chorei por não poder mudar as coisas. por a gente não poder ter tudo. por haver escolhas. chorei pelas opções q perdi, mas sem arrependimento de não tê-las escolhido.
de tempo em tempo, hj uma lágrima cai. smp q eu lembro, sinto de novo, e começo em mim o mesmo processo de questionar e de chegar à mesma resposta: eu caí de uma corda bamba próxima ao chão e agr reclamo q não tenho mais q me equilibrar achando q minha vida dependia disso.
posso andar por novos lugares sozinha.
é difícil, difícil, difícil, difícil, difícil me despedir de você
Caio · Song · 2019
ontem, durante o caminho, tava tendo um samba-trap-eletrônico cantado alto por um homem fantasiado de porco dentro do meu cérebro. era tanto barulho, tanta possibilidade, tanto medo.
ontem, quando te vi, senti de imediato o efeito da fluoxetina que eu não tomava há dias, como se eu não precisasse mais dela. foi paz. silêncio. conforto. casa. permissão.
durante o dia todo, não quis ficar menos sóbria.
esqueci que eu tinha um celular. não quis estar com ninguém e em nenhum outro lugar que não fosse com você. quando voltei pra casa, voltei inteira e quase transbordando.
durante o dia todo, quis te tocar. quis entrelaçar meus braços nos seus. quis colar nossos rostos, te abraçar longo.
fico horas ao seu lado e não quero me despedir no final. fico horas ao seu lado e quero te levar comigo quando tenho que partir.
não vai ter lua nesse texto porque uma lua gigante é a menor das coisas perto de você. sinto que somos versões maiores dela e do mar.
demoro porque sei o que você também sabe. reforço que não posso; não faço nada em ações pra evitar, tapo o brilho do meu coração do tamanho do punho quando te vejo, com a peneira emocional que jura estar no controle.
dou três passos pra trás e depois corro mais cinco pra te encontrar. me recuso a não viver o que eu posso viver com você. a minha vida vai passar, a gente vai mudar, nossos objetivos vão ser outros, nossos tempos vão ser diferentes. me recuso a não me permitir estar inteiramente aqui sempre que posso.
boto repetidamente na balança: prefiro lidar com as consequências da loucura e da imprudência do que com as do arrependimento. não quero viver o futuro de uma vida que eu me neguei.