Submarine (2010) Diretor: Richard Ayoade
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@undead2me
Submarine (2010) Diretor: Richard Ayoade
me @ me: im literally begging u to get ur shit together right now
everything you love is here
(18+)
Essa noite, logo antes de dormir, me peguei olhando fotos antigas no meu celular. Velhos amores, novos amores, amigos com quem não falo há bastante tempo, amigos com quem não falo mais e amigos que eu daria de tudo pra ter ao meu lado novamente. Todos ali, registrados em uma fotografia. Carnaval de 2014, o dia do piquenique na Quinta da Boa Vista, foto com os meus avós enquanto meu avô era vivo... Eu acho incrível o poder que uma lente tem de gravar momentos e torná-los eternos pra nós. Sempre achei que sou uma pessoa um pouco apegada demais ao passado, sabe? Digo, não literalmente, mas digamos que não consigo excluir aquela foto lá em 9 de novembro de 2014 onde eu, meus primos e nossos amigos acabamos no Posto Ipiranga no fim da noite comendo pizza; ou aquela foto do dia 30 de março de 2014 onde eu e meus amigos do “Bitch Please” fomos na melhor Glow in The Dark... Sempre fui apegado a esse sentimento de nostalgia. Sempre fui apegado a essa coisa de olhar uma foto e saber que naquele momento, tudo estava bem, que apesar de quase não nos falarmos mais, pelo menos naquele dia, naquele ano, todos estávamos juntos e nos divertíamos sem pensar no futuro.
Como diz meu velho amigo Ed Sheeran: Nós mantemos esse amor numa fotografia, nós fazemos essas memórias pra nós mesmos, onde nossos olhos nunca fecham, nossos corações nunca estiveram partidos e o tempo está congelado para sempre.
Ahhh, o tempo... Que ele deixe guardado apenas as boas lembranças. Que quando eu olhar pra trás, por mais que eu deseje voltar no tempo, veja que eu só fiz escolhas certas, que percorri o melhor caminho, e que no final, eu fui feliz. E o tempo que se encarregue de me fazer feliz, de me fazer desapegar de detalhes.
Mania de jogar o cabelo pro lado. Mania de sorrir quando sente alguém olhando demais. Mania de coçar os olhos e olhar o visor do celular como se houvesse chegado alguma coisa e não viu. Mania de estudar escutando música e revirar os olhos sempre que escuta, ouve ou vê alguma bobagem. De sorrisos, de olhares, de vozes e cheiros. Mania de achar que nem tudo é aquilo que se vê. De imaginar situações com quem nunca viu e se arrepiar, sorrir, se desesperar por isso. Mania de fechar os olhos antes de dormir e te desejar boa noite em pensamento, dorme bem, sonha comigo, te quero muito e bem.
Caio Fernando Abreu. (via repensarei)
during and after a period
A verdade é que a gente sempre acha que, depois de um estrondo, aquele zumbido no ouvido nunca vai passar. Mas passa. Quando menos esperamos, acaba. Nenhum dano pode ser tão permanente assim na vida. A única morte que mata é a dos órgãos. De todas as outras - de amor, de medo ou de dor - a gente revive na manhã seguinte. É certo que o sol pode demorar a raiar, de semanas à décadas, mas que a lua sempre dará lugar a ele, uma hora ou outra, todo mundo está cansado de saber. A verdade é que existe sempre um outro alguém por quem vale à pena escrever uma prosa e um outro sorriso pelo qual vale à pena sorrir. A gente sai de um quarto escuro achando que a visão será para sempre manchada, mas não. Não se sai intacto de um baque, mas se sai vivo. E cada resto de vida, ainda é vida. Apesar dos danos, das deficiências e dos pedacinhos que a gente vai deixando pelo caminho, existe sempre uma prótese pra consertar. Porque morrer a gente morre todo dia, se não for de dor de dente, é de dor de cotovelo. Mas e daí? quem é que sabe de quantos epitáfios toda uma vida é feita? A verdade é que a cada dia que a gente acha que morre e encontra uma frase perfeita para um discurso póstumo, a gente renasce e descobre que, não, não é para tanto. A gente renasce e descobre que ainda estamos distantes do fim. E talvez a gente morra na manhã seguinte de novo: se não for de medo, é de fome. E, no entanto, tudo segue intacto no restante do universo. Cabe a nós descobrir os outros sonhos para sonhar, outros caminhos a seguir e outros amores pra amar. A verdade é que a gente sempre acha que vai morrer de amor, mas, na verdade, é disso que a gente vive.
Rio-doce (via slo-w)