New York | Jess & Charlie
Ele ficou olhando para a menina e sentiu um nó na garganta se formar ao perceber que ela também queria chorar. Não sabia porque queria chorar, já que a menina estava sorrindo e falando com ele como um tom meio brincalhão. Talvez fosse o fato de ele saber que muitas coisas ruins estavam acontecendo e que Jessica estava sofrendo muito com aquilo.
Se aproximou dela lentamente e sentou na cama onde ela havia indicado olhando primeiro para um ponto qualquer a sua frente sem prestar atenção. Ele tinha medo do que Jessica iria lhe contar. Ele sabia que havia pedido para que ela fosse sincera com ele sempre, mas naquele momento ele queria continuar acreditando que ela estava apenas doente e que nada de muito grave havia acontecido para que ela ficasse daquele jeito.
— O que aconteceu? — perguntou voltando o olhar pra ela. Queria saber logo, matar a curiosidade que crescia a cada segundo. Ele segurava a mão da menina que antes estava estendida para ele. Ela estava fria. — Por que o… Kyler ficou aqui por tanto tempo? — continuou dando uma pausa para lembrar o nome do garoto. — Por que ele tava tão triste?
Jessica continuou segurando a mão do garotinho, e quando ele subiu na cama, se sentando de seu lado, ela o puxou para si, mas ainda o olhando diretamente nos olhos. Ela se lembrava do dia que sua mãe morrera e seu pai lhe contara de qualquer jeito. Ela sabia e conhecia muito bem o poder que uma frase poderia ter em uma pessoa, então não, ela não lhe contaria assim do nada, muito menos acabando com a calma e tranquilidade que ele deveria estar sentido por ser uma criança.
- Eu não vou mentir para você, Charlie, mas não vou te contar em detalhes, tá bom? Acho que o principal é você saber que agora eu estou aqui, e é isso que importa, certo? Acho que o que aconteceu nos últimos dias não importa exatamente, porque o que temos aqui, agora, é que eu vou poder passear com você, ficar o tempo com você, como tínhamos combinado. O que você acha? Você quer isso, não quer? – Ela se virou mais para ele, estendendo a mão e passando pelos cabelos – Não importa o que aconteceu, agora o que importa é que eu estou aqui e tudo vai ficar bem. – Ela se inclinou sobre ele e beijou os cabelos castanhos dele. – E amanhã vamos pra praia almoçar lá na areia, o que você acha? Posso até mesmo fazer qualquer comida que você queira!
Era muito pouco e bobo, ela era ciente disso, mas ela tentava dar algum tipo de alegria para o garotinho sentado ao seu lado. Ele já havia perdido os pais e o irmão, não merecia perder mais nada.









