rodrigo pt. II
é engraçado porque sempre me perguntei o que o amor virava quando chegava o fim. eu descobri nas últimas horas que vira rancor; talvez, no futuro, vire um sentimento mais bonito. talvez não.
eu não me importo mais.
ontem eu te matei dentro de mim da minha maneira mais bonita; cruel, expansiva e performática.
no auge do seu fracasso, nem janelas de um carro velho eu tinha para quebrar. sem pneus, ou retrovisores… o meu celular antigo que você ainda usava, com a capinha que eu te pedi para não usar; isso ja serviu.
nós dois sabemos que aquilo era um jogo de ego. ali você provou da minha ira, enquanto eu me deleitava do jogo onde eu mesma ditava as regras.
você já havia dado muita risada no nosso enterro, meu amor. agora é a minha vez.
eu sei que a sua covardia é tamanha que tu sequer me encarou nos olhos. me questiono se tu teve a coragem de contar aos outros o que aconteceu de fato, mas boa parte de mim sabe que não.
você não sabia qual era o demônio no qual tu fez um acordo. maior que todos os outros, e bem mais vingativo. tu pintou da sua maneira, mas chegou a minha hora de bordar por cima.
não temos mais colher de chá ou migalhas pra você por aqui, querido. chega de cultivar ratos.
que venha a fome e tu possa perecer me chamando de megera aos quatro ventos. tu não sabe ainda, mas eu adoro esse pedestal em que tu me colocou.
adoro a incerteza da proxima loucura e o medo no olhar. que eles te adoeçam no processo de tentar racionaliza-los. que suas inseguranças garantam que eu não cruze com você nem em pensamento, mas caso ocorra, se prepare para rezar. você vai precisar.














