Não pode evitar olhar para as pernas da garota, Victoire sempre foi alguém por quem nutriu algum sentimento, talvez o mais forte que já chegou a sentir por alguém, os dois viraram coisas muito intensas no passado, e era bom ver que ela estava bem e em sua versão mais nova. - Acha que eu deixaria prenderem você? - Riu, apoiando o violão no colo. - Lembra daquela vez em que a gente tocou num porão fedido e a policia chegou e saiu prendendo todo mundo? - A memoria o fez devagar por um instante. - A gente fugiu pela janela do banheiro feminino, eu te ajudei a pular porque você era pequena demais para alcançar a janela. - Riu novamente, voltando a atenção para a morena. - Bem, eu acho. - Deu de ombros. - Só preciso me acostumar com isso de ser novato de novo. Mas e você, como vai? - Encarou o violão em seu colo, posicionando-o e dedilhando alguns acordes aleatoriamente. - Eu não tenho nada ainda, pra ser sincero fazem uns anos que eu não toco violão, mas talvez eu toque alguma coisa, se você cantar, é claro.
Depois de desperta, victoire também se sentia mais consciente ao que acontecia ao seu redor, sobretudo ao olhar e as lembranças que lhe provocavam um arrepio na nuca. "a gente sempre foi bom em escapar." menos um do outro, ela riu, observando o passado e presente se dobrando em uma mesma linha temporal como uma folha de papel, um origami. "deus! eu sinto falta até desses porões, com cheio de pizza velha e fumaça." e drogas, variadas e a todo momento. fez uma breve careta, embora ainda fumasse maconha, se sentia um pouco mais careta depois de virar mãe. "eu ainda não sei como conseguimos passar por aquela janela, gatinho, era tão apertado! e depois caímos na risada deitados no gramado... eu não lembro de como voltei pra casa aquele dia, onde nós dormimos?" relembrando ela conseguia quase saborear o gosto do passado, doce e azedo, como uma raspadinha tomada no verão e você precisa aprender a lidar com todo o calor. "vamos ter que aprender todas as matérias de novo." chiou em reclamação, se espreguiçando como um gato na cadeira. "eu tô bem, tentando me acostumar com essa loucura." deu de ombros. "é só escolher a música." assim como a maioria dos artistas da atualidade que escreviam sobre sua vida, victoire se recordara de músicas que havia escrito pra ele, poetizadas até que se pudesse descartar detalhes muito óbvios, tornando-as quase que irreconhecíveis, e então se lembrou que naquele espaço tempo as canções sequer existiam mais.

















