Franziu levemente o cenho, desconfiada por ele estar tão desesperado para mostrar que não havia roubado nada, realmente muito suspeito. Ela usava a visão periférica para ter certeza que nada estava fora do lugar, tendo certeza que ele não havia roubado nada, mas... Ainda poderia ser um bisbilhoteiro, e Joji odiava fofoqueiros, mesmo que trabalhasse com alguns no futuro, só pra poder ameaçar mais pessoas e ter mais dinheiro. — Está tudo bem! Não falei que você é um ladrão, isso partiu de você, na verdade. — Sorriu largo para o rapaz, enquanto seus olhos corriam por cada ponto do rosto e corpo dele, memorizando e categorizando, igual fazia com seus códigos. Era um pouco difícil, não poderia negar, já que ele tinha um rosto bonito, porém que se perderia entre os outros estudantes. Um suspeito do caralho. — Ah, entendo! Faz sentido. — Não fazia sentido. Todos os dormitórios haviam sido evacuados, e os alunos que moravam nas dependências do campus foram realocados. Toda a história dele não batia, e o maluco parecia não querer cooperar. As opções de Jocelyn aumentavam enquanto ela calculava qual passo dar, até descobrir exatamente o que ele queria naquele quarto. Era um tarado, talvez? — Louise? É esse seu nome? — Perguntou com as sobrancelhas arqueadas, mas oferecendo outro sorriso em seguida. — Ele é bem exótico. Imagino que seja comum um nome britânico feminino virar um nome masculino no Brasil. — Deu uma risada baixinha, mas não soando desdenhosa. — Sou Jocelyn, mas me chamam de Joji, muito prazer em te conhecer, Louise. — Estendeu a mão para ele, um convite aberto, seguido dos melhores sorrisos que ela poderia oferecer naquele momento.
Luís coçou o queixo diante das palavras da moça, tendo certeza que uma americana jamais entenderia que ele vinha de muito longe e era bolsista, e qualquer passo em falso que desse naquele momento poderia ser o adeus definitivo ao seu sonho de se tornar um químico respeitado, não só no Brasil, como em todo o mundo. - Desculpa, mas eu prefiro logo me justificar do que correr o risco de ser acusado de alguma coisa. - Deu de ombros. - Sou Bolsista e eu acabei de chegar por aqui, sabe... - Apesar de parecer simpática, aquela moça tinha uma aura estranha e Luís podia sentir, se fosse o homem aranha poderia dizer que o seu sentido aranha estava totalmente em alerta naquele momento, embora ela não aparentasse ser nada além de uma garota inocente e receptiva. - Não, não. - A corrigiu, um tanto ofendido por ter sido chamado de Louise. - Meu nome é Luís Gabriel da Silva. - Respondeu em seu sotaque brasileiro carregado. - São os britânicos que gostam de enfeitar os nomes, Luís é bem masculino lá de onde eu venho. - Ele aceitou a mão dela, apertando-a em um cumprimento mais forte do que esperava. - Joji, prazer!
















