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all your lies are spinning round my head — (bubblegum & marceline)
Toda a fuga de Marceline foi acompanhada por risos mais leves da princesa, ao que os próprios passos estacionavam e ela se contentava em observar. O que era apenas uma bolha indefesa (ao menos naquele estágio), tinha a inacreditável capacidade de deixar logo a vampira mais irritadiça ainda mais incomodada do que ela já era, num geral, com tudo ao seu redor. De certa forma, o comportamento pendia ao adorável, ainda que nada viesse escapar na voz da infanta.
— Marceline, é apenas uma bolha!
O riso foi ainda mais livre quando a vampira se escondeu atrás da própria figura. A bolha retornou, atraída pela criatura noturna, e a princesa cometeu o erro de cutuca-la mais algumas vezes – o que deveria ser uma provocação direta à ex-namorada acabou voltando-se contra a cientista igualmente.
A consistência transparente se expandiu de forma inesperada após apenas dois toques e, no avançar que a experiência fazia na direção de Marceline, a mesma acabou por englobar as duas com a sua película translúcida. Não era apenas a vampira quem flutuava, agora.
— Bom… Essa é novidade.
Seu resmungo era o começo de um processo de raciocínio para compreender o que havia naquela bolha que tanto a fazia se comportar daquela forma; o cenho franzido voltava, ao que a princesa doce tocava o próprio queixo em concentração.
— É uma bolha muito chata! A resposta quase infantil para quem tinha mais de mil anos vinha exatamente pela irritabilidade à flor da pele, que parecia intensificada todas as vezes em que ela se encontrava com a tal princesa, ainda que as sensações reconfortantes de tê-la em sua presença fossem melhores e maiores do que aquela tão incômoda. Cada cutucar de Bubblegum na bolha era responsável pelo revirar de olhos impaciente de Marceline, no entanto ela não pareceu encontrar forças para que se afastasse do perfume doce proveniente dos cabelos róseos. Gigante erro. Antes que pudesse perceber o que se passava, já estava englobada pelo tal brinquedo da realeza, o que ocasionou no rosto impassivelmente descontente da vampira. — Novidade?! A questão veio um tanto quanto atrasada, mas somente porque a compreensão do que aquilo significava tardou a lhe pegar. — Isso significa que você não sabe o que fazer pra arrumar?! Não tem graça, Peebs! Sem demoras, a morena passou a socar as paredes da bolha.
all your lies are spinning round my head — (bubblegum & marceline)
A careta de Marceline foi encarada ainda junto da faceta convencida da cientista, como se ela estivesse à espera do fim daquele showzinho por parte da vampira; uma vez que a dita noturna se colocou em movimento, a princesa abandonou a caixinha de madeira na beirada da bancada e acompanhou o movimento da experiência e da outra garota. O susto da morena a deixou entre risos muito mal disfarçados.
— É, ela é quase perfeita.
Ao reiterar a condição da bolha, a própria Bubblegum ousou cutucar a superfície tênue da bolha, que cresceu ainda mais, antes de flutuar com mais velocidade para perto de Marceline. A estranha mas curiosa atração do projétil à rabugenta criatura a divertia mais do que tudo.
Seu olhar recaiu para a princesa, com a frase mencionada por ela. Em devaneios e divagares silenciosos, seus pensamentos tomaram rumos completamente opostos àquela bolha irritante. Coisa que viria a ter pouquíssima duração, levando em consideração que tão logo que abaixou a guarda, o tal brinquedo veio lhe procurar. — Que é isso?! Sem dar abertura para possíveis respostas, a vampira flutuou com mais pressa de costas para seu caminho, o que de nada adiantou para o rumo que a bola tomava. Correu acima do chão até que se posicionasse atrás da garota de cabelos rosas, apoiando as mãos nos ombros da mesma e empurrando-a com suavidade na direção da bolha grandiosa. — Arruma suas coisas quebradas aí, princesa! Ninguém curte brinquedo quebrado!
all your lies are spinning round my head — (bubblegum & marceline)
Aquela brincadeira que tomou os traços da princesa caiu por terra, uma vez que a resistência da outra vinha como uma parede de concreto a qualquer investida sua. Um revirar de olhos e ela ignorava o comentário sobre suas experiências anteriores, afinal, tinha mesmo feito coisas melhores – mas estava literalmente fazendo brinquedos, naquela ocasião em especial. Haviam limites, e a única bolha que conseguira fazer dentro dos seus conformes não era lá o exemplar mais indicado para crianças.
— Nem você vai conseguir estourar ela.
O desafio soou na voz de Bubblegum, enquanto ela deixava a proximidade com a morena e seguia a um dos armários que preenchiam as paredes de doce. De lá, tirou uma caixinha de tamanho mediano, pouco mais do que a própria mão, de madeira e até bem comum. Até mesmo a bolha que revelou, ao abrí-la, parecia mais do que ordinária. O que não foi o bastante para segurar o sorriso convencido no rosto da cientista, uma vez que o objeto aparentemente tão frágil começou a flutuar à sua frente.
Sua carranca se formou quase imediatamente, uma vez que a princesa voltou a se afastar, fazendo com que um suspiro inaudível e insatisfeito escorresse pelos lábios de Marceline, no instante em que ela voltou a cruzar os braços e agravar seu desinteresse. Se a intenção era ficar perto da garota, aquilo já tinha chegado ao fim. Em traços mais infantis, então, a vampira chegou a remedar a frase pronunciada por Bubblegum, revirando os olhos enquanto abria e fechava os lábios em caretas visíveis e evidentes. Ainda assim, ao avistar a bolha de sabão, se tornou inevitável a curiosidade que a arrematou, refletindo no flutuar lento que a morena fez até chegar no dito brinquedo. Quando tocou a bolha, a expansão da mesma resulto no afastar súbito da mais velha. — ... Era pra isso acontecer? Apesar de sua curiosidade ser latente, as expressões impassíveis coexistiam com a forma com que ela se aproximava da bolha, mas sem tocá-la, daquela vez.
all your lies are spinning round my head — (bubblegum & marceline)
A imagem do monstro não a surpreendeu por acontecer, mas pelo quão repentino foi – por isso o pulinho para trás, que foi imediatamente corrigido com passos mais diretos junto à sua bancada de experimentos. A garota reagia bem como sua personalidade já deixava prever, mas a princesa ainda a enfrentaria quantas vezes fosse, independente da variedade de monstros que a outra tinha a habilidade de incorporar nas suas extremas reações à contrariedade. Mas quando não havia a parede de resistência da vampira, fosse em forma de escarnio ou ira, nem mesmo a princesa doce conseguia ignorar – visto o porquê de começar a explicar-se para a morena.
— São bolhas que nunca estouram, pras crianças do orfanato. Elas precisam de brinquedos novos, pra animar.
A explicação vinha conjunta da expressão da princesa suavizando, com o interesse claro durante suas palavras. Era por essas e tantas outras que ela via ciência como algo tão importante, pelas inúmeras possibilidades.
— Eu consegui uma quase perfeita, até. Quer ver?
Ao questioná-la, umas das sobrancelhas se erguia tal qual em desafio e orgulho próprio, explícito.
Enquanto ela falava, era inevitável que Marceline tivesse a atenção em qualquer outra coisa que não exatamente as palavras da princesa. Quando compreendeu exatamente do que se tratava, uma das sobrancelhas se ergueu no semblante da vampira, enquanto ela tornava a cruzar os braços abaixo de seus seios. — Bolhas...? A pergunta veio lotada de um escárnio visível, enquanto seu flutuar a levava de volta até a rósea garota, mantendo o corpo ainda acima do chão, mas com a fronte basicamente emparelhada àquela que não era própria. — Você já fez coisas melhores, Bonni. Mantinha o cruzar dos braços e as expressões superiores que tanto faziam parte da personalidade vampiresca. — Não. O indicador cutucou a pontinha do nariz alheio, antes de voltar a se colocar totalmente no chão, mas ainda naquela proximidade dispensada sobre a ex-namorada, segundos atrás. — Não quero ver bolha nenhuma, coisa tosca. O revirar de olhos veio junto com o pender do quadril feminino para a lateral, quando ela apoiou as mãos no mesmo.
— Que mais você fez de interessante? ‘To entediada.
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À replica da vampira, Bubblegum não pensou nem mesmo em responder, já que o rosto fechado o fazia mais do que suficientemente. E sua próxima ação, aliás, foi correr atrás da garota e rearranjar a maioria das coisas que ela tão irritantemente tirava do lugar – claro que, num determinado momento, a zanga foi grande o suficiente para estalar um tapa na mão acinzentada.
— E você quer mesmo saber?
No que reconhecia e se recordava, a princesa buscou deixar tudo novamente na sua ordem e local próprios, enquanto os que pareciam perder seu rótulo na sua mente eram, infelizmente, descartados. Ao que se livrara de um ou dois vidrinhos, o olhar mais cerrado em lançamento de culpa era voltado à garota junto de si.
Não por irritação, mas sim por susto, quando teve a mão atacada pelo tapa ardido, a vampira se transformou no grande morcego em um ríspido grunhido que durou pouca coisa mais do que um segundo, levando em consideração que rapidamente ela voltava à sua imagem natural. Seu suspiro veio sonoro, enquanto os olhos avermelhados direcionavam de volta à princesa e seu questionamento. A resposta era um dos “não” mais simples que a vampira poderia dar, mas ela se calou e deu de ombros. — Quero, não tem mais nada pra fazer, mesmo. Apesar de sua ríspida resposta, a intenção de Marceline era ficar um pouco mais na presença de Bubblegum sem revelar suas reais vontades. Enquanto a rósea garota se ocupava em arrumar a bagunça realizava por ela, a rainha voltou a flutuar à centímetros do chão, apenas para que a observação do rosto alheio fosse facilitado.
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Os cabelos volumosos foram presos junto da sua nuca, os olhos protegidos e auxiliados pelos óculos arredondados e o corpo coberto pelo jaleco – todo cientista precisa do seu jaleco! – antes que Bubblegum arrastasse as mangas do tecido branco até seus cotovelos, pronta para mais umas horas de experiências e, com um pouco de sorte e muito raciocínio, alguma descoberta. Muito otimismo e concentração depois, bem, algo deu errado.
Não era a primeira vez que, no silêncio de todos os seus experimentos, algo rompeu numa pequena explosão e fez voar na parede mais próxima a mancha escura de uma substância entre o líquido e o pegajoso, chamando a atenção na cor verde escura que escorria ali – mas era especialmente raro que um riso feminino viesse junto da reação química.
A princesa se virou, com os ombros cedendo sob o peso da decepção com a própria experiência, e as expressões todas tensas ao confrontar primeiro comentário que a vampira cedia, sem perder a oportunidade de apontar seus erros. Porque diabos ela estava ali?
— Toda ideia precisa ser elaborada, Marceline.
O tom de voz vinha irritadiço, fossem com o comentário depreciativo da outra ou mesmo a presença não-anunciada da garota que devia ter passado pelos seguranças sem que os mesmos ao menos notassem – tanto por segurança. Enquanto ela retirava os óculos e deixava o cenho franzido falar por si, ela observava a garota que flutuava nas sombras era seu foco de atenção.
Ela riu uma nova vez, ao ouvir a frase tão típica da princesa. Sua cabeça veio em movimentos negativos, quando ela flutuou um pouco mais para baixo, se aproximando do tal experimento. — ‘To vendo. Mas qual a novidade, né? Em ousadia evidente, os caninos foram expostos num sorriso satisfeito, quando a vampira apontou para a mancha escura sobre a parede de doce. Desceu completamente, apoiando seus coturnos no chão ao caminhar até a mesa. — O que você ‘tava tentando fazer dessa vez, princesa? Suas sobrancelhas altearam tão logo que o pronome de tratamento escorreu cinismo pelos lábios de Marceline. Não obstante, suas mãos inquietas passaram a mexer em todos os tubos de ensaio e provetas que via em sua frente, mudando-os de lugar apenas pela diversão de ver a ex-namorada irritadiça com seus feitos.
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Já era tarde da noite quando Marceline decidiu que suas notas musicais já não mais serviam para lhe entreter e o telefone foi tomado em mãos para que ela ligasse para Jake e Finn. Sem resposta, deixou uma mensagem na caixa postal e resolveu que iria aguardar por algum retorno. Impaciente, como lhe era de praxe, o aguardo feito enquanto flutuava sobre sua cama, durou pouco mais do que cinco minutos, até que ela decidisse sair de casa e visitar o Reino Doce. O Reino Doce sempre trazia histórias e diversões, desde que se lembrava. Não demorou até que se escondesse dos guardas inúmeros e invadisse o cômodo principal da princesa, que se ocupava em seus experimentos sem sentido. O flutuar era principal auxílio para que não fosse vista de imediato, no entanto quando notou o erro cometido pela garota de cabelos rosa, a vampira não evitou o riso nasal audível que se formou nas facetas azuladas. — Muito bom, Peebs. De costas para o chão, os braços se cruzaram e os olhos vermelhos mantiveram a observação em Bubblegum.