guess what, iâm not a robot; garrett & kate
eletricgirl-katie:
âSenhor, um Armani nunca Ă© barato.â deu de ombros sorrindo. Katherine sabia conhecer de longe marcas de roupas cara, odor de perfumes caros e se uma joia era verdadeira ou nĂŁo sem precisar pegar nela. Depois que seu pai começou a ficar rico, ela soube reconhecer cada peça nova que ele comprava, e como vivia no meio de pessoas ricas, tambĂ©m conhecia os gostos de cada um. O Senhor Reyes ali parecia ser um cara egocĂȘntrico, talvez um pouco mimado por natureza, tinha bom gosto pra ternos e com certeza muito dinheiro pra comprar os mais caros.Â
Katie andou para a mesa de comes e bebes e parou de frente pra ele o olhando com uma sobrancelha arqueada e pronta pra rir. âE vocĂȘ acha mesmo que isso Ă© bom pra mim? Experimenta ficar 72 horas acordado fazendo cirurgias de horas e tendo que ficar em pĂ© tem fraquejar um minuto. NĂŁo que eu nĂŁo goste da minha profissĂŁo, mas meus plantĂ”es me permitem as vezes duas horas de sono seguida sem interrupçÔes. Ou seja, eu realmente preferia um outro cirurgiĂŁo⊠na verdade nĂŁo iria adiantar, eu sou a melhor daqui.â a arrogĂąncia soava de um modo tĂŁo suave e natural quando Katherine falava que era um fato a ser estudado, algumas pessoas podem atĂ© achar bonito. Ela admirava a âboa vontadeâ do homem em doar para o hospital, mas nĂŁo passava disso jĂĄ que mais doaçÔes seria mais melhorias e mais pacientes e mais trabalho, menos tempo de folga, mais com o que se preocupar. Sim, mesmo tendo a personalidade que tinha, Katie se preocupava com seus pacientes de forma geral.Â
âE sim, eu tenho algo pra tirar esse chantili barato do seu lindo Armani.â girou os calcanhares em direção a mais alguns apetrechos, pegou mais uma toalhinha e um recipiente de ĂĄlcool vol. 10. Chegou mais perto dele, tirou o terno e despejou o ĂĄlcool sobre a mancha, esfregou um pouco com a toalha limpa fazendo o chantili parecer que nunca havia tido a honra de encostar no terno alheio. âSĂł vai ficar com cheiro de hospital, mas tenho certeza que a sua lavanderia dĂĄ jeito.â entregou o terno ao homem.Â
NĂŁo negou a expressĂŁo de surpresa que surgiu em seu rosto, mediante a afirmação da outra. Talvez por ter passado tanto tempo criando uma imagem que associava assalariados com ignorantes, nĂŁo acreditava que estes eram capazes de reconhecer a origem de um terno como aquele. Talvez aquela loira fosse mais cheia de segredos do que ele sequer imaginava. E, se havia algo que prezava nas pessoas, era a capacidade de surpreendĂȘ-lo. No rumo em que seguia, era sempre raro encontrar alguĂ©m que pudesse realizar tal feito. Deu apenas um leve sorriso em resposta, uma vez que a outra jĂĄ engajava em um assunto diferente. E nĂŁo podia culpa-la, claro. Ele mesmo nĂŁo ficaria feliz se alguĂ©m, num ato de âbondadeâ, simplesmente aumentasse ainda mais seu itinerĂĄrio de trabalho. Mal tinha tempo de descansar atualmente, afinal.
Soltou um risinho. âAdmiro sua sinceridade. Tenho certeza que a maioria dos funcionĂĄrios daqui tambĂ©m nĂŁo estĂĄ feliz, mas tem medo demais de mim para dizer alguma coisa.â Deu de ombros. âĂ bom saber que ao menos uma pessoa eu nĂŁo assusto.â NĂŁo necessariamente, jĂĄ que seu espĂrito dominador era, de longe, seu maior trunfo. SĂł que, depois da semana infernal que tivera, era bom conversar com alguĂ©m que nĂŁo parecia um filhote desmamado na sua presença. Surpreendeu-se com a agilidade alheia, recebendo um terno quase novo em poucos segundos. Indagou-se mentalmente se era comum mĂ©dicos carregarem parafernĂĄlias para todas as situaçÔes, mas duvidou. Provavelmente uma de muitas facetas que a loira tinha. âObrigado.â Agradeceu, gentilmente, enquanto punha o turno novamente; sentindo-se revigorado. âMas como foi que fez isso?â Perguntou, com certa curiosidade, imaginando que milagre ela havia performado no seu Armani. âQuer saber? Tanto faz. Fico te devendo uma.â Soltou, involuntariamente. NĂŁo pretendia pagĂĄ-la, claro; mas achou que fosse apropriado a situação.











