“Eu achava que ir embora era uma escolha. Daí eu te conheci e aprendi um pouco sobre álgebra linear e constelações, coisas que eu nunca tinha estudado na vida. Aprendi mais sobre as linhas das suas mãos e o contorno do seu quadril quando eu virava pra dormir e se encaixava perfeitamente em você. Aprendi que alguns dias são mais leves que outros, mesmo que pareçam iguais, talvez por causa da aura de esperança que brilhava em torno da minha alma quando você estava por perto. Aprendi que ir embora não é uma escolha, nunca consegui sair disso. Me via obrigado a ficar. Ai eu te perguntei quem era aquelas pessoas nas fotos e você já tinha decorado todos os nomes das minhas pessoas favoritas. Aprendi que o amor mora dentro da intimidade. Aprendi a pregar quadros na parede e a fotografar momentos na memória. Daí um dia você decidiu que não era eu. Não era comigo. Não tinha mais graça. Não tinha mais telefonemas. Não tinha mais saidas. Desaprendi a olhar as estrelas e o ponteiro da bússola quebrou. E você desprendeu a gostar de mim. Foi aí mesmo que aprendi que ir embora não é uma escolha. Quase nunca é. Eu não pude escolher ficar, ir embora foi tudo o que me restou…”
— Hariel Santiago

















