A alguns dias atrás Chiara havia recebido uma ligação do internato onde sua mãe estava. Com a ligação, viera também a preocupação. A internação havia aumentado o valor, bem mais do que nos últimos meses, já que com o que recebia conseguia pagar as mensalidades. Porém agora tudo havia mudado, tal valor era absurdamente mais alto e com isso teria de triplicar seu trabalho, mas pensou na solução só após de uma das suas maiores crises de choro, mas não se deixaria abater por negatividades ou amores doloridos, seguiria firme e daria seu jeito. Conseguira com seu chefe um horário a mais, no da madrugada, seriam quatro dias da semana em que iria trabalhar até raiar o sol e logo em seguida trabalhar a tarde. Graças a amiga, Pandora, conseguira entrar de penetra na festa de casamento naquele noite, o que fora de grande alívio para Chia. Tudo bem que não pudesse ficar até mais tarde na festa, se divertiria independente do que o mundo lhe empurrasse, iria curtir. As horas mal passaram e lá estava a garçonete, já pronta para o trabalho, ajeitando o cabelo que por estar cuidado para o casório não conseguia se manter firme. Nem mesmo passara em casa, não qui ir em casa e resolvera trocar-se no banheiro da festa. Ouviu o pequeno sino da porta soar enquanto amarrava o avental em seu quadril, de costas para a pessoa que adentrava já que os lábios prensavam a caderneta de pedidos. A voz que viera atrás de si fizera o franzir da testa surgir, como se não entendesse que aquilo estava sendo falado para ela, retirou a caderneta dos lábios e virou-se lentamente. Olhou primeiramente para os lados e depois para o loiro à sua frente. Ele. Por alguns segundos ficou em silêncio, capitando mesmo se a fala lhe estava sendo dirigida. O loiro que sempre se sentava no canto com os amigos, que até então apenas lhe agradecia por servir os pedidos, agora falava muito mais do que um “Obrigado”. Respirou fundo e umedeceu rapidamente o lábio inferior. “Sim… Quer dizer… Não que possa ser exatamente como você, mas sei como é a sensação por tudo o que já passei na vida. No final de tudo, aprendi que você tem que se agradar. Não que isso seja egoísmo, não, muito pelo contrário. Você de bem consigo mesmo, o mundo te sorri.”
Derek ficou um bom tempo fitando a mulher, sem entender porque não havia qualquer tipo de resposta, nem que um mínimo comentário qualquer lhe mandando parar de ser um moleque reclamão, afinal de contas, ele era nitidamente o esteriótipo de homem que tinha tudo e o famoso sobrenome Beuamount não o deixava escapar disso. Quando as palavras acabaram por finalmente sair da boca da mulher, Der se sentiu praticamente aliviado, ao menos poderia ter uma conversa qualquer, ainda que fosse com uma completa desconhecida. Fitou a moça com atenção, ouvindo o que ela tinha a dizer e acabou por balançar a cabeça positivamente, ele concordava, ainda que se agradar fosse extremamente complicado considerando sua família e todas as aparências que era obrigado a manter, afinal, não podia sair por aí cometendo loucuras. - É uma frase muito bonita e eu sou obrigado a concordar com ela, contudo, em termos práticos, eu creio que dificilmente funcione assim. Digo, o mundo é um lugar verdadeiramente complicado, emanar boas energias e estar de bem consigo se torna bem difícil quando as coisas não conspiram exatamente ao favor. - Comentou, olhando para baixo, brincando com os próprios dedos por um certo tempo, antes de retornar a sua atenção para a mulher. - Você é nova aqui ou coisa assim, acho que nunca te vi por aqui. - Questionou, franzindo o cenho. - De qualquer forma, lamento muito por você ficar escutando minhas lamurias, eu devo parecer um menino mimado falando assim, afinal...De qualquer forma, eu sou Derek e eu queria um cortado, por favor.