Em certas ocasiões, Erika deixava-se ceder à vontade de passar um dia alheia a qualquer situação presente. Tais dias eram, geralmente, acompanhados por um copo de uísque, às vezes uma partida de xadrez com sua velha amiga, ou até mesmo nada além de seus pensamentos.
Introspecção, em seu caso, era algo a ser tomado com cautela – suas reflexões poderiam muito bem levar a novas idéias com relação à situação mutante, mas também era possível que tomassem o rumo perigoso de suas memórias, de Anton. Ignorar seu passado provara-se uma tarefa difícil, mas não mais do que lidar com ele.
Sentava-se em um banco, parecendo contemplar nada além das nuvens mesmo que sua mente estivesse assimilando cara detalhe que seus olhos não viam, cada variação nos campos magnéticos e na atmosfera e tudo, mesmo sabendo que seu ápice fora há décadas. Não havia nada mais acalmante do que controle.
Sorriu para si mesma quando notou a presença não muito longe de onde estava, mas cuja atenção parecia estar focada nela.
“Não é educado espiar os outros, jovem.”
Um dos passatempos favoritos de Willy era andar sem rumo pela cidade. Nova York era um lugar grande, mais grande ainda quando você não tinha noção de tempo e espaço. As ruas pareciam aumentar e desaparecer como se magicamente a cada dia. Willow gostava pensava que pelo menos com esse tipo de mágica ela poderia se acostumar.
No momento, suas mãos se encontravam esticadas, as palmas para o lado enquanto as roçava levemente por um arbusto de flores. A morena não se lembrava muito bem de como fora parar no jardim, mas não era como se ela ligasse para detalhes como esse.
Um detalhe para o qual ela ligava, porém, era a mulher sentada em um banco, a apenas alguns metros de si mesma. E o motivo estaria óbvio para qualquer um no mesmo jardim: ela era espantosamente parecida com Magneto. Se isso não bastasse, havia algo ao seu redor, um tipo de energia tão forte que até mesmo Willy a detectava. Poder. Se não de forma literal, então por seus traços, por seu comportamento.
“O quê?” Respondeu automaticamente ao ter uma voz dirigida a si. “Não, eu não estava...” Ela completou, gesticulando com as mãos ao se aproximar lentamente da mulher. “...Me desculpe?” Sua voz era hesitante, como se não soubesse bem o que falar. Ela realmente não sabia.