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O sol malemá havia aparecido nos céus, entretanto a garota já estava muitíssimo bem desperta, as vestes (naquele dia tratou de trajar um uniforme marinheiro rosa e tênis plataforma pretos, a mesma cor do sweater posto em seus ombros) sem um vestígio sequer de amassos e os cabelos… Os cabelos eram um caso à parte. Nunca os penteava.
Ela corria como se sua vida dependesse daquilo, até que esbarrou sem querer num imberbe - mas, antes que pudesse se desculpar, fitou uma movimentação alguns metros dali. Tentou processar a conjuntura e se voltou ao rapaz: "Foi mal!", exclamou com as mãos na cintura e a testa franzida ao ver a aparência do desconhecido: pele muito pálida, rosto com espinhas, cabelo preto e olhos castanhos. Algo nele chamara sua atenção, só não sabia o quê. Por obséquio antes d’eles terem se esbarrado ele estava resmungando alguma coisa?
De qualquer forma, Xavier se viu bastante intrigada com o que ocorria mais à frente, portanto deu de ombros e pensou em ver o que acontecia. Só pensou. Aquilo não tinha nada a ver com ela! Então quis palrear com o garoto esquisito ao seu lado: “Já pensou em colocar um piercing?”
Afinal, ninguém era mais aleatória do que Xavier nesse mundo.
Excelente. Que dia excelente! Mal havia conseguido espremer o próprio cérebro em busca de uma desculpa e já fora atropelado por algo ou alguém. De início achou que tivesse sido derrubado por um cachorro grande, o que não seria novidade, mas não foi. Foi brutalmente atropelado por uma uma maluca que, de certa forma, o lembrou das menininhas perfeitas que via sua "irmã" imitar enquanto ouvia algum pop comercial. Seu dia realmente não podia ficar pior! Quer saber? Podia. Se seu frasco, contendo o precioso lanche, fosse quebrado, aí sim seria um dia terrível! Quis responder "Foi mal o cacete!" e até socar o rosto daquela garota, mas não fez por dois motivos: Ele não seria capaz de feri-la. Não por ela ser bonitinha e nem nada, mas por ele ser um fracote. Com uma certa demora para respondê-la, foi seco e direto: — Não e nem pretendo. — "E você? Já pensou em olhar para onde anda?" quis dizer. Seu dia realmente havia começado com o pé direito!
— Tome cuidado na próxima. — Disse ao se levantar de uma forma desajeitada. Por sorte não havia quebrado osso algum! Não que isso fosse algum problema, pois não era. O máximo que iria ocorrer era que o osso quebrado se refaria, porém ele teria ocultar a cena dos olhos de uma mera mortal. Quanto à dor, não existiria. Apenas sentiria um leve incômodo. — Pode machucar alguém. — "E me deixar louco de fome por sangue fácil." pensou consigo mesmo sem encarar a garota. A lembrança constrangedora do dia que roubara sacos de A+ bateu em sua mente, tal como a lembrança de quando fora parar em uma maca de hospital ao lado de um acidentado. Ah, aquela sim foi horrível! Passado o susto, ele arrumou melhor aquela mochila enorme sobre as costas magricelas antes de se por novamente no rumo. Pensando bem, sua vontade de ir ouvir as mesmas coisas de sempre havia sumido. Poderia muito bem matar aula se não fosse para ver aquela belezinha chamada Chloe, uma colega de classe. Talvez pensar na garota que tanto almejava o fez se distanciar daquela maluca que o atropelara em um passo de tartaruga e sem se despedir.













