Minha vida é permeada de ressentimentos. Até pouco tempo atrás, eu utilizava o termo "arrependimentos", mas não é isso. Não é que eu me arrependa, eu me lamento. Ou talvez eu me arrependa mesmo, dane-se. Enfim.
Veio à tona, em minha mente, a chave de toda a jornada até aqui. Eu chorei, brevemente, mas chorei. Como disse que voltaria, eu voltei aqui.
Eu sei porque eu não sou bom em decodificar meus sentimentos. Em me expressar, objetivamente. Mas, apesar de saber, eu não sei dizer. Porque o que eu mais gostaria de botar em palavras, é o mesmo que me leva à ruína. Repararam que eu disse "é o que me leva"? E não "é o que me levaria"? É porque é uma oferenda que a vida me deu.
Eu precisei me afastar de mim mesmo; criar uma versão humanamente suportável. Isso soa bastante clichê, olhos que leem o que escrevo, e sei que isso é algo que todos nós fazemos. Mas nesse caso, eu criei tantas camadas, que eu gosto de pensar que existo como oceanos coloridos e flutuantes em uma imensidão sem luz, nessas camadas eu já não sei mais quem eu era pra ter sido. Quem eu sou? Essa pergunta não abre espaço para respostas, a não ser que sejam respostas sem significância, como qual é o meu nome, o que eu faço, minha idade e afins.