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to the rescue || natalie, haziel & heather
A morena aguardou com paciência o outro atender a ligação, não tirando seus olhos do ambiente que a cercava. Ela ficara imaginando em que situação sua amiga se encontrava, por mais que as prisões de Dubai tivessem um pouco mais de luxo que as dos outros países; não havia outra emoção em seu âmago senão preocupação, algo que, por sua vez, em raras ocasiões de sua vida sentia por outro ser vivo — geralmente envolvia apenas suas missões ou objetos de valor —. Ela suspirou algumas vezes com impaciência. O estresse talvez estivesse esgotando sua calma, evaporando-a da exata maneira que o sol evapora a água. Muitas perguntas passavam pela cabeça da mercenária, e realmente teria entretido sua atenção com seus pensamentos se a voz de Haziel não tivesse trazido-a novamente ao presente enquanto conversava com o policial. A surpresa fora inevitável. Zachary Olympus liberou mesmo o dinheiro para soltar todos na prisão? Natalie não tinha conhecimento dos outros presos, mas sabia que tinha mais; afinal, haviam várias pessoas ali tanto da máfia grega, quanto da nórdica. Os egípcios foram extremamente espertos. Desgraçados, melhor dizendo. As sobrancelhas delineadas da morena se ergueram com a declaração de Haziel. “Eu ouvi direito?" Indagou com ironia. "Boas ações vindas de Zachary? O que ele está esperando, entrar na lista dos bonzinhos do Papai Noel?" Entretanto, Natalie sabia que tinha um plano por trás de tudo aquilo. Afinal de contas, o líder não era um ser de pouca inteligência; até porquê, se fosse, não teria alcançado um cargo tão alto numa máfia contrabandista de armas. "Bem. Ele foi esperto.”
O toque de Haziel fizera Natalie olhar para a mão do homem, e em seguida para seu rosto. Do fundo de sua alma, a garota não esperava nem em mil anos causar o sentimento de preocupação em alguém; ainda mais quando este alguém se chamava Haziel. O comportamento de indiferença dela deveria ser à prova de laços sentimentais, e o que diabos estava acontecendo com a mercenária nos últimos anos? A expressão em seu rosto se suavizou acompanhando a do Olympus, suspirando baixinho. “Sinto muito." Natalie tinha uma impressão de que, pela primeira vez em anos, estava se desculpando com sinceridade. O gesto de Haziel a fez se perguntar por um breve momento se já havia preocupado alguém; uma questão ingênua para uma mulher como ela, porém esquecia que também era humana. O toque se cessou, e a morena respondeu: "Hoje foi um daqueles dias que comprovam que uma mulher consegue, sim, correr de salto." Ela deu de ombros tentando descontrair a situação. Natalie também havia tentado encontrar Haziel no meio da confusão, porém eram tantas pessoas fugindo que quase fora pisoteada pelos grandes homens. Felizmente, a mercenária tinha ótimos reflexos e uma colega para puxá-la para longe do caos. "Eu… não podia deixar minha amiga numa situação dessa. Vim pra cá o mais rápido que pude." Era estranho confessar algo assim em voz alta, a morena sentia que estava expondo um ponto fraco dela; se importar. "Mas é ótimo que esteja aqui. Detesto autoridades.” Tentou contornar a situação com um sorriso no rosto.
Ainda segurando o capacete com a mão direita, ela cruzou os braços com um longo suspiro de impaciência, trocando o peso de seus pés. Era irônico para uma pessoa como ela se encontrar num departamento policial, envolvendo a justiça; não tinha aversão a mesma, sempre tentava agir de modo justo para com as pessoas — por exemplo, ela não matava um e deixava o outro vivo para viver traumatizado. Matava os dois —. Entretanto, o barulho das camadas de grades que separavam as celas com presos da delegacia, indicavam que estavam sendo abertas. Natalie automaticamente virara o rosto para fitar as figuras ainda algemadas passar por ali, e não se surpreendera ao ver Heather acompanhada por Henry, Felicia e Tayte. Ela dera um pequeno sorriso ao ver a amiga beirando o que poderia ser considerado ‘bem’, ou pelo menos inteira. A mercenária apenas aguardou que os policiais ali perto livrassem-na das algemas em seus punhos para se aproximar, colocando seu capacete de moto embaixo de um dos braços. “Você parece… Inteira." Pensara em dizer ótima, entretanto estaria mentindo para Heather; afinal, não era a melhor das situações. Queria dizer mais alguma coisa, mas não sabia o quê exatamente, então ficara em silêncio.
A fúria de Heather crescia a cada passo angustiado dentro da cela. Tentava em vão não se preocupar, pois sabia que seria inútil. Dali, não era sequer ouvida pelos policiais, os únicos no prédio capazes de agir. As tentativas de adivinhar o que acontecia fora da delegacia, se havia algum progresso para resgatá-la, não ajudariam. A noite parecia se resumir em ironias. Caso tivesse escapado com os outros, a Olympus saberia exatamente o que fazer. Tão logo considerou o assunto, sua mente tinha um plano objetivo e eficiente traçado, com cada detalhe do que faria para soltar as pessoas da Olympian presas, se não fosse uma delas. Se orgulhava da absoluta certeza de que, com a Cônsul em ação, ninguém a serviço dos gregos ficaria sob tutela da polícia por tanto tempo quanto ela mesma já estava. O conhecimento de como o problema se dissolveria facilmente se estivesse em condições de resolvê-lo, apesar de inflar seu ego levemente abatido, não trazia grande melhora para suas emoções. Como não ficar frustrada ao notar que era uma das mais úteis cartas da máfia naquela situação, mas obviamente estava fora da mesa? No fundo, era a incapacidade de salvar a si mesma que a consumia. Entre as discussões com Zachary, a dedicação à Olympian e os demais relacionamentos complexos em sua vida, Heather sempre cuidou de si. Em quem mais poderia confiar tal tarefa? Cada amargo minuto naquele ambiente desprezível confimava que fora inteligente de agir assim por tantos anos. Jamais deixaria de proteger quem ou o que era importante para ela, mas precisava redobrar as precauções para não permitir que nada a atingisse. Talvez um dos maiores impactos daquelas horas na cadeia fossem que, dali em diante, com certeza daria prioridade a si mesma com mais frequência. Em especial quando a outra pessoa com quem se importar fosse um certo Don.
Sem poder se conter, voltou a pensar em como as coisas deviam estar lá fora. Não tinha uma informação sequer, mas conhecia os procedimentos da Olympian bem o suficiente para supor. Seu irmão devia ter reunido todos, a não ser os que estivessem em uma missão a mando dele. A essa altura, certamente havia um esquadrão responsável pela vingança. Zach não deixaria um rival atacar sua máfia e sair impune. Heather se perguntava se, além disso, estaria preocupado o suficiente para cuidar da situação da irmã. Depois do jeito que a noite terminou, considerando o que sentia quanto ao desempenho dele para proteger a todos, não gostava da resposta que sua mente fornecia. Por fim, teve esperança de que Sophia, ciente do paradeiro da Cônsul e de que ela não fora a única capturada a serviço dos gregos, agisse a seu favor. Abnara saberia o que fazer e não se esqueceria do quanto a agilidade para lidar com aquela crise era importante para a imagem da Olympian. Os pensamentos de Heather a consumiam, mostrando possibilidades cada vez mais negras, quando foi sobressaltada por um guarda abrindo a porta. Ele foi direto até ela e disse que estavam livres. A surpresa foi tanta que a morena nem protestou quando o oficial segurou seus pulsos para colocar de novo as algemas. Eram apenas para o trajeto até a liberdade, mas ela mal as notou. Ficou chocada com o fato de que sairia mesmo dali, naquela hora. Só então percebeu o pavor que sentia por trás de toda aquela irritação, a crença de que passaria uma noite naquele lugar tenebroso, apesar de sua mente perseguir cada cenário em que alguém a libertaria. Seguiu o policial, sem reparar nos outros que vinham atrás dela, apesar de notar que o fato de ser a primeira a ser retirada da cela parecia proposital, pelo que observou das ações do homem que a puxou para fora das grades. Quem quer que veio a seu socorro deve ter sido claro quanto à importância de levá-la embora dali. Enquanto era conduzida à entrada da delegacia, voltou a ser consumida pelo ódio e pela vergonha ao pensar que seria vista algemada. Era surreal que a mulher que mais cedo atraiu olhares de admiração de todos à sua volta, em um evento já marcado pela elegância, descera tanto em um espaço de tempo tão curto.
Apesar disso, o nó em sua garganta se dissolveu quando seus salvadores entraram em seu campo de visão. Sentiu a boca se abrir em espanto enquanto o policial tirava suas algemas, sendo bem mais rude que o necessário. A Olympus nem se importou. Estava ocupada xingando a si mesma pela ardência em seus olhos. Não, de jeito nenhum, não choraria. Depois de tudo que vivera desde aquela festa digna de Carrie, não daria à noite um ápice tão indigno. Caminhou lentamente até eles, se dirigindo primeiro a Natalie, feliz em saber que ao menos seu vestido e seus sapatos estavam intactos. Não tinha um espelho para descobrir sobre o cabelo, mas a ausência de um era provavelmente uma boa coisa. “Eles vão precisar de muito mais para atingir Heather Olympus.” Disse, de alguma forma orgulhosa como sempre. Ok, tinha sido atingida, mas não chegaram nem perto de derrubá-la. Queria abraçá-la. Mesmo que não fosse o estilo delas, aquele contato seria um alívio, a confirmação de que iria logo para casa. Apesar disso, não conseguiria tocar ninguém de quem gostasse antes de um longo banho. Se sentia suja, poluída pela estadia ali, e começou a se questionar sobre quanto tempo levaria até parecer ela mesma de novo. "O que está achando de ser a heroína da noite? Sabe, até que cai bem em você." Julgou que uma piada sobre assassinato não cairia bem para os policiais, ainda mais porque Heather falaria sério ao sugerir a alegria da morte dos envolvidos. Por isso, apenas assentiu para a amiga e murmurou um singelo "Obrigada, Nat." que expressava toda a sua gratidão, e provavelmente a surpresa de vê-la ali. Foi ainda mais difícil impedir a própria expressão de desmoronar quando foi até Haziel. Devia ter adivinhado. Agora, era evidente que o irmão mais velho deveria ser seu primeiro palpite ao ser solta, ao mesmo tempo que soava como algo totalmente inesperado. Parou em frente a ele, próxima o suficiente para que só ele ouvisse quando ela falou. "Não sei se você tem ideia do quanto é bom te ver aqui." Se esforçou para continuar a olhá-lo nos olhos, porque sabia que Haziel enxergaria o que aquela experiência fora para ela. Mesmo assim, não havia motivos para esconder do irmão o que sentira antes e como estava agora, aliviada, grata, um pouco assustada e ainda tomada pelo ódio a tantas outras pessoas. Se tinha qualquer dúvida quanto a confiar nele, foi apagada pela imagem dele à sua espera. "Parece que você estava mais certo do que eu pensei, sobre o que disse no jantar. Só espero que você tenha mudado um pouco a sua opinião quanto à parte da guerra." Não precisaria especificar que se referia, primeiro, às falhas de Zachary e, em seguida, aos egípcios. Os Ankh pagariam em dobro pelo que a fizeram passar, além de que Heather ia garantir que não tocassem ninguém de sua família de novo. Naquele momento, essa família não incluía só o sangue do seu sangue. Pretendia estender aquela proteção a todos que fossem fiéis à Olympian, a começar pela própria Natalie.
Não podia culpar Natalie por ficar surpresa com sua súbita preocupação. Antes daquela semana, não tinha sequer admitido que sabia seu nome, por muito que tivesse a certeza que a mulher sabia que era um pouco inesquecível demais para isso. A verdade é que aquela nova abordagem, a que o fazia abandonar um pouco aquela pose de que não se importava com mais nada a não ser ele mesmo — o que, em parte, continuava sendo verdade; sua prioridade seria sempre seus desejos — deixava o peso que repousava seus ombros um pouco mais leve. "Pequenas vantagens de ser homem." Retomou o habitual sorriso de lado, se permitindo, por momentos, relaxar na presença dela. Por muito que a ansiedade de ver Heather continuasse bem presente, não havia mais nada que pudesse fazer. Já tinha colocado seus advogados em movimento, Zachary cuidando da parte monetária (ou, provavelmente, essa parte pertenceria a Sophia) e ele das burocracias necessárias para tirarem sua irmã daquele buraco nojento. Nada podia fazer a não ser esperar e não ajudaria ninguém se mantivesse o mau humor habitual. A última coisa que queria fazer era recebê-la de volta daquele jeito. "Tenho certeza que minha irmã ficará agradecida." Se alguma coisa que Heather gostava, era saber que as pessoas se importavam com ela. Não havia sombra de dúvida que Natalie era uma amiga genuína para ela, o que só a fazia apreciar mais a companhia da mulher. Sem dúvida uma boa escolha, quando a conversa era sobre aliados. Teria de conversar um pouco mais com Heather a respeito dela, tentar conseguir um pouco mais de informação a repeito da morena.
Com o barulho das grades, Haziel se virou de imediato, procurando a irmã com o olhar. Não deu sequer sinal de reconhecer os que a acompanhavam, porque não podia se importar menos com a presença deles. Tudo o que eria era olhá-la, ter a certeza que ela estava bem. E por muito que o parecesse, podia notar as pequenas coisas nela, pequenos detalhes que lhe indicavam o contrário. O jeito que parecia tensa, até mesmo falando com Natalie, sinal de que estava controlando sua vontade chorar. O ligeiro temor nas suas mãos, que lhe revelava o quanto nervosa estava. No entanto, sua figura era admirável. Ainda de queixo erguido, mostrando que não podia ser derrubada por nada daquele mundo. Não conseguiu evitar sorrir ao admirá-la, esperando que ela finalmente notasse sua presença. E quando o fez, não ficou desiludido com a reação. Era como se, por momentos, os últimos anos não tivessem acontecido. Toda a distância entre os irmãos passando apenas a uma memória ruim, facilmente descartada quando comparada aquele momento. "Não poderia estar em outro lugar." Porque, realmente, não se perdoaria se o fizesse. Não havia nada mais importante do que ela, naquele preciso momento. Não deixaria seu lado até ter a certeza que sua presença não era mais desejada. Era difícil esquecer que se estivesse do seu lado, talvez pudesse ter evitado sua vinda para aquele lugar horrível.
Não hesitou muito mais. Tirou seu casaco, com movimentos rápidos, rodeando os ombros da irmã cuidadosamente com ele, mantendo um braço firme em torno deles, a puxando para si, querendo-a proteger dos que a olhavam como se ela não passasse de um pedaço de carne. Ela era uma rainha. Não era digna daquele lugar. "Eles vão pagar." Pronunciou-se, por fim. Ela tinha razão. Sua ideia quanto a guerra tinha mudado por completo. Agora, vi-a como uma necessidade. Alguém pagaria por aquilo. Pagaria com sua vida, nem que fosse a última coisa que Haziel fizesse. "Se Zachary demorar em fazer justiça, posso garantir que a farei com minhas próprias mãos. Alguém vai pagar por isso." Repetiu, uma tensão controlada em suas palavras, não querendo que sua fúria tomasse conta dele, enquanto estava sob o escrutínio dos polícias ainda. Não perderia tempo em lhe dizer como ele sempre estivera certo, em como ela a deveria ouvir mais. Era a última coisa que ela precisava naquele momento. "Vamos. Eu paguei para o táxi esperar por nós lá fora. Temos de ir na Olympian ou não duvido que Zachary terá minha cabeça e a de Natalie numa bandeja pela manhã." Claramente, não levava as ameaças de seu irmão a sério, mas podia entender a necessidade de ter a certeza que Heather estava bem. Pelo menos, isso lhe daria. Começou encaminhando-a para fora da esquadra, tendo a certeza que ela quereria a maior distância daquele lugar, sem se afastar dela. "Você vem Natalie ou vai arriscar sua sorte?" Perguntou, olhando por cima de seu ombro com um pequeno sorriso.
MOODBOARD - HAZIEL AND PAUL (6/?)
"His biggest regret laid with Paul. He never had really tried with him. The moment the kid was born Haziel already was pulling away from his family and not even the new addition was enough to bring him back. Sometimes he wonders if things would be different if he he had been a real brother to him."
MOODBOARD - HAZIEL AND HEATHER (5/?)
"And then there was Heather. She once had been his best friend. Now he hasn't sure if they were even friends anymore. He never had a problem with pretending he didn't care but when he looked at her and saw how hurt she was it got harder everytime."
MOODBOARD - HAZIEL AND ZACHARY (4/?)
"His relationship with Zachary was different. It wasn't like he really hated his brother. He hated how everyone seemed to lose faith in him the moment he was born. The man who he grow up to be was a whole different story. Haziel could see the good in him but for some reason kept on focusing on the bad. Sometimes he couldn't even remember why he wanted revenge so bad anymore."
MOODBOARD - HAZIEL AND HIS FAMILY (3/?)
"The weird thing about his brothers was as much Haziel could hate them he would always love them above all else. There wasn't anything he wouldn't do to keep them alive even if it was keeping himself away to not end up killing them out of frustration."
to the rescue || natalie, haziel & heather
Caos. O puro caos se instalando na tão conhecida classe alta de Dubai. Teria divertido se não fosse catastrófico. Teria sido engraçado se a própria não estivesse envolvida no meio. Tudo não passara de meros flashes em meio a toda confusão dos policiais invadindo a festa. Ah, Natalie sabia que algo ruim estava por acontecer. Entretanto, por algum motivo muito estúpido, ignorou completamente a situação para aproveitar o breve momento de paz muito raro na sua vida. A morena só se lembrava de Viper, — mercenária da máfia nórdica, e algo próximo de uma relação amistosa parecida com amizade —, a mulher com quem a ajudara na fuga caótica do lugar de luxo. Não alterava o fato que Natalie foi obrigada a se livrar do seu carro preferido por medidas de segurança; uma vez que os policias o haviam vistos, podendo aumentar as probabilidades de prendê-la também. Isso a irritou profundamente, porém a garota decidiu que tinha coisas mais importantes para se preocupar naquele momento. Como, por exemplo, suas vestimentas rasgadas para que pudesse correr melhor com aquele vestido de saia longa. Entretanto, antes de ter qualquer outro pensamento, uma mensagem SMS foi enviada para seu celular com os seguintes dizeres: Heather e Henry foram presos. “Merda, merda, merda." A preocupação com o próprio vestido desceu uma posição na sua lista.
Trocando de roupa rapidamente, Natalie vestiu uma calça jeans escura junto com uma blusa branca de manga longa, os pés calçavam uma sapatilha preta. Tirara toda a maquiagem de seu rosto, e prendeu o longo cabelo num alto coque bem preso. Seu objetivo naquele momento era ir de encontro à Heather. Conquanto na maior parte do tempo se considere uma pessoa sem amigos, a garota não podia negar que a companhia da mais velha chegava a um nível parecido, senão igual. A necessidade de libertá-la das garras da justiça crescera como uma rosa em seu âmago, parecendo um sentimento altruísta. Pelo menos, naquele momento, ela soube como os heróis das HQs se sentiam. Natalie pegou as chaves de sua moto, incluindo o capacete e o macacão, descendo de elevador até o estacionamento; a morena não era tola de ser dependente de apenas um único veículo, porém não demonstrava tanta ostentação tendo vários na garagem — mesmo sendo algo extremamente comum —. Ela ligou a moto pilotando-a entre os carros das avenidas indianas até seu destino ser alcançado. Ali mesmo, no estacionamento policial, a morena se livrou do macacão de motoqueiro exigido pelas leis de transito, guardando no compartimento do veículo.
Quando adentrou no local, viu a confusão de policiais indo e voltando loucamente. Havia quantidade demasiada de vozes, o que incomodava a garota levemente, porém não era algo insuportável. Segurando o capacete escuro debaixo do braço, seus olhos ficaram surpresos por localizar um rosto muito bem conhecido pela morena naquele local. Se bem que, pensando melhor, não havia surpresa alguma na atitude de Haziel comparecer ali; afinal, tratava-se de sua meia-irmã que estava presa. Caminhou até chegar próximo ao homem visivelmente irritado. Se lembrava da companhia do outro na festa, bebendo e se divertindo… Pelo menos, até o caos se instalar. Aquela era uma visão milhões de vezes mais pacífica daquela na qual Haziel tinha na delegacia. “Está no lugar errado. Os que são realmente competentes trabalham do outro lado da lei." Comentou baico com ironia, fitando a expressão do homem. "Como estão as coisas? Digo, desde que você chegou aqui." Os olhos de Natalie percorreram o local com paciência, analisando cada rosto ou qualquer detalhe que pudesse ser analisado. Entretanto, sentia-se um pouco nervosa com o clima do lugar; não tinha medo de ser presa, porém o receio era grande, afinal, se ela quisesse mesmo passar a vida atrás das grades, não tomava cuidado para não ser pega. Ali, com Heather presa, a ideia de que um futuro não muito distante poderia aguardava-la ali, incomodava.
Tinha de admitir que se sentia aliviado por pelo menos ver uma cara familiar no meio de todo aquele caos. Gostaria que sua noite do lado de Natalie tivesse terminado de um jeito diferente. Estava se divertindo com a morena, até permitindo-se conhecê-la melhor, até terem sido rudemente interrompidos, é claro. Começava descobrindo nela uma potencial poderosa aliada, mais ainda do que tinha antecipado. E, vê-la ali, preocupada com o bem estar de sua irmã... Bem, isso só a fazia subir mais pontos na sua consideração. "Péssimas. Estou esperando que estabeleçam a fiança deles." Retrucou, controlando sua irritação, sabendo que ela não era culpado por aquela demora absurda. Se tinham escolhido Dubai pelo seu sistema judicial defeituoso, devia haver alguém rindo da cara deles naquele exato momento. Porque estavam sofrendo suas consequências, num momento em que mais precisavam que ele funcionasse como uma máquina bem oleada. "Não acho que possamos fazer muita coisa além de esperar, por muito que eu..." Parou de falar, quando ouviu o toque familiar do seu celular, logo alcança o aparelho com sua mão. "Um segundo." Pediu para Natalie, antes de atender, já antecipando o que seria.
Quando o desligou, um sorriso permanecia nos seus lábios. Tinha de admitir que provocar Zachary, mesmo naquelas situações, era algo que apreciava. E era sempre bom saber que era pelo menos um pouco inteligente. "O dinheiro já está disponível." Se virou de volta para o policial. "Pagarei a fiança de todos que foram presos no casino hoje. Sim. Todos. Aqui está o número da conta. Trate disso o mais depressa possível, mal a decisão do juiz chegue." Ordenou, antes de retornar sua atenção para Natalie. "Aparentemente, meu querido irmão decidiu que era uma boa ideia libertar todos. E ele tem razão." Era um plano de última hora, mas que poderia resultar a seu favor. Por muito que agora ele apoiasse uma guerra contra a Ankh, não os magoaria ter outros do seu lado, lhes devendo um favor, já que certamente eles também estariam procurando vingança depois daquela noite. Uma que Haziel faria com suas próprias mãos se Zachary não se despachasse.
Sem muita mais hesitação pousou uma de suas mãos na curvatura do pescoço dela, acariciando a pele devagar. "Eu fiquei preocupado com você." Permitiu que seu olhar se suavizasse. A verdade é que com toda a confusão, não conseguira encontrar Natalie mais. Temera que algo tivesse acontecido, mas Heather era sua prioridade. Presumira e, agora via que estava certo, que ela tinha conseguido escapar, já que não fazia parte da lista dos prisioneiros. Deixou seu braço cair, sem extender demais o contato entre os dois. "Eu tentei te procurar depois de mandar Pearl para casa, mas acho que você já tinha saído. Então, eu vim para aqui, mal soube de Heather." Não lhe devia nenhuma explicação em particular, mas se sentia na necessidade de a entregar. Afinal, ela tinha sido sua acompanhante naquela noite terrível.
Ligação | Zachary & Haziel
Zachary ainda estava apreensivo. Conversava com alguns integrantes e recebia conselhos de Sophia, mas já tinha em mente o que iria fazer.
Sendo essa uma festa dada pelos Egípcios, não só sua família mas também os nórdicos caíram nessa cilada. Durante o caminho até a volta da boate, recebeu a informação de que Odin não estava presente para pagar a fiança de seus subordinados, E, como se fosse a oportunidade perfeita para dar o primeiro passo em direção aos seus objetivos, buscou o celular pré-pago e discou um número de cor.
Não existe qualquer agenda em celular algum daquelas pessoas. Nem mesmo uma conta. Era um prato cheio para serem grampeados, e não poderia dar ao luxo.
"Sou eu. Estou providenciando o dinheiro para liberar a todos. Use também para os nórdicos. Acate a ordem sem mais perguntas e seja rápido."
Não fora uma surpresa quando recebera uma ligação, interrompendo suas exigências com os policiais. Muito menos quando ouvira a voz de Zachary do outro lado da linha. Sabia que ele tinha informadores o suficiente para saber onde exatamente estava Haziel e o que ele estava fazendo. E enquanto ele não podia estar ali para tirar Heather da prisão ele mesmo, sem dúvida que já estaria esperando que ele o fizesse.
A ordem o confundiu por uns segundos, mas não demorou muito para chegar no seu objetivo. Era bom saber que pelo menos, no meio de todos defeitos, seu irmãozinho ainda tinha um pingo de inteligência. "Boa noite para você também." Disse, com um certo tom de ironia na sua voz. "Não me confunda com um de seus subordinados. Eu não acato ordens de ninguém. Mas, para sua felicidade, me importo com o bem estar de Heather. Então farei o que você diz. Já estou na delegacia faz um bom tempo, mas ainda não estabeleceram uma fiança. Imagino que você queira que te encontremos depois?"
to the rescue || natalie, haziel & heather
Aquela noite estava dando a maior dor de cabeça do último século para Haziel. Desde que recebera o convite, achara tudo aquilo uma terrível ideia. Estava claro para todos (acreditava que nem Zachary seria tão denso para achar que aquilo seria realmente uma tentativa de aproximar as máfias) que aquela festa era uma espécie de armadilha. Todos tinham ido, já esperando que algo acontecesse, mais cedo ou mais tarde. O que ele não esperava era que a Ankh tivesse tido o atrevimento de chamar a polícia e interromper a sua própria festa. O pânico tinha sido imediato. Tivera a sorte de ser encontrado em particular por polícias já comprados pela Olympian, coisa que o safou de passar uma noite na prisão. Infelizmente, sua irmã não tivera a mesma sorte. Palavras não podiam descrever a raiva imediata que sentira quando descobrira que Heather tinha sido levada. Quisera fazer várias coisas ao mesmo tempo. Quebrar a cara do seu irmão por ter permitido que isso acontecesse, matar quem organizara aquela festa e rasgar o pescoço do policial que tinha se atrevido a colocar um dedo na sua querida irmã. Mas, felizmente, ainda era uma pessoa com alguma cabeça e inteligência para saber que isso só iria piorar as coisas para o lado dele. Por muito que matar alguém o fosse acalmar, precisava de pensar no que não os iria comprometer ainda mais naquela noite.
Sua primeira ação fora procurar Pearl. Acima de tudo, queria garantir que a ruiva estava em segurança. Depois de se assegurar que nada tinha acontecido e ninguém lhe tinha tocado e ouvir os pedidos incessantes para tirar o Henry da prisão, finalmente a deixou. Não podia se importar menos com o que acontecia com ele, mas a vontade de agradar a garota falara um pouco mais alto, fazendo-o pelo menos considerar a hipótese. Não iria magoar se ele ficasse bem visto aos olhos do resto da máfia naquela história. Ordenou o seu motorista pessoal que a levasse para casa, enquanto ele apanhava um táxi para a esquadra onde estava sua irmã. A última coisa que queria fazer era passar a noite com seu nariz enfiado em burocracias, mas parecia-lhe um mal necessário. Era um pensamento bem pior a ideia de sequer a deixar lá, sozinha. Não fazia ideia onde estava o seu irmão ou se sequer sabia que Heather tinha sido apanhada. Tinha de lhe oferecer o benefício da dúvida naquele momento, já que a prioridade da maioria deles (por muito que não fosse a sua) fora tirar o Don da festa.
eNo caminho, já estava ocupado, ligando para os advogados da família, garantindo que eles já estavam trabalhando em negociar uma fiança. Movimentar o dinheiro também não era uma tarefa particularmente fácil naquela hora da noite, mas Haziel estava fazendo os possíveis para que isso acontecesse. Não importava a quantia, se recusava a que Heather passasse a noite naquele lugar. Quando chegou, não fez mais nada a não ser exigir ver sua irmã. Pedido que foi imediatamente recusado, para seu desprazer. "Posso falar com alguém que não seja totalmente incompetente nesse lugar?" Pediu, obviamente frustrado, depois da quinquagésima conversa lhe dizendo que teria de esperar, que a fiança estava agora sendo estabelecida por um juiz. O que ele não entendia, já que se tinha oferecido para pagar o que eles quisessem para a tirar naquele momento. Já não se faziam polícias corruptos como antigamente.
behind that mask, who is there? || @haziel and natalie
As intrigas dentro da família Olympus não interessavam Natalie nenhum pouco, entretanto, quando as mesmas eram levadas para a máfia, era quase que uma obrigação da garota ouvir o que se tinha para dizer. Ela tinha a necessidade de saber com quais pessoas estava convivendo e, caso tudo fosse pelos ares, apenas daquela forma a morena iria ter conhecimento onde se esconder. Sendo assim, compreendia o ódio que não somente os próprios irmãos de Zachary sentia por ele, mas uma parte da máfia em si. Natalie se limitou a assentir com a cabeça, meio pensativa em sua própria relação com o líder da máfia; na maior parte do tempo, amigável, como qualquer relação da morena. Entretanto, o que os outros conheciam sobre ela era algo superficial; como o conhecer do universo — muitos veem as estrelas, belas e cintilantes, porém não fazem ideia das histórias que há entre elas —. Observou todo o desenrolar seguinte de Haziel abordar um ser aleatório que saía do elevador, não podendo conter o pequeno sorriso em seus lábios; principalmente pelo fato presente era que ela própria teria feito aquilo caso o outro não tivesse. “Realmente, muito simples." Respondeu-o enquanto via as portas de metal do elevador se fechando atrás de si, fazendo com que o homem subisse sozinho para o andar desejado. Em seguida, arqueou uma sobrancelha ante a proposta de Haziel, interessada não somente no convite, como também em quais assuntos queria tratar com a pessoa dela. "Será que existe a possibilidade de uma prévia ou spoiler?" Questionou enquanto caminhava na frente do Olympus, com seus pés rumados diretamente para a porta giratória. Foi questão de alguns segundos para Natalie encontrar-se do lado de fora da grande empresa Olympian, ouvindo os barulhos da cidade grande e os falatórios em diversas línguas das pessoas que passavam pela calçada. Supondo que ele a acompanhava, virou-se para fitar Haziel. "Eu me sinto um tanto obrigada a perguntá-lo: qual o motivo da repentina vontade de conversar comigo?" Cruzou os braços, semicerrando seus olhos, fazendo uma expressão pensativa. "Eu realmente estou muito interessada na resposta.”
"Paciência é uma virtude, Natalie." Retrucou, mas manteve o sorriso de lado no rosto, entendendo perfeitamente toda a curiosidade vinda da garota. Deveria ser inesperado o jeito como Haziel estava agindo com ela, subitamente interessado na sua presença, depois de tanto tempo rejeitando reconhecer até mesmo a existência dele. Mas tinha de admitir que a própria curiosidade da garota o estava divertindo. Seguiu-a, com calma, para fora do prédio, algo aliviado por fugir aos olhares daqueles que os rodeavam, obviamente tão confusos quanto ela sobre a súbita mudança de atitude de Haziel. Mas, enquanto que oferecer algumas respostas para ela era do seu interesse, deixar que eles ouvissem as suas explicações não fazia parte do seu plano de todo. "Eu confio que você será inteligente o suficiente para manter um segredo, então serei sincero." Pousou uma mão no ombro alheio, empurrando-o delicadamente para que ela virasse em torno de si própria, para que começassem a caminhar para longe dali. Não era inocente de pensar que só porque tinham saído do prédio, não haveria pessoas atentas à sua conversa. "Por muito tempo, eu rejeitei essa vida e tudo o que estava relacionado com ela. Isso não foi uma escolha para mim. Minha querida família me fez escolher entre a máfia ou a morte." Começou, com um tom de voz neutro, enquanto se encaminhava para o seu destino. "Pessoas envolvidas com ela incluídas nessa rejeição. Mas as coisas estão mudando e agora que isso é tudo que conheço, talvez eu não esteja satisfeito com o jeito que as coisas estão sendo geridas. Especialmente, se essa gerência me colocar no meio de uma guerra que pode custar minha vida." Não valia a pena ir mais longe do que isso, explicar seus motivos de vingança pessoal. Isso ficaria para outro dia, se achasse que ela os deveria ouvir. "Então, estou procurando aliados. Que estejam tão interessados em preservar sua segurança quanto eu." Parou, subitamente, na porta do bar que procurava, a abrindo e deixando espaço o suficiente para que Natalie passasse. "Interessada?"
a dark adoration // haziel & heather
Havia algo de mais leve e familiar no próximo sorriso de Heather, em resposta ao riso dele. Quase como se segurasse ela mesma uma risada. Era assim que ele soava, é claro. Aquele som a fez se sentir mais confortável por estar ali, tinha algo que lhe trazia segurança, uma memória antiga de estar em casa. Imaginou se a saudade transparecia em seus olhos com a mesma intensidade que ela sentia. A angústia causada pela falta que sentia do irmão entristeceu um pouco a paz daquele momento. Mesmo assim, a morena não lamentou que o instante fosse fugaz. Era mais do que ela se permitira esperar daquela noite, principalmente sendo tão imediato. Mordeu de leve o lábio inferior devido ao tom dele. Seus olhos se desviaram brevemente para a mesa e retornaram para ele, não tão diretos quanto antes. "Nunca, Haziel, não você." Concordou, a voz calma e sincera como Heather quase nunca a usava. Estava cansada demais de todas as complicações para dizer algo menos que a verdade. O mais velho fora, de fato, leal à irmã sempre que preciso. Algo dentro dela se agitava com o pensamento perturbador de que talvez aquele fato estivesse prestes a mudar. Torcia por estar apenas paranoica devido à vida que levava e a outras pessoas com quem convivia, mas seus instintos lhe diziam que havia mais ali. O que quer que fosse, era significativo e a deixava um pouco temerosa. Aguardou enquanto ele fazia o pedido, tendo que lembrar a si mesma de não bater o pé de ansiedade. Ela funcionava à base de respostas e estava faminta pelas que conseguiria ali.
Com a frase seguinte, Heather não se conteve. Riu baixinho, deliciada, balançando a cabeça. Ainda tinha um sorriso de lado quando o respondeu. "Você sabe que eu adoraria." E mais uma vez, era a verdade pura e simples. Com ele sentado à sua frente, tinha que se controlar para não imaginar como seria tê-lo por perto, como em uma família comum. Se aquela rixa sem nexo não existisse, quantas coisas mudariam para os Olympus? Lançou ao irmão um olhar afiado de quem conversa com um cúmplice, ou talvez com um amigo que entende perfeitamente uma referência ácida e muito particular. Parecia tão fácil serem apenas eles. Era mesmo triste que um convite para jantar que não envolvesse um objetivo maior fosse um delírio, àquela altura. Considerou dizer mais alguma coisa, chegou a se mover como se fosse, mas não tinha ideia do que. Não conseguia determinar sequer para si mesma o que esperava daquele encontro, sendo realista. Com certeza não seria capaz de explicar uma de suas possibilidades para ele. Acima de tudo, mesmo que ver sua família agindo como uma fosse um sonho tão forte para ela, Heather precisava se manter blindada. Se a situação a assombrava como estava, o que se tornaria caso ela se permitisse acreditar que era possível mudar as coisas? Nada tão perigoso quanto crer em algo perfeito que você sempre perseguiu, mas duvidava racionalmente que qualquer um pudesse alcançar. Ninguém sabia disso tão bem quanto a Olympus.
A confirmação de suas teorias veio logo depois. Mesmo que já esperasse por algo semelhante, a Cônsul não pôde evitar ficar irritada. Durante toda a conversa, mesmo quando havia qualquer sinal de descontração, Zachary pairava sobre eles como um obstáculo que não se manteria distante por muito tempo. Às vezes, Heather o odiava. Com todas as razões que tinha, parte dela realmente o odiava. Não era nem jamais seria o suficiente para alterar o resto do que sentia pelo mais novo, mas isso só aumentava a raiva. Não podia nem mesmo jantar com Haziel sem que Zach, quase que só por existir, destruísse qualquer chance de uma refeição agradável. Ele não tinha o direito de complicar tantos aspectos da vida da irmã sem nem se importar, mal notando nada além de si próprio. "Porque eu não estou surpresa?" Ergueu as sobrancelhas para a referência ao ‘querido irmão’. Se Haziel se referia assim ao Don e chamara Heather de ‘querida irmã’ minutos antes, devia realmente gostar dela. Nossa, estava lisonjeada. Fechou os olhos por alguns segundos para se lembrar de que a escolha de palavras não era parte de um plano maligno, que a ironia latente do mais velho estava destinada apenas a Zachary, que não deveria permitir que a frustração com um arruinasse a já delicada chance de uma relação amigável com o outro. "Farei o possível para que não chegue a uma guerra, mas também não podemos deixar que eles sejam um risco para a Olympian. É um equilíbrio difícil." Deu de ombros, se esforçando para ver o problema do ângulo mais profissional, mas desistiu com o frio que a ideia da última frase lhe causou. "Não brinque com isso. Eu nunca deixaria um de nós ser atingido, nem que eu tivesse que… Não importa, não é uma possibilidade." Sua voz era dura quanto os pensamentos que ocupavam sua mente. O distanciamento do irmão era ruim, mas perdê-lo de fato… Não é uma possibilidade, repetiu para si mesma.
A verdade é que aquelas palavras, vindas dela, doíam mais que qualquer coisa. Por vezes, esquecia-se que ele não era o único que sofria com suas decisões, com o afastamento permanente de sua família, por seus próprios motivos egocêntricos. Porque ele acreditava. Quando ela dizia que gostaria que ele a procurasse mais, que realmente acreditava que ele nunca a tinha traído e, provavelmente, que nunca o faria. Por muito grande que fosse a sua mágoa, até ali, na sua tentativa fraca de manipular sua própria irmã, estava fazendo aquilo por ela. Ou, pelo menos, era o que dizia para si mesmo para tentar aliviar sua consciência. Estava tentando-a salvar, salvá-los a todos de serem vítimas do egoísmo de outros. Poderia ter agido antes. Anos atrás, quando a liderança de Zachary não estava tão cimentada, onde Haziel ainda tinha uma chance de assumir o negócio de família. Mas escolhera não o fazer. Então, a pergunta certa a se fazer era porque agora? Porque, anos depois, em que passara grande parte deles se afogando no seu próprio ressentimento e mágoa, decidira agir? Parecia-lhe difícil acreditar, até mesmo nele próprio, que fora o bem estar dos seus irmãos que o fizera dar o passo em frente, finalmente tomando a decisão que era hora de fazer alguma coisa, se tão infeliz estava com o jeito que as coisas permaneciam. Não o queria acreditar, porque significava que depois de todos aqueles anos, mesmo tentando não o fazer, ainda se importava. Importava-se com o sangue do seu sangue, as pessoas que cresceram do seu lado e tão pouca fé tiveram em si. Era uma realidade dura, em que aquele que era considerado o maior monstro deles todos, era o que mais sentia.
"Zachary é um risco para a Olympian." Disse-o, porque era nisso que acreditava. Sempre fora com seu orgulho desmedido, agindo como se ele e mais ninguém além dele importasse. Uma indiferença necessária naquele tipo de negócios, é claro. Mas o que ele parecia esquecer é que a Olympian ia um pouco além do mero negócio. Era a família dele. E por muito que ele pudesse não dar a mínima para o que acontecia com Haziel, deveria se importar com Heather e Paul. "Você está tentando me convencer ou se convencer disso, Heather?" Seu tom de voz se tornou mais suave, um pouco mais compreensivo que antes. Porque entendia. Genuinamente, entendia aquilo que ela estava passando. O tinha visto vezes sem conta. Aquela tentativa de manter o lado profissional separado do pessoal, desesperadamente agarrando-se a ideia que precisava manter a confiança no seu líder. O que não tinha a certeza se ela percebia, era quantas chances ela tinha oferecido para o irmão de ambos com a desculpa que era daquele jeito que ele era. Desculpas e mais desculpas para seus erros e motivações, algo que Haziel não suportava ver.
"Eu não quero discutir." Disse, por fim, porque aquele nunca tinha sido o seu objetivo. Era inteligente o suficiente para saber que não mudaria a opinião dela numa tarde. Teria de ser um objetivo a longo prazo, que poderia começar lentamente a ser introduzido quando ficassem um pouco mais próximos. Não teria qualquer resultado se começasse uma discussão ali. Provavelmente, só perderia mais um pouco de sua irmã. "Eu fui sincero no que disse. Você concordando ou não, um meio termo poderia ser encontrado se Zachary assim o quisesse. Egoísmo é algo perigoso quando você está numa posição de liderança." Havia um tom final em suas palavras. Teriam de concordar em discordar, pelo menos, naquele momento. "Eu culpei você por o nosso afastamento durante muito tempo. Mas as coisas mudaram. Houve coisas que eu... Poderia ter feito de uma forma diferente." Admitiu. Era difícil para ele, porque por muito que o quisesse, nada do que estava dizendo era uma mentira. Já tinha chegado nessa conclusão fazia bastante tempo, mas seu próprio orgulho, caraterístico dos Olympus, não o deixara procurar sua irmã antes. "Estamos em risco e eu não gostaria que algo acontecesse sem você saber isso."
behind that mask, who is there? || @haziel and natalie
Definitivamente, Natalie não podia conter a expressão de surpresa que passara pelo seu rosto após ouvir as palavras proferidas por Haziel, afinal, todas as outras conversas trocadas com o homem seguiam uma constância de neutralidade e indiferença por parte do mesmo. De forma alguma a morena esperava alguma aprovação por parte do mais velho dos Olympus, ou sequer um sorriso charmoso em seus lábios. A expressão de surpresa fora substituída momentos seguintes por um sorriso genuíno inesperado até para Natalie, no qual esboçava realmente uma reação positiva por parte do homem. Entretanto, ela também não era tola para achar que o comportamento de Haziel tinha mudado por livre espontânea vontade; ou pelo dia lindo lá fora; ou pelas boas notícias com a bolsa de valores; etc. Porém as probabilidades coerentes que poderiam levar aquilo acontecer eram capazes de formar uma lista grande. Bem, e quem disse que isso impediria-a de fazer algo? ”Não vejo porquê não acompanhá-lo, Haziel." Não esperara aprovação do outro para tratá-lo pelo primeiro nome. Nunca esperava, afinal; chegando a ser considerado um defeito por qualquer alma vidrada em bons modos e etiqueta da classe social mais alta. "Tenho certeza que sim, mas por que tornar sua viagem até aqui vã? Posso acompanhá-lo, se quiser." Embora realmente estivesse sendo educada, parte de sua oferta era um tipo de teste de território; queria fazer reconhecimento da nova área desconhecida do campo minado para não pisar em local errado e explodir tudo. No exato momento que terminara sua frase, um pequeno sino tocou avisando que o elevador havia chegado, e suas portas se abriram de forma automática. Alguns homens estavam ali, no mínimo quatro, que educadamente se retiraram cumprimentando os dois até deixarem o cubículo de metal vazio.
Manteve o sorriso confiante perante a reação positiva da mulher. Não era nada que não esperasse, se estivesse sendo sincero. Já tinham sido várias as ocasiões em que Natalie o tentara abordar e recebera nada a não ser a sua indiferença e frieza habitual. Mas os tempos estavam mudando e, com eles, Haziel também. "Acredite, só o fato de me poupar uma viagem ao escritório do meu irmão, está fazendo meu dia bem melhor." Não era segredo nenhum dentro da Olympian do seu desprezo por Zachary. Nunca fizera questão de o esconder, sabendo que estava mais seguro do que a maioria, para fazer certos comentários e ter certas reações. Podiam se odiar e ele podia ser seu superior, mas Haziel ainda era um Olympus. Talvez tivesse sorte que isso ainda contava para alguma coisa naquele meio. Antes que um dos homens tivesse a oportunidade de se retirar por completo da presença deles, agarrou o seu braço, fazendo-o parar. "Você vai deixar esse relatório no escritório de Zachary." Não era um pedido. Havia um tom de ameaça na sua ordem que deixava claro o que aconteceria, caso ele decidisse desobedecer. "Eu vou saber se ele não chegar nas mãos dele." Largou-o, já sentindo o homem encolhendo debaixo do seu olhar, que voltou de imediato para o elevador, certamente indo cumprir a ordem que lhe tinha sido dada. "Viu? Simples." Retomou o sorriso agradável que guardara para Natalie. "Agora... Tem um bar aqui perto que ainda sabe como servir um whisky em condições. Vamos? Tenho algumas coisas a discutir com você." Disse, abrindo caminho para que a mulher começasse a andar e Haziel logo a seguiria, mal tivesse a certeza que seu convite realmente tinha sido aceito.
Diga dois pensamentos sobre cada um de seus irmãos.
Zachary: Babaca e babaca.Heather: A pessoa mais inteligente e decidida que eu já conheci na minha vida. E uma babaca por ficar atrás do Zachary.Paul: Tem potencial. Se parar de ser babaca.
Pegou a Pearl pra fazer um ritual pro satã?
Óbvio. Ia desenhar os pentagramas no chão com o sangue de quem?
Você sacrifica virgens?
Claro. Todas as sextas-feiras. Estou aceitando inscrições.
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